Clima
Inverno começa com pouca chuva e frio com dias contados
. Falta de precipitações desanima agricultores
Jô Folha -
A semana inicia com a chegada da estação mais fria do ano. Neste domingo (20) foi o dia de aproveitar as últimas horas de outono e nesta segunda-feira (21) de desejar boas vindas ao inverno, que permanece até o dia 22 de setembro. Segundo projeções, o primeiro mês deve ter o predomínio de frio rigoroso, entretanto, em agosto as temperaturas voltarão a subir. Já as chuvas devem ficar abaixo da média ideal para o período, o que gera preocupação aos agricultores. A época também liga o alerta para os problemas respiratórios, com seus sintomas semelhantes aos da Covid-19.
Se antigamente as estações eram bem definidas, hoje em dia a realidade anda meio diferente. Segundo o Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas (CPPMet/UFPel), as menores temperaturas do ano começaram a ser registradas já no início de junho e devem se estender ainda durante o mês de julho, quando as mínimas ficarão entre 6ºC e 11ºC em todo o Estado. Em Pelotas, as baixas temperaturas devem se manter perto dos 9ºC. Passado o primeiro mês, a estação deverá ser marcada por oscilações térmicas - dias quentes alternados com frios -, havendo possibilidade de um "veranico" em agosto, quando os termômetros devem começar a apontar números mais altos, encerrando o período gelado.
Os prognósticos para as precipitações, entretanto, não são bons. As chuvas previstas para julho devem ficar entre 125mm e 210mm no Rio Grande do Sul e uma diminuição deverá ser notada também em agosto, em uma média mensal variando entre 110mm e 180 mm. Em Pelotas não será diferente, com registros que devem ficar em torno de 140 mm. "Ressaltamos a necessidade de controle hídrico, pois as deficiências hídricas já existem em algumas regiões e poderão aumentar", alerta o pesquisador do CPPMet, Júlio Marques.
Agricultura apreensiva
A escassez de chuva desde o final do verão, o outono marcado por precipitações abaixo do esperado e as previsões nada favoráveis para o inverno ligam o alerta máximo para os agricultores, especialmente os da Zona Sul. Conforme explica o engenheiro agrônomo da Emater-Ascar de Pelotas, Rodrigo Prestes, entre as culturas importantes da estação há um destaque para as pastagens de inverno, como aveia e azevém, que servem de alimento aos animais e como planta de cobertura para as culturas de grãos que virão posteriormente. "O que preocupa é a baixa quantidade de chuvas, o que tem prejudicado principalmente estas pastagens. O agricultor estava em momento de transição, da pastagem de verão para a de inverno, então o volume de chuva desde o final do verão abaixo da media até agora tem prejudicado tanto a qualidade quanto a quantidade e a disponibilidade para as criações, com destaque aos bovinos de corte e de leite", aponta Prestes.
Ainda como maior produtora nacional de pêssego, além de possuir uma boa produção de uvas, Pelotas está vendo a projeção de frio em julho com bons olhos. "Há um índice chamado 'horas de frio', que são temperaturas abaixo de 7,2ºC diretamente ligadas à produção dessas frutíferas. Mais horas de frio correspondem a uma maior produtividade no final", explica. Ainda em fase de dormência, o pêssego tem sua colheita entre novembro e dezembro. Já a uva, é colhida entre os meses de janeiro e fevereiro. "A boa notícia é que essas culturas não são afetadas pelo baixo volume de chuva porque estão em momento de baixa evapotranspiração e baixa demanda", esclarece o agrônomo.
Cuidados com a saúde
A chegada do inverno requer também uma maior atenção para as infecções respiratórias. Conforme explica a pneumologista e responsável pelo setor Covid do Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP), Raquel Janelli, a maior parte desses quadros pode ser causada por vírus respiratórios e infecções bacterianas, caso da sinusite, amigdalite, pneumonias bacterianas, bem como resfriados comuns e síndromes gripais. "Entre os vírus mais corriqueiros, além do coronavírus, está o adenovírus, o H1N1 ou vírus Influenza e outras várias doenças por infecções que podem acometer duramente, as quais o inverno favorece nesse período", detalha.
O frio pode atuar também no agravamento de doenças pulmonares crônicas, como asma, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) - caso de enfisema e bronquite -, além de bronquiectasias. "Pessoas que têm doenças pulmonares crônicas acabam sofrendo bastante com a umidade e com o frio do inverno. O cuidado é manter as mesmas medidas que se tem para o coronavírus, além da imunização, primordial para aquelas doenças que têm vacina", afirma a médica, referindo-se às vacina antipneumocócica, da gripe e a imunização contra a Covid. "Imunizar também é um jeito de se proteger contra as doenças respiratórias", completa.
A pneumologista aponta que os maiores perigos para a disseminação de todos os vírus são a aglomeração e a falta de circulação de ar. "Com a chegada do inverno as pessoas tendem a ficar em locais mais fechados. Há uma tendência de fechar janelas e portas para que o calor não saia da casa. Isso faz com que o ar não circule", explica. A principal orientação é a periódica troca de ar, além da adoção de outras medidas importantes já conhecidas devido à pandemia: distanciamento social, uso de máscara, higienização das mãos, quando tossir ou espirrar colocar o braço à frente, usar lenço de papel para assoar o nariz e descartar em lixeira e, no caso do aparecimento de sintomas, praticar o isolamento preventivo, procurando atendimento médico para diagnóstico, seja devido à Sars-Cov-2 ou outras doenças.
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