Abandono
Mais de 400 jovens abandonaram aulas em Pelotas
Evasão escolar e queda no número de matrículas ligam alerta quanto aos efeitos da pandemia na educação
Leandro Lopes -
Problema recorrente no cenário educacional brasileiro, a evasão escolar tem alcançado altos números durante a pandemia. Motivações como a disparidade econômica e a consequente falta de itens básicos para a participação no ensino online, como acesso a internet, celulares ou computadores, obrigaram diversas crianças, jovens e adultos a abandonarem os estudos. Dados levantados com metade das escolas da rede municipal de Pelotas - apenas 45 das 90 responderam à pesquisa da prefeitura - mostram que 417 alunos não participam mais das atividades propostas. No mesmo sentido, números preliminares do Censo Escolar revelam que a cidade teve queda na matrícula nos níveis de pré-escola, anos iniciais do Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Com o objetivo de obter informações sobre o retorno dos estudantes às atividades, a Secretaria Municipal de Educação e Desporto (Smed) sondou as escolas com intuito de mapear as consequências causadas pelo vírus no setor educacional. Foi justamente essa pesquisa que indicou a ausência dos 417 jovens e crianças que, desde o começo da pandemia, não deram qualquer retorno à instituição onde estão matriculados. Ou seja, não participaram das tarefas em qualquer um dos modelos de ensino oferecidos - online e impresso -, e também não retornaram ao ensino híbrido.
Visando o retorno destes alunos, a prefeitura aderiu ao programa Busca Ativa Escolar, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que pretende através da parceria entre as secretarias de Educação e Desporto, de Assistência Social (SAS) e de Saúde (SMS) mapear e buscar os estudantes que estão fora da escola, bem como fortalecer redes de apoio e fomentar programas socioeducativos. "Está sendo feita uma busca para verificar a situação de cada estudante na intenção de trazê-lo de volta à escola, para que não tenha mais prejuízos além daqueles já causados pela pandemia na educação. Seguiremos trabalhando junto às redes de apoio para que consigamos resgatar as crianças de maior vulnerabilidade social, principalmente", explica a responsável pela Smed, Adriane Silveira.
Dados do Censo alertam
Dados preliminares do Censo Escolar da Educação Básica, divulgados no final do mês de setembro pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revelam outro alerta sobre o possível distanciamento dos alunos às sala de aula. Números mostram que o Rio Grande do Sul apresentou queda no número de estudantes matriculados em todos os níveis de ensino em 2021, se comparado ao ano anterior.
Os resultados iniciais da pesquisa referem-se à matrícula em instituições municipais e estaduais de ensino nos níveis infantil, fundamental, médio e EJA, e tem como base dados fornecidos pelas secretarias municipais de educação do Estado. O maior impacto revelado foi quanto às matrículas realizadas em turmas de EJA presencial. Em 2020, 66.582 jovens e adultos estavam matriculados, de acordo com o relatório final do Inep, enquanto neste ano eram 53.494, representando uma redução de 19,6%. Creche e pré-escola apresentaram uma redução de 4,2% cada, seguida pelos anos finais do Ensino Fundamental (2,4%), Ensino Médio (1,7%) e anos finais do Ensino Fundamental (1,4%).
Em Pelotas, reduções pontuais
Números locais apontam que em Pelotas as matrículas para pré-escola, anos iniciais do Ensino Fundamental e EJA apresentaram diminuição, enquanto as creches, anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio obtiveram aumento.
A queda mais acentuada foi observada na pré-escola, passando de 5.147 matrículas realizadas no ano passado, para 4.725 em 2021. Seguida pelo EJA, de 3.617 para 2.287, e anos iniciais do Ensino Fundamental, com redução de 15.444 para 15.221. Em contrapartida, embora a redução, a secretária de Educação e Desporto de Pelotas (Smed), Adriane Silveira, afirma que não há vagas sobrando para os demais anos e que o número de matrículas pode ser alterado até o final do ano letivo.
Todos os dados coletados servem de base para o repasse de recursos oriundos do governo federal e servem para acompanhar a efetividade de políticas públicas voltadas à educação. Com a publicação dos resultados preliminares, os quais referem-se às matrículas, os gestores têm até o dia 22 de outubro para retificar as informações, causando possíveis alterações nos números. O resultado final será divulgado pelo Inep em 31 de janeiro de 2022.
Dados Estaduais comparativos Censo 2020 e 2021
2020 2021 Redução
Creche 121.325 116.109 4,2%
Pré-Escola 180.264 172.607 4,2%
Ensino Fundamental (Anos Iniciais) 571.851 563.491 1,4%
Ensino Fundamental (Anos Finais) 462.259 451.130 2,4%
Ensino Médio 276.136 271.412 1,7%
EJA 66.582 53.494 19,6%
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