Saúde

Fim da angústia

Mães que relataram falta de leite especial vão poder acessar o produto a partir desta sexta-feira

Jô Folha -

Utilizado como principal fonte de alimentação a crianças que possuem alergia à proteína do leite de vaca, a fórmula que substitui o alimento e costuma ser entregue pelo Estado para famílias credenciadas estava em falta. Segundo mães que participam do grupo de crianças com Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) de Pelotas, a falta do Neocate foi sentida desde o início de abril, e a angustia vem da ausência de respostas e da indefinição para a entrega de um novo lote. Sentimento que a partir desta sexta-feira (23) deve mudar. Conforme a 3ª Coordenadoria de Saúde (3ºCRS), uma nova remessa chegou esta semana à cidade e deve começar a ser distribuída ainda nesta sexta.

Segundo os responsáveis pelos alérgicos, que compõe um grupo com mais de 130 membros, entre mães e pais, desde os primeiros dias deste mês a Farmácia do Estado não dispunha do leite especial. "Uma mãe do nosso grupo foi buscar no início do mês e já estava em falta, passaram para ela que não há previsão de chegada do leite e não sabiam o motivo da falta do Neocate", conta Emily Moraes, 30, mãe do Gael, de quatro meses. A retirada das latas é feita mensalmente, com dia marcado, segundo Emily outras mães começaram a ir em suas respectivas datas e obtinham a mesma resposta.

Eles contam que esta nõ é a primeira vez que o problema ocorre, em fevereiro e junho do ano passado a mesma dificuldade foi encontrada. Na oportunidade, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que houve um problema no processo licitatório da compra e posteriormente, a justificativa foi de atraso na distribuição através da empresa responsável pelo produto.

Fórmula com alto custo

Comum em bebês e crianças, a APLV é uma resposta do sistema imunológico à proteína do leite. Por lei, o Estado deve fornecer mensalmente 12 latas da solução que substitui o leite até os dois anos da criança, após, se necessário, o direito é mantido através de decisão judicial.

No mercado a fórmula custa entre R$100,00 e R$280,00 a lata com 400g. Francine Xavier, 35, mãe do pequeno Davi, de três meses, não esconde a apreensão quanto à falta da composição ao filho, que utiliza uma lata de leite pelo período de três dias. "Meu filho apresenta um sangramento no intestino, como resposta ao leite de vaca, e não tem nenhum outro leite que eu possa dar para ele, o único é o Neocate. Recebo salário do comércio, nem que eu gaste todo meu salário não consigo comprar todas as latas para ele se alimentar no mês. Nós estamos rezando que chegue de uma vez, até acabar o que ele tem, e a gente não sabe o que fazer", relata.

Ana Paula Greco, 40, mãe de Helena, de seis meses, que também depende do leite especial, conta que para evitar que as crianças fiquem sem alimento, há o compartilhamento das latas entre o grupo de responsáveis por crianças com APLV. Porém, até a confirmação dessa nova remessa, poucos pais possuíam o leite em estoque, e outros receosos de dividirem e ficarem sem. "No nosso grupo a gente sempre se ajuda muito. Esses dias mesmo, nós nos mobilizamos para ajudar uma mãe, que a filha completou a idade máxima, brigava na justiça, mas ainda não tinha resposta, ela só conseguiu o leite porque todo mundo se ajudou. Porém agora, a gente fica com receio de ajudar as pessoas porque não sabemos se não vai faltar para a gente".

Informações que assustam

Até ontem as informações dadas às mães iam desde a falta de transporte até escassez de recursos para a compra do leite devido a um suposto corte de verbas do governo do Estado, que não foi confirmado. "Nenhuma autoridade, nem a farmácia, explicam porque da falta do leite para os bebês. Só que é um leite a quem tem alergia ao leite de vaca e seus derivados, para quem tem alergia a soja, a trigo, ele é o único leite que a criança que tem mais de uma alergia pode tomar, que é o caso do meu filho. É o alimento exclusivo do meu filho, assim como de outras mães dezenas de mães. Se esse leite está em falta na farmácia, está em falta o único alimento dele", desabafa Emily Moraes.

Segundo a coordenadora da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde, Caroline Hoffmann, houve um atraso na liberação dos leites especiais por parte da Secretaria Estadual de Saúde, o que causou um atraso também no envio da remessa para a coordenadoria. Ela afirmou que o Neocate chegou nesta quinta e já na sexta começa a ser distribuído aos municípios.

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