Covid-19
Fim da emergência de saúde da pandemia é declarado, mas fatores de superação ainda persistem
OMS alerta para os riscos ainda existentes do vírus; em Pelotas setores que movimentam a cidade ainda tratam das consequências da Covid-19
Foto: Divulgação - Pelotas, durante esse período, 1.603 pessoas perderam a vida em decorrência da Covid-19
Após três anos, um mês e cinco dias e cerca de sete milhões de óbitos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou na manhã de sexta-feira o fim da emergência global de saúde causada pela Covid-19. A decisão marca um momento significativo nos avanços do combate à doença. No entanto, apesar da notícia positiva, os cuidados com a infecção ainda continuam necessários e os impactos permanecem como fatores de superação para muitas pessoas. Em Pelotas, 1.603 pessoas perderam a vida em decorrência da Covid-19.
Em Pelotas, a dedicação de profissionais de setores totalmente diferentes com o intuito de alcançar um cenário próximo ao que era normal antes da pandemia tem sido intensa desde o dia 11 de março de 2020. No Município que tem sua economia baseada majoritariamente no comércio e serviços, assim como sua movimentação nas Universidades, trabalhadores destas áreas contam sobre os desafios e as incertezas enfrentadas até hoje.
Testagem e angústia
Pesquisador e professor de biotecnologia na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Tiago Collares, foi convocado pelo reitor da instituição à época para estruturar um laboratório dedicado à análise de testes de Covid-19. Em tempo recorde, 45 dias, a Unidade de Diagnóstico Molecular estava pronta para ser a base de trabalho para uma equipe de dez pessoas.
A mudança radical de rotina dos pesquisadores, que antes trabalhavam na área da oncologia, somada à insegurança de um período em que não havia dimensão da gravidade da doença causada pelo vírus, assim como previsão de vacinas, foi angustiante, descreve Collares. "Fomos para lá muito apreensivos porque estávamos trabalhando com um vírus desconhecido, com índice de óbitos muito elevado".
Na época, em 2020, o laboratório emitia por dia uma média de 100 diagnósticos. Atendendo a todos hospitais do Município, o trabalho realizado pela equipe agilizava os resultados e reduzia a demanda que chegava ao Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen). "Isso diminuía as amostras que chegavam a Porto Alegre", explica
O pesquisador comenta ainda que falar sobre as dificuldades enfrentadas pode parecer até banal, já que com os avanços da ciência, hoje, é possível comprar testes em farmácia e a disponibilidade de vacinas é ampla. No entanto, há apenas três anos, a equipe de voluntários abdicava de estar na presença da família para trabalhar perante inúmeras inseguranças e temores. No total, o laboratório emitiu cerca de 10 mil diagnósticos.
"O fim da emergência, não significa o fim da pandemia, isso é importante a população saber. O fim é como desligar a luz vermelha de extrema atenção", ressalta sobre o comunicado da OMS. Agora os esforços dos pesquisadores continuam empenhados devido à Covid-19, mas em relação às consequências e sequelas ainda desconhecidas do pós-pandemia.
Adversidades persistentes
Distante dos laboratórios, mas enfrentando da mesma maneira diferentes impactos da pandemia. Com as limitações sociais e os novos hábitos adquiridos neste período, mudanças ainda são sentidas intensamente por quem trabalha com atendimento ao público. Essa é a constatação feita por Rose de Deus, proprietária há 40 anos de um restaurante. Ela afirma que mesmo após várias tentativas, até o momento não obteve o retorno da movimentação que era usual. Atualmente, a queda de cerca de 60% de clientes ainda é persistente.
A instabilidade também é um fator que preocupa constantemente. Habituada com uma movimentação boa e linear, com o retorno à normalidade, o cenário de diversos dias ruins de venda fez Rose entender que dificilmente a conjuntura do empreendimento como era antes de 2020 seria totalmente retomada.
Uma das heranças mais gritantes da contenção da mobilização social é a continuidade da adoção do trabalho remoto e o ensino à distância, cenário que fez o número de clientes despencar. "O público está trabalhando em casa. Eu tinha clientes que viam sempre almoçar aqui conosco e agora não vêm mais", conta. Devido ao Coronavírus, a empreendedora viu o perfil de freguês, que estava acostumada há quatro décadas, mudar totalmente nos últimos três anos.
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