Desrespeito
Histórias depredadas
Vândalos têm furtado molduras que ficam no entorno das lápides em um dos cemitérios do Monte Bonito
O cemitério do Natuschi localizado no Monte Bonito tem sido alvo de furtos e depredações. Os ataques deste tipo se intensificaram nos últimos 60 dias. Na última ação dos vândalos, mais de 200 túmulos foram danificados. Causando indignação na comunidade e em familiares que possuem entes queridos sepultados no local.
Os túmulos do pai, avós e de outros membros da família de Elson Cassana, 62 anos, foram alvos dos ataques. Indignado, ele conta a surpresa que foi ao avistar as imagens de seus familiares no chão. Algumas inclusive quebradas. "Quando eu cheguei aqui [no cemitério] e vi isso, fiquei em choque. É muito triste, porque além do prejuízo, é uma falta de respeito e infelizmente não tem o que fazer", comenta Cassana. O pedreiro reclama da falta de segurança no local que não possui um vigia noturno, justamente quando os ataques ocorrem já que o cemitério fica às escuras, pois não há iluminação.
Pedro Luis Silveira, 55 anos, é zelador do cemitério e responsável pelo local. Ele conta que os problemas começaram há cerca de seis meses, mas que nos últimos dois se intensificaram. O da última segunda-feira foi um dos maiores, com cerca de 200 sepulturas depredadas. "Levam mármore, portas em alumínio e as molduras da volta das fotos. Eu trabalho aqui todos os dias e é triste ver essa falta de respeito e de consideração", relata Silveira. Ele também possui familiares sepultados no local, mas os túmulos não foram danificados.
Para o administrador da subprefeitura de Monte Bonito, Carlos Holz, 63 anos, o sentimento é de impunidade, já que não há suspeitos pelas ações. "Nós temos quatro cemitérios aqui na região e parece que o escolhido é esse aqui. A estrutura de todos é a mesma, por isso nos causa estranheza só esse cemitério ser atacado", diz Holz. Segundo ele, em torno de 1.800 pessoas estão sepultadas no local e o pedido agora é que familiares que possuam entes queridos no cemitério do Natuschi que vão ao local verificar como está a situação, se houve ou não depredação.
Segundo apuração do Diário Popular, o material retirado dos túmulos é o bronze, que em alguns casos é derretido ou vendido da forma como está para sucatas ou ferro velho. Para as famílias, além do prejuízo emocional, tem também o financeiro. Segundo o levantamento, para recolocar a imagem com a moldura o valor varia entre R$ 150,00 e R$ 200,00 cada uma. Custo que pode ser ainda maior dependendo dos detalhes e do tamanho da foto.
Busca por soluções
Segundo Holz, estão sendo estudadas possibilidades para tentar frear os ataques ao cemitério, entre elas, a colocação de iluminação e câmeras de segurança. A construção de um muro alto na parte da frente também foi cogitada, mas em seguida descartada devido a necessidade do local ficar aberto para visitação das famílias e por se tratar de um cemitério público. Além disso, o terreno seguirá com acessos laterais e na parte de trás.
Para a implantação de um sistema de segurança, serão buscados recursos públicos através da prefeitura de Pelotas, responsável pelo cemitério, mas caso não seja possível, não está descartada a hipótese de arrecadação do valor através da iniciativa privada por meio de empresários da região. O dinheiro também será usado para a colocação de pontos de iluminação. Será feito ainda um pedido de maior patrulhamento policial na região do cemitério.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Rural, Jair Seidel, não é a primeira vez que o Cemitério Natuschi sofre com ações de depredação. Assim como em outras ocasiões, a orientação é que o responsável pelo local acione as forças de segurança pública para o registro de um Boletim de Ocorrência. A partir daí, providências serão tomadas no sentido de coibir esse tipo de ação.
O comandante da Guarda Municipal, Igor Bretanha, antecipa que o patrulhamento nas proximidades será intensificado. Ele orienta que caso a população identifique situações suspeitas, que seja feita uma denúncia, de maneira oficial, à Patrulha Rural da Guarda Municipal, pelo número 153, ou para a Brigada Militar pelo telefone 190.
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