Polêmica
Nomeação de reitora da UFPel causa reações contrárias
Escolhida pelo presidente da República, Isabela Andrade era o segundo nome da lista tríplice referendada pelo Consun
Divulgação -
A nomeação como reitora da diretora do Centro de Engenharias da Universidade Federal de Pelotas (Ceng/UFPel), Isabela Andrade, não respeitou a vontade da comunidade acadêmica mostrada na consulta informal e deverá gerar, ainda na tarde de hoje, um anúncio "radical" por parte da Chapa UFPel Diversa e da atual gestão. A publicação de sua indicação ocorreu na madrugada de ontem no Diário Oficial da União (DOU). A nomeação da nova reitora significa a quebra de uma tradição por parte do presidente da República de nomear o primeiro colocado na lista tríplice eleita e referendada pelo Conselho Universitário (Consun).
A notícia repercutiu durante o dia de ontem e, através de uma nota, a atual gestão, Uma UFPel Diferente, e a chapa eleita, UFPel Diversa, manifestaram o descontentamento com a decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). "Respeitar a vontade da comunidade é um pressuposto básico da democracia. Infelizmente, num governo federal cujo líder faz apologia a torturadores, nega o racismo, é condenado por ofensas contra mulheres e prega a não vacinação da população, não é surpresa que sejamos golpeados em nossa democracia e autonomia", diz um trecho do documento. Além disso, o grupo garantiu que se reunirá com as entidades organizadoras do processo de consulta informal (Adufpel, Asufpel e DCE) para realizar uma assembleia geral da comunidade e conceder uma coletiva de imprensa. "A UFPel está em luta e fará de tudo, nos campos jurídico e político, para reverter essa vergonhosa decisão da Presidência da República", finalizou a nota.
Tanto Paulo Ferreira Júnior, que era o nome escolhido para ser nomeado, como Isabela, integraram a lista tríplice, referendada pelo Consun da UFPel no dia 19 de outubro. Em primeiro lugar ficou Paulo, que recebeu 56 votos dos conselheiros, seguido de Isabela, que obteve seis votos, e de Eraldo Pereira, com 2. Todos compunham a chapa UFPel Diversa. No Facebook, em um grupo da universidade que conta com alunos, ex-alunos, professores e servidores da instituição, o atual reitor, Pedro Hallal, fez duas postagens afirmando que a UFPel está pronta para enfrentar o que for necessário e pediu união e serenidade. Em outra, a foto de uma manifestação antiga ilustrava a frase: "O contra-ataque da UFPel será forte…Bolsonaro não manda nada aqui! Efeito rebote na veia!".
A reitora nomeada, Isabela, e Paulo Ferreira deverão se pronunciar durante a tarde de hoje.
O que disseram as entidades?
De acordo com a presidente da Adufpel, Celeste Pereira, a entidade vê com indignação o desrespeito à escolha da comunidade acadêmica. "Em que pese nosso respeito à professora nomeada, a escolha foi outra. Entendemos que o reitor eleito tem que ser nomeado", declarou. Através de uma nota de repúdio, a Asufpel demonstrou sua indignação com a nomeação da professora Isabela. "A notícia que ela foi nomeada como nova reitora da UFPel apresenta desrespeito à autonomia universitária, à democracia e uma afronta aos trabalhadores e alunos". Além disso, a Associação complementa que o candidato vencedor da consulta é Paulo Ferreira, "portanto sua nomeação como novo reitor da UFPel é imprescindível."
O DCE da instituição também não enxerga a nomeação com bons olhos. O coordenador geral, Alyson Novo, deixa explícito o posicionamento do diretório: "Reitor eleito é reitor nomeado", falou. Ele afirma que o grupo é contrário à decisão do presidente da República e está disposto a lutar para manter a prevalência da democracia e da autonomia universitária.
A reportagem entrou em contato com o Ministério da Educação (MEC) para saber qual foi o critério utilizado para a escolha do novo nome e o que acontecerá caso Isabela não aceite ocupar o cargo. Até o fechamento desta edição, no entanto, o e-mail não havia sido respondido.
Quem é Isabela?
Arquiteta formada pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel), ela possui mestrado e doutorado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). É professora na UFPel desde 2013 e, atualmente, ocupa o cargo de diretora do Ceng. Caso assuma a reitoria, Isabela se tornará a segunda mulher a gerir a UFPel. A primeira foi a professora Inguelore de Souza, de 1997 a 2000 e de 2001 a 2004. A posse está marcada para ocorrer amanhã.
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