Saúde
Momento é complicado para 30% dos lares de longa permanência
Visitas ficaram mais controladas e em alguns locais, suspensas; as medidas evitam a contaminação
Infocenter -
Desde março, as casas geriátricas de Pelotas adotaram uma nova rotina, muitas vezes sem visitas de familiares e com ainda mais cuidados para com os idosos. Tudo isso para evitar ao máximo o contágio pela Covid-19. Até então foram confirmados quatro casos de idosos contaminados pelo novo coronavírus em diferentes lares de longa permanência da cidade. Para a Vigilância Sanitária, departamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a situação está bem controlada em comparação a outras cidades.
Um decreto municipal de 19 de março, referente à pandemia, determinou que todas as 54 casas geriátricas da cidade devem criar um cronograma próprio de acessos para restringir o fluxo de visitação. A orientação não é uma obrigatoriedade e alguns dos lugares estão funcionando com o agendamento das visitas, respeitando o distanciamento social.
É o caso do lar de idosos gerenciado pelo Daniel Xavier, também enfermeiro. Por lá, as visitas de familiares são previamente agendadas e ocorrem na área externa da casa, sempre com o distanciamento devido. As chamadas de vídeo com os familiares é recurso também muito usado, principalmente para que os idosos participem de celebrações e festas em família. "Assim eles não ficam tão distantes da família. É assim que estamos vivendo, tudo virtual", conta.
Apesar das mudanças, os idosos são compreensivos com o momento, contou o proprietário. E a atenção por conta do novo coronavírus não fica de lado: no final de agosto, a casa precisou afastar uma funcionária que teve contato com uma pessoa que testou positivo para a Covid-19. "Ela não tem sintomas. Então fazemos isso tudo para prevenir, todo cuidado é pouco", lembrou o enfermeiro.
Assim como ocorre por lá, na casa geriátrica coordenada pela Patrícia Souto o cuidado também nunca é demais. Em ambos os locais, dois idosos faleceram nos últimos meses, nenhum por contaminação do novo coronavírus. Após o falecimento dos quatro, todos os demais moradores das casas passam por testagens - procedimento obrigatório e exigido pela Vigilância Sanitária.
As preocupações com o vírus são diárias e cercam a rotina. Patrícia conta que desde o início da pandemia passa por dificuldades por conta do número de membros na equipe. "Ninguém para. Duas mulheres trabalharam aqui [na casa geriátrica] algumas semanas e acabaram desistindo. O medo de se contaminar e trazer algo pra cá é muito grande, é bem complicado", ressaltou. Para ela e a outra funcionária que permanece no local, o procedimento é padrão: quando chegam ao local, entram por um caminho independente do interior da casa e trocam de roupa. A máscara e as luvas são indispensáveis.
Os vínculos afetivos entre ela e os idosos, neste momento, ficou ainda mais próximo. "Nós somos como família. Cuidamos uns dos outros todos os dias", frisou. Em nenhum dos dois locais, de acordo com as recomendações do município, novos pacientes estão sendo aceitos.
Muitos locais passam por dificuldades
Por conta de todas as mudanças exigidas, 30% dos lares de longa permanência para idosos do município passam por dificuldades, conforme o Conselho Municipal do Idoso.
Grande parte das casas passa por dificuldades financeiras por conta do aluguel, além de problemas com funcionários, como é o caso do local gerenciado pela Patrícia. Por isso, as doações são essenciais. Na última semana, o Fórum Social da Universidade Federal de Pelotas doou 20 litros de álcool gel para as entidades.
Entenda as medidas adotadas pela Vigilância Sanitária
O chefe do departamento de Vigilância Sanitária da SMS, Sidnei Louro Jorge Júnior explicou que uma série de cuidados especiais passaram a ser tomados com as casas geriátricas por conta dos muitos surtos de infecção da Covid-19 - a contaminação de mais de duas pessoas, nestes locais, já configura um surto. Até o final de agosto, quatro infecções ocorreram em quatro casas distintas. Para o setor, o número representa um bom resultado das ações.
Desde março, o setor entrega as normas técnicas dos órgãos competentes que cada local precisa seguir, conforme a publicação de cada uma. Além disso, um grupo de WhatsApp reúne responsáveis da Vigilância Sanitária de cada uma das casas de longa permanência, para facilitar a comunicação e as orientações.
Uma orientação que atualmente é seguida por todas as 54 casas é a existência de um quarto isolado do restante dos cômodos. "Assim que qualquer sintoma, mesmo que não seja de Covid-19, começa a ser percebido a orientação é isolar a pessoa", explicou Sidnei. A verificação dos sinais vitais, pressão arterial e outros sintomas precisa ser monitorada constantemente.
Em caso de óbito, o local precisa informar a Vigilância, que faz a coleta do material para testagem. Caso não ocorra em horário comercial, a ligação pode ser feita ao Samu, que também está orientado a seguir os mesmos procedimentos.
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