Dia do professor

Multiolhares dentro de uma sala de aula

Professores têm atenção redobrada ao comportamento e aprendizado dos alunos durante a pandemia

A pandemia da Covid-19 mudou rotinas, cenários e segue exigindo readaptações constantes. Mas é dentro da sala de aula que o gradual retorno vem mostrando as consequências e o impacto do coronavírus na educação, desafiando professores a aumentarem a atenção, já preexistente, a cada aluno, acentuando ainda mais o importante papel desses profissionais.

Analisar possíveis deficiências intelectuais, como autismo e Transtorno do Deficit de Atenção (TDA), habilidades comportamentais e desenvolvimento já era uma prática daqueles que também ensinam e trazem conhecimento a crianças e adolescentes. Segundo dados da Secretaria Municipal de Educação e Desporto (Smed), atualmente em torno de 500 alunos são atendidos no Atendimento Educacional Especializado (AEE), após um olhar cuidadoso e individual do professor para o aluno. "[Eles] são avaliados pedagogicamente na sala de recursos, inseridos no atendimento e aguardam avaliação clínica", explica a responsável pela pasta, Adriane Silveira.

A Smed informou que hoje quase 1,5 mil alunos da rede municipal recebem AEE. Destes, 65 são da Educação Infantil, 665 estão nos anos iniciais, 618 nos anos finais e 27 estão no Ensino Médio, além de 75 estudantes que integram a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Desse total, 31 alunos estudam na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) João da Silva Silveira, cerca de 10% da totalidade de crianças que têm aula no local.

Para superar barreiras e promover um ensino de qualidade, o trabalho por lá é feito em equipe. O que, para a diretora Lucelia Pereira, é o que faz a diferença. "Estamos firmes, temos uma equipe boa." Quem compartilha da mesma opinião é o professor do laboratório de informática da escola, Ricardo Moreira. Ele conta que, em 2019, a professora e colega Clarice Pires dos Santos pediu uma sugestão de como utilizar a internet como facilitadora da aprendizagem, na época, para duas alunas com deficiência.

"[As meninas] estão na escola desde o início da vida escolar, chegaram na escola sem diagnóstico, o que é muito comum. Na escola temos o atendimento da sala de AEE e sempre que a professora percebe que a criança tem dificuldades, encaminha para este atendimento que faz a avaliação inicial", diz Moreira. Ele acrescenta que, dependendo da avaliação, o aluno deve ser encaminhado para diagnóstico por um profissional especializado dentro da rede de apoio, coordenada pela Smed.

Aulas adaptadas

A partir do pedido da colega, o professor iniciou a busca por esse auxílio tecnológico. "Eu sugeri o uso da plataforma Google Classroom, organizei tudo, fizemos formação para os professores das turmas onde as alunas estavam inseridas e eles passaram a postar as aulas adaptadas na plataforma", afirma o professor.

O projeto, que iniciou com dois tablets, agora pode ajudar mais oito alunos, desde a aquisição, por parte da escola, de dez dispositivos. "A escola resolveu adquirir mais tablets devido aos resultados positivos proporcionados", comemora Moreira.

"O professor é uma peça fundamental em todo o processo", argumenta a professora de Educação Infantil, Patrícia Farias. Ela detalha como é esse processo na prática: "Quando faço meu planejamento e listo meus objetivos, vou fazendo um mapeamento das dificuldades que surgem, se acho muito pertinente, fico atenta", comenta a educadora, que já identificou alunos com sintomas de alguma deficiência nos dois anos em atividades.

"A primeira forma em que o professor pode ajudar crianças com dificuldades de aprendizagem é estabelecer um vínculo com elas. A partir do momento em que o professor cria rotinas e atividades interativas com os alunos, cria-se também fortes conexões e uma figura positiva do professor. O professor tem que ser pesquisador de formas e de estratégias. Tem que ser ousado, não ter medo do erro, tentar diferentes saídas para os problemas do cotidiano. Olhar seus alunos nos olhos e conhecer cada um para melhor poder atuar", aconselha Patrícia, que descreve como "sensação de felicidade" saber que a criança terá atendimento correto e ampliação das possibilidades de desenvolvimento.

Um vínculo que pode salvar vidas

Com 40 anos de magistério, Ilda Ziemann diz que histórias vividas é o que não faltam. Mas que uma, em especial, deixa marcas na sua vida até hoje. Há quase 20 anos, identificou que duas alunas, irmãs gêmeas, estavam sofrendo violência em casa. "As meninas perderam a mãe e foram morar com o pai e a madrasta, só que seguidamente elas chegavam machucadas, aí a escola teve que intervir, passar para o Conselho Tutelar", relata.

Após passarem alguns meses em um abrigo, as gêmeas foram devolvidas à família e, consequentemente, retornaram à mesma escola. Quatro anos depois, em 2006, a mais falante das irmãs conversou com Ilda, que ocupava o cargo de diretora, e desabafou ter sofrido, novamente, maus tratos. "Chamei o Conselho, ele levou as meninas e elas foram para um abrigo, ficaram lá durante um bom período e foram adotadas por famílias separadas. Eu e a coordenadora íamos visitar no abrigo. A gente via que elas estavam bem lá, mas eu me sentia muito culpada, achava aquele local um absurdo", lembra Ilda.

Passados alguns anos, a professora encontrou a menina. A já adolescente estava bem, na faculdade de Dança e trabalhando. "Eu perguntei se ela tinha ficado chateada, com raiva de mim, por elas terem sido separadas e ela disse que não, que cada uma foi viver a sua vida, mas que elas se encontravam, tinham contato, então isso foi uma coisa que mudou a vida delas e tenho certeza que foi para melhor", analisa.

"O professor fica muito tempo em contato com as crianças e ele consegue detectar e salvar, muitas vezes, uma criança de algo muito pior que possa acontecer na vida dela, porque a gente sabe que tem muito tipo de abuso. Se eu tivesse que fazer novamente eu faria tudo como eu fiz. Quando uma criança é quieta demais, muito triste, tem que observar bem essa criança e procurar se aproximar e fazer com que ela fale o que está acontecendo, que crie confiança no professor para que consiga falar exatamente o que está acontecendo e sentindo", finaliza.

15 de outubro, Dia do Professor

Comemorado hoje no Brasil, o Dia do Professor é um feriado escolar, em alusão à data 15 de outubro de 1827, quando Dom Pedro I decretou Lei Imperial responsável pela criação da Escola de Primeiras Letras, ou Ensino Elementar no Brasil. Com o decreto, todas as cidades deveriam ter escolas de primeiro grau, bem como determinava o salário dos professores, as matérias básicas e a forma de contratação dos docentes. A celebração no dia de hoje foi oficializada nacionalmente em 1963.

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