Pandemia
Internações caem, mas UTIs seguem no limite em Pelotas
Novo modelo de Distanciamento Controlado ampliará poder dos municípios, mas Paula não confirma próximos passos na cidade
Jô Folha -
Em tempos de pandemia, os dados são os responsáveis por dar um norte aos tomadores de decisão. E no caso de Pelotas, apesar de o alerta máximo com relação ao coronavírus se manter, registros oficiais apontam redução do número de contágios e de internações nos hospitais do município. Por outro lado, os leitos de UTI continuam operando no limite das possibilidades.
Nesta quarta-feira (5), em boletim divulgado às 17h, eram 138 pessoas hospitalizadas, sendo 60 em ambientes de terapia intensiva, além de cinco aguardando uma vaga. Em comparação ao dia 5 de abril, um mês atrás, são 28 internados a menos, configurando queda de cerca de 17%. Apesar de relevante, a diminuição não serve para afrouxar qualquer cuidado com a contaminação.
A média móvel de novos casos segue com pico ainda em dezembro (307). Após redução significativa em janeiro, a curva voltou a subir intensamente a partir de fevereiro, caindo no final de março e agora indicando certa estabilidade. Segundo Pedro Hallal, epidemiologista, professor da UFPel e coordenador da pesquisa Epicovid-19, a conexão é simples: menos casos, menos internações.
''As restrições implementadas pela Prefeitura, em alguns momentos, ajudaram a reduzir esses números. No entanto, como as medidas foram insuficientes, os números não baixaram para patamares ainda menores, o que seria necessário e benéfico para a saúde e para a economia local", avalia Hallal.
Novo modelo de distanciamento entrará em vigor
Diante desse cenário, o governo estadual divulgou a elaboração de um novo modelo de Distanciamento Controlado, substituindo o que está em vigor desde maio do ano passado. Nele, as prefeituras terão maior poder para tecer medidas de impacto local, baseando-se em um sistema de alertas por região.
Gestores municipais, no entanto, devem seguir restrições mínimas colocadas pelo Estado, podendo apenas torná-las mais rígidas. O presidente da Azonasul e prefeito de Canguçu, Vinicius Pegoraro, disse não ter participado da reunião desta terça envolvendo a Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs) e o governo estadual, que encaminhou novos rumos ao projeto. Um outro encontro aconteceria no final da tarde de quarta, buscando alinhavar os interesses dos municípios às mudanças.
A prefeita Paula Mascarenhas, perguntada a respeito das possibilidades para Pelotas nos próximos dias e semanas, preferiu não confirmar nenhum caminho. ''Estamos acompanhando diariamente os números e qualquer mudança que se faça necessária será debatida no Comitê de Enfrentamento ao coronavírus. Temos visto uma redução nos contágios e nas hospitalizações mas ela ainda não se verifica na ocupação de leitos de UTI e nos óbitos. Seguimos atentos'', alertou.
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