Restrições
Mais uma vez de portas fechadas
Desta quinta até a próxima terça Pelotas só contará com atividades essenciais; Aliança Pelotas discorda da decisão e critica a imposição das medidas
Jô Folha -
Depois dos 337 casos confirmados na última terça-feira (8) e a impossibilidade de reabrir os leitos de UTI suspensos, pelo menos por enquanto, a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) decretou o fechamento das atividades não essenciais a partir das 19h desta quinta até as 6h da próxima terça-feira, dia 15. Contudo, no meio da tarde de quarta a prefeitura anunciou a abertura de mais dez novos leitos de UTI, que começam a funcionar na segunda-feira. O boletim epidemiológico desta quarta retratou mais um recorde: 439 pessoas contaminadas nas últimas 24 horas e sete mortes. Até o momento, Pelotas soma 11.359 confirmados e 204 óbitos. Dentre os que se manifestaram contra as restrições estão os lojistas do município.
A medida foi tomada para tentar reverter o colapso na saúde e, segundo a prefeita, é necessário segurar as pessoas em casa para evitar que precisem de leitos e não encontrem. O presidente do Sindicato dos Lojistas de Pelotas (Sindilojas), Renzo Antonioli classifica o momento como de preocupação. “Fomos pegos de surpresa, e mesmo fazendo parte do comitê de crise não fomos ouvidos, apenas comunicados”, falou. Ele relata que os empresários enfrentam um ano de muitas perdas e este dezembro, mesmo não sendo como os anteriores, simbolizava uma chance de conseguir deixar o mês de janeiro equilibrado e uma esperança que o fluxo de caixa aumentasse. “É uma medida que vai prejudicar todo comerciário, mas principalmente o pequeno e o médio, podendo fazer com que muitos fechem as portas de vez”, lamentou.
Mesmo Paula explicando que as restrições são necessárias para atravessar o momento crítico, Antonioli acredita que a consequência dos quatro dias com as portas fechadas seja uma aglomeração histórica, piorando a crise sanitária. “Se a prefeitura decidiu fechar o comércio porque não há mais leitos e tivemos mais de 300 confirmados (na terça), isso quer dizer que se o cenário for o mesmo no dia 15 seguiremos de portas fechadas?”, questionou.
Em nota, a Aliança Pelotas declarou que discorda da decisão e critica a imposição das medidas, alegando que o Comitê de Enfrentamento Municipal à Pandemia, um fórum de debates com a participação de todos os agentes públicos e privados envolvidos no tema, não teve a oportunidade de participar das discussões que levaram à elaboração do decreto. “Entendemos que as medidas não vão trazer efeito suficiente no número de casos confirmados. No entanto, trarão graves consequências para a economia que vem sendo afetada em nosso município. Não há qualquer outro lugar no Estado, senão no País, que se esteja tomando medidas tão drásticas de cerceamento à atividade produtiva. Isso mostra, na conduta de outros gestores públicos, que o dito lockdown não traz os resultados esperados para solucionar a saúde, apenas agrava a situação econômica e social”, defendeu o coordenador da Aliança, Fabrício Iribarrem. (Leia o artigo completo na página 5 da edição de hoje).
Novos leitos
Sobre a ampliação dos leitos de UTI, na transmissão ao vivo feita pelas redes sociais na terça-feira, a prefeita relatou que a abertura ainda esbarrava no fechamento de equipes médicas e que esperava poder anunciar pelo menos dez novo leitos nos próximos dias. Na tarde de ontem o anúncio foi feito e informou que as novas estruturas irão funcionar na Santa Casa de Misericórdia, garantindo que o município passe a conta com um total de 30 leitos UTI Covid.
A confirmação do acréscimo nos leitos destinados a casos mais graves de pacientes Covid foi feita durante um encontro entre a prefeita de Pelotas e o provedor da Santa Casa, João Neves. Segundo a chefe do Executivo, o hospital cederá o espaço para a instalação e funcionamento dos dez novos leitos, assim como a equipe de profissionais da saúde. “Já a prefeitura será responsável pelos equipamentos que irão compor os leitos. Um kit, locado pelo município, composto por dez leitos, será instalado na área oferecida pela Santa Casa”, explicou ela.
Segundo Neves, a ampliação dos leitos se deu após profissionais que já atuam no hospital aceitarem compor a equipe médica que irá atuar na UTI Covid. “Conversamos com médicos que fazem parte do corpo clínico da Santa Casa, explicamos o momento complicado que o município está vivendo, então os profissionais resolveram “abraçar” a causa, o que garantirá uma retaguarda mais segura para o atendimento da população infectada”.
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