Imunização
Lactantes lutam por prioridade na vacinação
Movimento baseia-se na tese de que a amamentação é capaz de transferir anticorpos contra a Covid-19
A luta pela inserção de mulheres lactantes no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19 entrou em debate no Estado. Embora alguns municípios gaúchos já registrem tal imunização, a adesão ainda é baixa. Um movimento de mães, denominado “Lactantes pela Vacina”, ressalta a proteção por transferência de anticorpos pelo leite materno aos bebês. Estudos científicos confirmam a tese.
Com o lema “uma vacina protege dois”, o movimento começou na Bahia e logo se expandiu para outras localidades. Atualmente, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Minas Gerais já incluíram as lactantes na parcela prioritária. A adesão também conta com cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. No Rio Grande do Sul o grupo não é prioritário no Plano Estadual de Vacinação, mas alguns municípios registram a exceção, como Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Triunfo, que priorizam a aplicação da vacina da Pfizer neste grupo, conforme orientação do Ministério da Saúde.
Mãe de Valentim, de seis meses, Marina Neutzling ressalta a importância de vacinar as lactantes. “Com a amamentação podemos proteger os bebês, pois a grande maioria deles não usa máscara. Além disso, se contaminadas, as lactantes podem transmitir o vírus aos bebês. Em caso de sintomas graves, podem, inclusive, necessitar de internação e interromper a amamentação. A preocupação envolve o receio de os pequenos, se contaminados, desenvolverem sintomas graves. Como mãe, fico feliz por ver tantas outras mães se movimentando, mas triste que as mesmas ainda não tenham sido incluídas no Plano Nacional de Imunização (PNI). Estamos nessa luta coletiva por um bem maior e pela importância de proteger o ‘bem’ mais precioso, que são os nossos filhos”, aponta.
“Entendemos haver urgência no debate sobre a vacinação das lactantes, que se mostra de uma forma a minimizar os chocantes dados de mortes maternas e de crianças. Estudos vêm corroborando que o leite materno da mãe vacinada carrega anticorpos que podem proteger os bebês. Além de levar proteção a um grupo extremamente vulnerável e invisibilizado, a medida se mostra uma estratégia inteligente e eficaz para se alocar recursos públicos, pois com apenas uma vacina é possível levar anticorpos a duas ou mais pessoas, a depender de quantos filhos a mãe amamenta”, diz um trecho da nota enviada a todas as prefeituras gaúchas. Dados apontam que o Brasil é o segundo país com mais mortes registradas por Covid-19 entre crianças de zero a nove anos.
A revista científica americana “The Journal of the American Medical Association (JAMA)” publicou um estudo sobre o assunto após serem identificados anticorpos específicos (IgA e o IgG) no leite materno produzido por mulheres imunizadas. Neste mês, dois novos estudos espanhóis da iniciativa “MilkCorona” também vieram a público, analisando a presença de anticorpos em 75 mulheres lactantes.
Leis em tramitação
Atualmente dois Projetos de Lei (PLs) estão tramitando nas casas legislativas federais: o PL 1865/2021 e o PL 1315/20214, este último já aprovado no Senado e ambos com objetivo de que lactantes com filhos de até dois anos, sem comorbidades, sejam incluídas na lista de prioridades do PNI. Em âmbito estadual, as bancadas de PT e PSOL apresentaram o PL 150/2021 com o mesmo objetivo. Em Pelotas, na manhã desta quinta-feira (24), uma reunião na Câmara de Vereadores, com a presença da secretária de Saúde Roberta Paganini, debateu o assunto. Após, foi encaminhada pela vereadora Fernanda Miranda (PSOL), através da Comissão de Saúde, uma moção para a inclusão das lactantes no grupo prioritário e uma articulação juntamente à 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ªCRS).
À reportagem, Roberta Paganini comentou que entende as evidências científicas apresentadas, porém afirma que o município precisa de autorização da Secretaria Estadual da Saúde (SES) para vacinar o grupo, assim como ocorreu com outros já contemplados. Ela destaca ainda que a solicitação já foi encaminhada ao Estado.
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