Evento
Marcha e feira dão início à programação da Semana da Consciência Negra em Pelotas
Atividades que se estendem até o próximo domingo incluem feiras, exposições, rodas de conversa e homenagens
Jô Folha - Caminhada teve como ponto de partida o Altar da Pátria na avenida Bento Gonçalves
Por Luciara Schneid
luciara.schneid@diariopopular.com.br
Os movimentos sociais que reúnem a comunidade negra de Pelotas e região estão unidos e durante a Semana da Consciência Negra 2022 de Pelotas, que iniciou neste sábado e se estende até o próximo domingo (27), dão uma mostra das ações em favor da igualdade racial, respeito e orgulho pela sua ancestralidade. Com o tema Pela nossa história e ancestralidade, a programação conta com diferentes atividades, que vão desde feiras, exposições, rodas de conversa e homenagens. Os eventos são organizados por diferentes iniciativas e têm o apoio da Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura (Secult).
Celebrado neste domingo, o 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra propõe à sociedade uma reflexão sobre as condições socioculturais e os desafios enfrentados pela população afrodescendente brasileira. Divulgado pela Secult, o programa é uma construção coletiva que une propostas de diferentes ativistas do Movimento Negro de Pelotas, instituições como a Bibliotheca Pública Pelotense e entidades como as Universidades Federal e Católica de Pelotas, escolas municipais e estaduais, conselhos municipais, entre outros parceiros, como a Câmara de Vereadores de Pelotas.
A programação teve início na manhã deste sábado com a Marcha Mestra Griô Sirley Amaro, falecida em 2020 aos 84 anos e, cuja atuação representa essa valorização da ancestralidade e respeito aos ensinamentos que os mais velhos passam aos mais jovens.. A caminhada, que contou com a participação de integrantes de diferentes movimentos sociais locais, saiu do Altar da Pátria, na avenida Bento Gonçalves e percorreu as ruas Andrade Neves, Major Cícero e Padre Anchieta, em direção à praça Coronel Pedro Osório, onde ocorreram homenagens à griô durante a Feira Artística e Cultural Sirley Amaro - Afro empreendedorismo, que ocorreu das 9h às 19h.
Outras homenagens a Sirley Amaro ocorrem nesta segunda-feira, quando uma rua do bairro Getúlio Vargas receberá o nome dela e também na quarta-feira, às 19h, quando a Câmara de Vereadores, por meio da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania, faz a entrega da medalha Mestre Batista. Na sexta-feira, às 17h, será outorgado o título de Doutora Honoris Causa à Mestre Griô, pela Universidade Federal de Pelotas, na Bibliotheca Pública Pelotense.
Feira
Na praça Coronel Pedro Osório, pelo menos 35 expositores dividiram as inúmeras bancas montadas sob a estrutura da recém realizada Feira do Livro, a grande maioria mulheres, empreendedoras sociais, artistas plásticas, com a participação de empreendedores LGBTQI+, quilombolas e outros. "É uma junção de várias organizações entre elas, a Feira de Mulheres Empreendedoras Negras e Indígenas (Femeni)", explica uma das envolvidas na organização, Luciana Custódio.
Segundo Luciana, a Femeni começou o ano passado, com o objetivo de dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pela população negra, além de se constituir em geração de renda para estas mulheres, Entre os avanços obtidos pelo afro-empreendedorismo, ela cita o recente indicativo pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sdet) de um possível espaço dentro do Mercado Municipal, um dos pleitos das empreendedoras, que visam ainda, um local também na Rodoviária. Através de parceria com o Sebrae, é realizada também a capacitação e qualificação da mão de obra, principalmente àquelas mulheres vítimas de violência, a fim de terem uma independência financeira, conta.
Segundo ela, o afro-empreendedorismo vem conquistando outros espaços para a mostra de seu trabalho, com feiras realizadas recentemente, na praça da Alfândega, no Porto, itinerante nos bairros como o Guabiroba, no Forum e Mercado Público. Ela destaca que na terça-feira (22), será realizada uma audiência sobre empreendedorismo social e os recursos do município para investimentos na mão-de-obra negra.
