Natureza em fúria
Granizo atinge 250 casas em Arroio do Padre e 90 em Morro Redondo
Uma agricultora aposentada foi atingida por uma pedra de gelo enquanto dormia
Carlos Queiroz - Ginásio Municipal recebia evento antes do temporal
Dezesseis horas depois da queda de granizo, que assolou Arroio do Padre neste sábado (23), a agricultora aposentada Ireni Joandt Neuschrank, 65, ainda sentia palpitações. Ela foi acordada com uma pedra de gelo que atingiu sua cabeça enquanto dormia. A força da chuva de granizo foi tão forte que atravessou as telhas de brasilite e o forro de pvc. "Moro há 38 anos aqui e nunca tinha visto. Dormindo, caiu uma pedra na minha cabeça. Não sabia o que fazer, se chamava alguém, se chorava ou ria. Foi insuportável. Espero nunca mais passar por isso”.
Das 750 residências do Município, 250 foram atingidas, entre elas, a da dona Ireni, a da filha dela, Adriani Neuschrank Macedo, 47. A primeira reação da dona de casa foi tapar os móveis com as lonas que tinham e guardar os documentos. "Nós estávamos dormindo e ouvimos barulho. Foi horrível e pelo visto, vai demorar para recuperar a casa, pois seguem tempo chuvoso", observou. O local mais atingido foi o ginásio municipal que na noite anterior recebia a final do campeonato de futsal, com 600 pessoas assistindo. "A chuva começou por volta da 1h20min, ainda estavam guardando os produtos do bar, quando começou o granizo", contou o vice-prefeito Edgar Henke e coordenador da Defesa Civil.
Ainda na madrugada, o Executivo distribuiu 12 bobinas, cada uma com 100 metros de lonas para as casas, material que a cidade tinha de reserva e algumas foram compradas. E ainda assim faltou material. "Pedimos mais duas bobinas para o tenente-coronel Facin (coordenador Regional da Defesa Civil), que vai tentar nos atender", explicou o prefeito Rui Carlos Peter, (União Brasil). Se tivesse que fornecer para os galpões, precisaríamos de umas 50 bobinas. Ele conta que nunca viu nada igual. "Parece que vivemos em outro mundo. Mas estão (fenômenos naturais) tão próximos à nossa realidade", desabafou.
Ação rápida
A ajuda às famílias ainda na madrugada colaborou para que os estragos não fossem maiores. "As duas horas já estávamos na rua distribuindo lonas e, graças a Deus, ninguém precisou sair de casa", comentou Henke. A ação rápida funcionou pois na pequena cidade, dois grupos de WhatsApp usados para comunicados geral, funcionaram como sinal de alerta, e, em pouco tempo, uma corrente de pessoas começou a ajudar. Mesmo assim, os estragos não pouparam carros - quem deixou na rua teve a lataria danificada, principalmente no capô e até mesmo vidros estilhaçados -, e as lavouras. Isso porque as hortaliças e a plantação de fumo (esta última com representação de 60% da economia do município) foram bastantes danificadas. "Quando tu tem granizo e depois sol, tu tem como trabalhar. Mas a chuva não dá trégua e os prejuízo devem aumentar." De acordo com o prefeito, só pelo Poder Público, a estimativa está em torno de R$ 2 milhões, pois a próxima etapa será a compra de telhas para as famílias atingidas.
Quem perdeu móveis e eletrodomésticos foi a dona de casa Julia Graciela Nogueira, 40. Ela conta que estava dormindo quando escutou um barulho das pedras caindo. Rapidamente, assinou o grupo de mensagens e pediu ajuda. "Na madrugada as equipes da prefeitura já estavam aqui em casa colocando lonas, mas perdi colchões e alguns móveis." Na tarde de sábado, um colchão foi entregue à família Nogueira. Além das residências e do ginásio, três escolas foram danificadas. Uma delas, a escola Infantil Rio Branco, já estava sob atenção por causa das infiltrações, devido ao acumulado de chuva. A Escola de Ensino Fundamental Benjamin Constant teve o telhado bastante danificado e a escola estadual Arroio do Padre não foi possível ver as dimensões do estrago, pois está fechada.
Pedido de ajuda
Diante de um cenário devastador, o prefeito Rui Peter que iria participar da reunião com o governador do Estado, Eduardo Leite, na sede da Azonasul, para tratar do volume de chuva - acumulado do mês está em 520 milímetros -, acabou por apresentar um fato novo e que não estava previsto. Então o pedido do chefe do Executivo foi de recursos para a aquisição de telhas. “Com a permanência da chuva, as lonas não irão proteger o interior das casas, e a população está perdendo seus bens."
Pela Região
Em Morro Redondo, o granizo atingiu vários pontos da cidades e da zona rural, em locais onde o granizo foi mais forte, houve prejuízo com as estufas de morango e hortifrutigranjeiros. Mas a preocupação maior será com a cultura do pêssego. De acordo com a assessoria da Prefeitura, 90 residências foram atingidas, todas receberam lonas. O total de prejuízos deve ser divulgado na segunda-feira, quando a cidade irá decretar situação de emergência. Houve registro de estragos também em Bagé, Pinheiro Machado, Piratini, Cerrito, Turuçu e São Lourenço do Sul.
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