Incômodo
O incômodo é o esgoto
Moradores da rua Uruguai, no Fragata, fizeram um documento para pedir providências ao problema que já dura décadas
Os moradores do prolongamento da rua Uruguai, no Fragata, convivem diariamente com um problema: o mau cheiro e a sujeira acumulada na frente das casas, ocasionados pelo esgoto a céu aberto. Em dias de chuva, o incômodo é ainda maior, já que o sistema de escoamento da água não dá conta do volume e o excedente acaba invadindo a rua e o pátio das residências. Mais de 20 moradores, um representante de cada imóvel, assinaram um abaixo-assinado para tentar resolver a situação.
Há mais de seis décadas morador da rua, Paulo Roberto Lima, 67, reclama que não viu nos últimos anos investimentos por parte do Poder Público para melhorar o sistema de saneamento básico da rua. "O esgoto sai na frente da casa da gente. É uma vergonha isso aqui", ressaltou. A casa que hoje ele mora com a esposa pertenceu, anos atrás, ao pai. Quando ainda era pequeno, com três anos, mudou-se para o local.
Pelo menos há mais de 20 anos, a rua é asfaltada, como lembrou Lima. A rede de esgoto, no entanto, não acompanhou a evolução. "Nós temos que arrumar sozinhos quando entope, empurrando ou puxando o esgoto com algum pedaço de pau", contou o morador. Outra forma de melhorar o mau cheiro é colocando canos de PVC para guiar o trajeto do esgoto que sai de casa.
Nas últimas semanas, os moradores organizaram um abaixo-assinado para reivindicar soluções. O documento foi entregue na prefeitura de Pelotas e assinado por 24 moradores, um representante de cada família que convive diariamente com o esgoto a céu aberto.
Sem previsão de obras
O Sanep, responsável pela rede de esgoto da cidade, pontuou que o problema do prolongamento da rua Uruguai, depende de uma solução macro, que envolve outras questões além do logradouro. Isso porque um coletor geral precisaria ser construído, atendendo a região do Fragata, envolvendo as avenidas Duque de Caxias, Imperador Dom Pedro I o Simões Lopes - onde está a rua Uruguai - e o Visconde da Graça.
A coletora é projetada numa extensão de 9,9 mil metros, capaz de atender 8,4 mil imóveis da região. Conforme explicou a diretora-presidente da autarquia, Michele Alsina, uma obra começou em dois momentos nos últimos dez anos: uma em 2010 e outra em 2014, ambas foram interrompidas por desistência da empresa responsável. Nas duas vezes, o recurso do projeto foi aprovado pelo PAC Saneamento e liberado pelo Banrisul; somente a construção da coletora, em março de 2014, estava orçada em R$ 4,3 milhões. O projeto envolvia também a construção da de uma estação de tratamento de esgoto e a segunda fase das redes de esgoto do Laranjal.
"O Sanep não tem como dar uma solução pontual para a rua Uruguai. É preciso que exista um destino pra esse efluente coletado, por isso é necessário uma solução macro que contemple todas essas mudanças", explicou a diretora.
No caso da inexistência de redes de esgoto, é obrigatório que o morador faça uma fossa de esgoto, que fica sob responsabilidade do proprietário. Atualmente, os moradores da rua utilizam um sistema de fossa e sumidouro no qual ocorre a infiltração no solo, explicou Michele. Depois das duas desistências de empresas, não há previsão por parte do Sanep de abertura de uma nova licitação.
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