Expositores
As negras pintadas por Dulce Amaral, de 57 anos, conquistaram a preferência do público e são reproduzidas em guardanapos, bolsas e telas. Recentemente, ela passou também a confeccionar chaveiros com bonecas. As negras viraram a sua marca registrada, mas Dulce começou com a pintura de frutas, inspirada por guardanapo que viu na corda de uma vizinha, e vendia para os amigos, conciliando o gosto pela pintura com uma forma de reforçar a sua renda. Com o tempo foi aprimorando a técnica e tem na figura da mulher negra um excelente apelo para os seus produtos, que vendem muito bem, afirma. "Quando eu comecei tinha que comprar os sacos, clarear para tirar as letras e costurar", diz. Hoje, a matéria prima já vem pronta, é só riscar com os desenhos que ela pesquisa no Google, pintar e fazer a barra de crochê.
Para ela, o trabalho com as artesãs nas feiras, que começou há três anos, além de uma renda razoável, com ajuda na vida financeira, lhe possibilita ter uma vida social. "Sem contar que levanta a auto-estima", ressalta.
Outro trabalho bastante admirado nas feiras é o da artesã Rosana Rosa Soares, que criou os Cassanguês, que segundo ela, significa grupo de negros. Criados com materiais como filtros de café usados, jornais e revistas velhos, caixas vazias de creme dental, remédio, carteiras de cigarros e rolinhos de papel higiênico, as esculturas reproduzem movimentos de dança e luta.
Ela confecciona ainda, bonecas de pano, que denominou como Erês Doyá (Crianças de Yansã).
O trabalho da artesã pode ser encontrado todos os sábados, no Mercado das Pulgas. Estudante do curso de Licenciatura em Música, desde 2019, sua arte é também seu modo de vida, já que as aulas são durante o dia. "Me apaixonei por ela, não me vejo fazendo outra coisa", ressalta.
A feira também teve um espaço para os produtos agroecológicos e panificados de duas comunidades quilombolas, os quilombos do Algodão, da Colônia Triunfo, de Pelotas e Monjoio, de São Lourenço do Sul. Verduras, legumes e temperos produzidos de forma orgânica nas duas comunidades e os panificados podem ser encontrados aos sábados, das 8h às 14h, na feira ao lado da Biblioteca Pública, ressalta o lourenciano Jerry Quevedo.
Programação de segunda
19h30 - Ato Educativo de divulgação do Percurso Negro, com entrega de Folder
Ato de inauguração dos Nomes das Ruas do Bairro Getúlio Vargas
Pela Câmara de Vereadores na Escola CAIC - Bairro Getúlio Vargas - Diretor Alexandre Vieira
Das 9h às 12h e das 13h às 17h - Semana da Consciência Negra BPP ( Biblioteca Pública Pelotense) - Janaína Vergas, Juliano de Oxum, Eva Santos, Kitangi, Jacqueline Santos , Julio Santos, Eliana Barcelos, Helô, Juliana Flor, Francisca Jesus, Simone Fernandes, Patricia Fernandes - na Bibliotheca Pública Pelotense
9h às 17h - Museu a céu aberto: Passo dos Negros Pelotas (RS) -
Exposição de banners - Patricia F. M. Morales no Mercado Central - Pátio 4
9h às 12h e das 13h às 17h - Exposição Itinerante: "A Ancestral Força das Mulheres Negras, Presente! Nossos Passos vêm de Longe" - Las3Tramas - Artes Têxteis. Responsável: Eva Geslaine Medina dos Santos na Bibliotheca Pública Pelotense
9h às 12h e das 13h às 17h - Exposição: "Polivivências - caminhos, narrativas, oralidade de Julio dos Santos" - produtora\cientista social Jacqueline Santos e antropóloga Simone Fernandes na Bibliotheca Pública Pelotense
14h30 - 2ª edição: Roteiro cultural negro: história, vivência e escrevivências da Pelotas escondida" - Centro Cultural e Recreativo Bloco do Mapa: produção Jacqueline Dias dos
Santos\ Jose Cicero Vieira Caipu - visitação na praça Cel. Pedro Osório, Mercado e Biblioteca
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