Inadimplência
Motoristas devem R$ 4 milhões ao estacionamento rotativo
Aumenta o número de pessoas que estacionam na Zona Azul e não pagam as taxas
Carlos Queiroz -
Em comparação ao último ano, o número de pessoas que estacionaram seus carros na Zona Azul e não pagaram pelas taxas mais que dobrou. Por mês, o número cresceu de cerca de 600 para 1,2 mil emissões de aviso de irregularidades - número que apresenta crescimento a cada semana. Com isso, a queda nos lucros da Mobilicidade, empresa responsável pelo serviço, é de 40%.
A utilização do serviço sem o pagamento é preocupante e para o representante da empresa, Vitor Barboza, um desrespeito. "Se a pessoa não paga, estamos gerando Receita Pública que não é paga", frisa. O estacionamento rotativo passou a funcionar em Pelotas em 2013 e desde lá o número de tickets de aviso de irregularidade era uma frequente. Ao todo, esses valores não pagos somam cerca de R$ 4 milhões desde o ano de lançamento do serviço.
Ainda segundo Barboza, apesar do fluxo de pessoas e veículos no Centro da cidade ter aumentado em relação aos últimos meses, parcela da população ainda não retornou às atividades, enquanto outros não estão pagando pelo serviço. O número de tickets de uso emitidos também caiu: no último ano, os registros mensais eram de nove mil ao dia, diminuição que hoje chega a seis mil.
Após os meses de forte isolamento social na cidade, em decorrência da pandemia da Covid-19, a retomada ainda é lenta e a situação financeira é sinônimo de preocupação. "Embora os números estejam crescendo, hoje a empresa trabalha para manter seus funcionários e o sistema. A nossa maior preocupação é com a manutenção futura", explica o representante.
Outro fator que diminui a arrecadação é a diminuição de vagas de estacionamento, por conta de obras e revitalizações urbanas - um dos exemplos é a obra da Marechal Floriano. Até então, a negociação com a prefeitura era de que todas as vagas retiradas voltariam a ativa em agosto, o que não ocorreu.
Uma reunião no último dia 23 entre a Mobilicidade e a Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito apontou como encaminhamento que o retorno das vagas pode ocorrer no próximo ano, em janeiro.
BikePel analisa formas de atingir novos públicos
Serviço coordenado pela mesma empresa, atualmente o BikePel está trabalhando para arrecadar novos públicos. Desde março, o número seguiu em queda e os piores meses foram abril e maio; a pandemia representou um grande baque para o sistema. Em quase um ano a perda de usuários ativos foi de mais de 1 mil - o ápice de ciclistas foi de 1,2 mil, número que atualmente chega a 200.
Nas últimas semanas, no entanto, números positivos voltaram a aparecer. Após a mudança de bandeira de vermelha para amarela no Mapa de Distanciamento Controlado no Governo do Rio Grande do Sul, a movimentação de usuários aos finais de semana cresceu - número que aponta a fuga de muitas pessoas do isolamento social que evita a propagação da Covid-19. Em um final de semana, por exemplo, 300 viagens foram realizadas, quantidade semelhante ao registrado em dias úteis no último ano.
A ideia agora é voltar o serviço e as estações de retirada e devolução das bikes para o público atualmente ativo. "Com base na movimentação dos usuários, percebemos outro público, bem diferente daquele de quando iniciamos o serviço. Esse público utiliza mais o serviço no dia a dia, dos bairros em direção ao Centro e vice-versa, e para o lazer aos finais de semana", explica o representante, Vitor Barboza.
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