Pandemia

Mais uma vez, Pelotas mostra queda nos números da Covid-19

Mesmo com a redução nos casos, especialista alerta que os cuidados não podem ser flexibilizados

Depois de dois meses, Pelotas começa novamente a observar queda nos números de casos diários e de mortes por Covid-19. Em um acompanhamento feito pelo Diário Popular, a média móvel da última semana não apresentava-se tão baixa desde os primeiros sete dias de novembro. Entretanto, especialistas alertam que essa oscilação é apenas mais uma característica da pandemia e garantem que os cuidados sanitários precisam ser cumpridos.

De acordo com a professora do departamento de Medicina Social da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e membro do Comitê Covid-19 da instituição, Ana Claudia Fassa, desde o começo da crise sanitária é possível observar grandes oscilações. “Hoje conseguimos olhar para agosto e ver que o pico não foi lá”, disse. Essas variações, segundo ela, podem mudar, por exemplo, de acordo com o cumprimento dos protocolos, como o distanciamento social e a higienização frequente das mãos.

Sobre a vacinação, ela garante que essa queda não é um reflexo do início das imunizações. “Vacina não é bala de prata”, frisou a docente. Fassa ainda aponta que o resultado da campanha de vacinação só será perceptível quando grande parte da população já estiver vacinada. “Quanto mais gente imunizada, mais impactos na redução”, completou. Um ponto destacado pela professora é que este momento de queda nos números diários forma um cenário favorável para investimentos na vigilância da doença, ou seja, é mais fácil mapear e monitorar o vírus. Desse modo, o poder público estaria trabalhando para provocar a interrupção da doença. “Quanto mais casos, mais complicado de fazer o rastreamento”, apontou.

Nos gráficos criados pelo Jornal, nota-se que o pico de contaminação e mortes na cidade ocorreu na semana de 7 a 13 de dezembro. Levando em conta que o segundo turno das eleições municipais aconteceu no dia 29 de novembro, pode-se afirmar que o pior momento da pandemia foi enfrentado cerca de dez dias depois do pleito. Nesse caso, a professora explica que a cidade vinha de um cenário favorável e de números estáveis - como observa-se no gráfico - e isso pode ter feito com que houvesse um relaxamento. “Temos a tendência de achar que passou, mas é ilusão. Espero que tenhamos aprendido”, alertou, reforçando o pedido para que a comunidade pense no esforço que os profissionais da linha de frente estão fazendo desde março do ano passado.

Dessa forma, Fassa resume que a queda que Pelotas começa a presenciar não passa de mais uma oscilação da pandemia, mas garante que a nova fase pode ser usada com sabedoria. “Os protocolos precisam ser mantidos, assim evitaremos novos picos e não iremos vivenciar um colapso no SUS”, falou. Além do mais, chamou atenção para as novas variantes do coronavírus que já estão presentes no país e deixou um recado: “Conscientizar para seguir reduzindo”.

Vacinas

Pelotas recebeu, na tarde desta segunda-feira (25), mais 4.850 vacinas. Dessa vez, as imunizações são as fabricadas pelo laboratório AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford. Somando com a primeira remessa, que chegou dia 19, o município já recebeu 10,5 mil imunizantes. As últimas doses serão integralmente dedicadas aos profissionais da saúde e não há data prevista para novas levas. Em Rio Grande, desembarcaram 2 mil doses. Anteriormente, o município havia recebido 2.750 imunizantes.

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