Preocupação
Falta de floreiras no canalete da Argolo enfraquecem proteção e beleza da via
Ao todo, seis vasos do canteiro não são mais encontrados, dando lugar a lacunas perigosas
Foto: Carlos Queiroz - DP - Situação preocupa moradores e empreendedores dos arredores
Por João Pedro Goulart
joao.goulart@diariopopular.com.br
(Estagiário sob supervisão de Lucas Kurz)
Uma das vias mais tradicionais de Pelotas é a rua General Argolo. Atravessando o Centro da cidade, em paralelo à avenida Bento Gonçalves, a rua dispõe de detalhes arquitetônicos únicos e, por vezes, até questionáveis, como a casa avançada entre as ruas Gonçalves Chaves e Félix da Cunha. O que também gera dúvidas da população, mas com certeza não faz parte da arquitetura da Argolo, é a ausência de inúmeras floreiras que deveriam rodear toda a volta do canalete responsável por escoar a água pluvial.
Por toda a extensão da Argolo, foram contabilizadas seis lacunas onde, em tese, deveriam estar as floreiras, que são os vasos que cercam o canalete, com um metro de comprimento na média, onde se plantam flores para enfeitar a rua. Somente na quadra entre as ruas Almirante Barroso e Santa Cruz foi verificada a ausência de três floreiras. De acordo com um homem de 65 anos, que vive em um residencial em frente ao canalete, após fortes chuvas ocorridas há quatro anos, os canteiros de proteção foram vistos por ele caídos dentro do fosso. "Não sei se alguém jogou, algo assim", comentou. Ele ainda conta que o cuidado parte da própria população. As floreiras que estão em frente ao condomínio receberam mudas de plantas postas pelos próprios moradores, mas mesmo assim, algumas acabaram sendo arrancadas. "Nosso porteiro já viu o pessoal mexendo", afirmou.
Mais à frente, entre as ruas Gonçalves Chaves e Félix da Cunha, a falta de um vaso de flor dá lugar a um novo buraco. Seguindo o caminho do canalete, o ponto na esquina junto a uma escola, recebeu uma intervenção recente. Em março do ano passado, o DP fez matéria sobre a lacuna existente no local, que já vinha trazendo riscos para pedestres e crianças que ali circulavam. Hoje, uma mureta baixa, feita com tijolos, encobre a brecha deixada pela falta do canteiro, o que impede possíveis acidentes. Contudo, o conserto causa estranhamento em quem passa pelo local, até porque a viga antiga continua atravessada na calçada e quebra totalmente o padrão arquitetônico do local.
Próximo à Andrade Neves, a última sondagem sobre falhas nos canteiros foi visualizada. A ausência de duas floreiras em sequência deixou um espaço vago grande que pode vir a provocar problemas. Segundo o proprietário de uma empresa próxima ao local, que optou por não se identificar, o motivo de não existirem os vasos ali é pelo acontecimento de um acidente em março de 2020. Desde então, o rastro deixado segue do jeito que estava. "As floreiras caíram. Depois, veio o temporal, começou a carregar os pedaços lá para frente. O que acontece depois? Acúmulo de lixo", apontou o homem. Além disso, a pessoa revela também que já ocorreram acidentes ali envolvendo pessoas e também animais, que caíram no canalete e tiveram de ser auxiliadas para sair.
O que diz a Prefeitura
O secretário de Cultura, Paulo Pedrozo, informou que o canalete da rua General Argolo, projetado pelo engenheiro sanitarista Saturnino de Brito, é uma obra de referência para o patrimônio do saneamento da cidade de Pelotas, já tendo sido restaurada pelo Sanep. Segundo a Prefeitura, atualmente, o canalete requer uma ação de conservação, substituição das floreiras faltantes e uma proposta de paisagismo para toda a extensão do trecho que é considerado como Foco de Interesse Cultural e, desde 2018, bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e artístico Nacional (Iphan). Quanto ao que pode estar causando a ausência de tantas floreiras, o secretário afirma que pode estar ligado a uma pluralidade de situações. "Não contamos com o motivo exato, mas podemos afirmar que o vandalismo, acidentes, a ação do tempo e até mesmo furtos devem ser as causas mais prováveis", disse.
Em relação ao ponto reparado com tijolos na esquina entre XV de Novembro e a Argolo, foi comunicado que o reparo neste local é devido a um acidente com automóvel e tem caráter temporário. A Secult disse que realiza levantamento no local para reposição de todas as floreiras e vai propor parceria junto à Secretaria Municipal de Qualidade Ambiental (SQA), que promove ação por meio de adoção de áreas verdes, para expandir ações de parceria como a que ocorre na quadra situada entre a rua Almirante Barroso e avenida. Ferreira Viana para toda a extensão do canal.
Retirada de lixo
Em relação à retirada de resíduos do canalete da rua General Argolo, o Sanep, responsável pela limpeza dos canais na cidade, informou que realiza o processo de duas a três vezes ao ano, durante o cronograma habitual de limpeza. Assim como nas outras estruturas de macrodrenagem, as equipes da autarquia intervêm, também, quando há clara necessidade de manutenção.
Carregando matéria
Conteúdo exclusivo!
Somente assinantes podem visualizar este conteúdo
clique aqui para verificar os planos disponíveis
Já sou assinante
Deixe seu comentário