Imunização

Mais de 1,3 mil pessoas deixaram de ser vacinadas na região

Anvisa faz análise em frascos do Instituto Butantan e em seringas para tentar entender o porquê do número reduzido de doses

Cerca de 14,8 mil gaúchos deixaram de ser imunizados com as doses que teriam vindo a menos nos frascos da vacina CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan. O Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Cosems-RS) já oficializou o problema ao Ministério da Saúde para que as 73 cidades que notificaram a alteração recebam remessa adicional para o combate da Covid-19. Na Zona Sul, nove municípios já relataram a situação e a estimativa é de que, pelo menos, 1.363 pessoas a mais poderiam ter sido vacinadas.

Ao invés de dez doses garantidas por frasco como previsto na bula, em vários casos, havia apenas nove. Em outros, o número era ainda mais reduzido e somente oito doses chegaram a ser extraídas. Por isso, o balanço divulgado pelo Cosems - com referência a 17 lotes - é apenas uma parcial. A tendência é de que um número maior de pessoas já poderia ter recebido a primeira dose.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve apresentar posição nos próximos dias sobre a perícia em frascos e seringas para tentar entender as razões da incompatibilidade. "Essa situação não é única e exclusiva do Rio Grande do Sul. Vários estados estão reportando este mesmo problema", afirmou o presidente do Cosems-RS, Maicon Lemos. E fez questão de defender a atuação dos profissionais de saúde. "A grande maioria dos auxiliares, técnicos e enfermeiros, com mais de uma década de experiência, não teriam desaprendido a fazer a aspiração de uma vacina".

A palavra do Butantan e o cenário na região

Em entrevistas à imprensa nos últimos dias, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, sustentou que não existiria quantidade reduzida de doses. O problema teria duas causas: a extração irregular da vacina, por imperícia dos profissionais na hora de retirá-las do frasco, ou defeito das seringas utilizadas.

A titular da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ª CRS), Caroline Hoffmann, reforçou o coro da capacitação das equipes: "O pessoal trabalha há anos com vacinação e é bem improvável que estivessem aspirando errado". A coordenadora afirmou ainda que as declarações do Instituto Butantan colocam em xeque a credibilidade do serviço realizado pelos profissionais. Por isso, é fundamental verificar detalhes no envase dos frascos, na hora da produção.

Dos 22 municípios da região, em nove as Secretarias de Saúde já relataram o problema: Jaguarão, Chuí, Arroio Grande, Santa Vitória do Palmar, Pelotas, Pinheiro Machado, Turuçu, Pedras Altas e Santana da Boa Vista.

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