Mercado

Na farmácia, pesquisar é o melhor remédio

Variação dos preços entre uma drogaria e outra faz a população buscar melhor preço

Paulo Rossi -

Já é natural do comportamento brasileiro a pesquisa de preços. Em tempos de crise, bater perna por um desconto é ainda mais comum. E com os remédios, não é diferente. O uso deles acaba sendo inevitável quando a situação de doença aparece e a pesquisa acaba sendo o melhor remédio para o bolso. E ela vale a pena, comprovou o Diário Popular, em consulta a seis estabelecimentos.

Este comportamento do consumidor acaba chamando a atenção das próprias drogarias. Na busca pela conquista, não é raro aparecerem ofertas de descontos enormes. Para Paula Farias, gerente de uma farmácia, em seus dez anos de experiência no mercado, ela diz ter a percepção de uma mudança no que diz respeito à fidelidade do cliente. Antes, o bom atendimento pesava na escolha, criando laços com o atendente. Agora, o preço é quem bate o martelo na hora da escolha.

Andando por Pelotas, não é raro encontrar três, quatro ou até mais farmácias de redes diferentes em um mesmo quarteirão. Na opinião da gerente, essa briga acirrada no mercado cria desafios para fidelizar o cliente e justamente os descontos são a principal carta nessa hora. As estratégias de conquista aparecem cada vez mais através de cartões, cadastros por CPF ou programas de desconto.

Nas ruas, esta tendência é percebida no comportamento do cliente. A pensionista Ana Maria da Silva costuma comprar sempre nas duas mesmas drogarias. Ainda assim, sempre dá uma olhada em outras para se certificar do preço mais barato. Já Roseane Schuster diz que a saída é pedir o máximo de descontos e aderir aos programas ofertados pelas drogarias em busca de economia.

Tipo de medicamento influencia
O coordenador do curso de Farmácia da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Elemar Maganha, explica que há três classes de medicamentos: similares, genéricos e éticos (de referência). Este último é patenteado por um único laboratório e por isso eleva o valor, sendo tabelado. Os genéricos possuem um valor mínimo, mas não máximo.

A diferença do valor entre uma drogaria e outra pode ter diversas explicações, segundo Maganha. As grandes redes costumam negociar com os laboratórios lotes grandes de uma mesma fórmula e assim obter descontos, repassando estes ao consumidor. Há também uma estratégia de mercado, de pôr um preço elevado para conquistar o consumidor oferecendo descontos. A sugestão do professor ao público na hora de ir às compras é a mesma: pesquisar, pesquisar e pesquisar.

Preço varia muito entre os mais consumidos
Baseando-se nos dados fornecidos pela Farmácia Municipal, apontando seus três medicamentos mais utilizados pela população, o Diário Popular foi às ruas pesquisar as diferenças de preços. Nas seis drogarias visitadas pela reportagem, o preço do Omeprazol 20mg com 45 comprimidos, por exemplo, chegou a variar do custo original de uma ao com desconto na outra 138,5%. Os outros medicamentos analisados foram a Fluoxetina de 20mg e o Diazepam de 10mg. Foi sempre requisitado o medicamento de valor mais baixo.

Medicamento       Valor mais alto   Valor mais baixo         Valor com desconto de fidelidade
Omeprazol 20mg       R$ 20,27           R$ 9,99                                      R$ 8,50
Fluoxetina 20mg       R$ 44,00            R$ 29,72                                    R$ 14,86
Diazepam 5mg          R$ 15,29            R$ 13,30                                    R$ 6,70

 

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