Saúde
Javalis no foco das atenções
Audiência pública debateu os impactos da proliferação dos animais no Rio Grande do Sul
A situação da proliferação dos javalis no Rio Grande do Sul foi tema de audiência pública virtual nesta semana na Comissão de Agricultura, Pecuária, Cooperativismo e Pesca da Assembleia Legislativa gaúcha, presidida pelo deputado Adolfo Brito (PP) e proposta pelo deputado Elton Weber (PSB), junto com Edson Brum (MDB) e Zé Nunes (PT).
“A preocupação é grande. Além da invasão de propriedades e ataques aos animais, dos prejuízos para as lavouras, o javali também tem um risco sanitário’, destacou Elton Weber.
O deputado federal Ronaldo Santini (PTB/RS) falou sobre a importância de uma legislação que dê segurança jurídica para todos os envolvidos. E que preveja a caça de espécies nativas fora de controle, como a capivara, o controle de espécies invasoras, como o javali e o lebrão, e uma pena mais rígida para o tráfico de animais silvestres.
O javali é um problema do Brasil. Tem registros no Mato Grosso e em outros estados, não apenas no Rio Grande do Sul”, lembrou Fábio Rodrigues, diretor vice-presidente da Farsul. É uma praga que deve ser controlada, constata.
Risco sanitário
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do RS (Sips) e do Fundesa, Rogério Kerber, o principal risco é a proliferação de pragas. “Além da febre aftosa e da peste suína clássica, o javali pode transmitir a peste suína africana, o maior evento sanitário de todos os tempos. E outras doenças, como a de Aujeszky e a síndrome respiratória suína”.
Kerber ressaltou a importância da parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) na capacitação em “Monitoramento e Vigilância Sanitária de Suídeos Asselvajados”. Já foram 750 controladores de javalis capacitados até agora.
Entre as outras ações da Secretaria da Agricultura nesta área estão a elaboração de documento legal para a regulamentação das condições mínimas de biosseguridade em granjas comerciais de suínos no Estado do Rio Grande do Sul e a realização do diagnóstico da percepção da ocorrência de suídeos asselvajado no Estado. O diagnóstico vai auxiliar o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), na caracterização da presença destes animais no país.
Dennis Patrocínio, da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura, falou sobre a criação do Programa Estadual de Controle de Espécies Exóticas Invasoras (Invasoras/RS), criado em 2018, e que tem por objetivo conter a expansão territorial e demográfica do javali e reduzir seus impactos econômicos, sociais e ambientais. No Rio Grande do Sul, existem, além do javali, outras 125 espécies invasoras reconhecidas por lei (Portaria Sema nº 79/2013).
Os javalis foram introduzidos no Brasil na década de 1960 e reconhecidos como espécie exótica invasora através de legislação em 2013.
Desdobramentos
Entre os encaminhamentos sugeridos na audiência pública, estão a criação de um grupo de trabalho específico para tratar deste assunto formado pelas diversas entidades representativas do setor, poder público nas duas diferentes esferas e legislativo.
Participaram da reunião na Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa: Deputados, Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Famurs, Sips, Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), IFRS, Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, Sindicatos de Trabalhadores de Caxias do Sul e Santa Maria, Associação de Caçadores, Sema, Seapdr, Ibama, Mapa e Ministério Público-RS.
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