Agronegócio
O pêssego está chegando
Emater/RS estima que colheita deva chegar a 38 mil toneladas
Carlos Queiroz -
Igual ou ainda um pouco melhor. A tendência é essa do pêssego na região em 2020, de acordo com a Emater/RS. Ainda que não haja definição sobre a realização de uma festa municipal tendo a fruta como protagonista, o trabalho nas fábricas já estão em andamento para que tudo saia dentro do planejado em dezembro, quando se inicia a colheita.
Em 2019, foram produzidas 35 mil toneladas de pêssego na região. Para esse ano, a estimativa da Emater/RS é de 38 mil, podendo chegar a 40 mil toneladas ofertadas para as agroindústrias locais. Os motivos para novamente não haver safra cheia - 60 toneladas - foram os frios e geadas intensas na floração e frutificação, além de temperaturas mais altas durante a floração de algumas cultivares, com consequências no pagamento dos frutos. "Não havendo polinização, não há frutificação", explica o engenheiro agrícola do órgão, Evair Ehlert.
Em relação aos preços dos derivados para o consumidor, o técnico salienta que existe uma estabilidade nos últimos anos, mas ela deve ser afetada em 2020 por conta de um aumento nos valores da matéria-prima e de outros custos de produção. "Para a produção da fruta nas propriedades rurais, é necessário que os preços minimamente remunerem os produtores, para permanecerem na atividade e darem sustentabilidade permitindo a sucessão nos negócios familiares", frisa Ehlert.
Atualmente, a safra de pêssegos tipo indústria na região de Pelotas está em 4.962 hectares envolvendo 953 produtores, correspondendo a 99% da área e da produção gaúcha da fruta. Das 22 cidades do Estado que trabalham a fruta, sete estão na Zona Sul: Pelotas, Canguçu, Morro Redondo, Piratini, Cerrito, Jaguarão e São Lourenço do Sul. A estimativa é que o setor faça circular por volta de R$ 600 milhões na região, sendo boa parte oriunda de fora da região através da comercialização em todo o Brasil e exportações.
Aos produtores, está garantido o preço mínimo para o tipo I (calibres maiores que 57mm) de R$ 1,50 o quilo e para o tipo II ( calibres entre 53-57 mm) valor de R$ 1,30. "Cada produtor de pêssegos, de acordo com sua produção, a sanidade e qualidade das frutas, pode e deve conseguir preços superiores a estes", enfatiza Ehler.
Trabalho
De acordo com o coordenador do Sine Pelotas, Glauber Bürkle, costumam ser cem as vagas relacionadas à safra e indústria do pêssego em Pelotas e região. Ele ressalta que, para 2020, elas já se encontram totalmente preenchidas. Costuma ser dessa forma, na verdade: os trabalhadores de um ano quase sempre retornam para as empresas no período seguinte. "As pessoas normalmente trabalham em outro ramo nos outros meses e já contam com esse serviço no fim do ano", comenta.
Evair Ehler lembra que, por conta das exigências sanitárias para funcionamento durante a pandemia do coronavírus, obrigando estratégias de distanciamento, mais turnos e mais horas, que resultarão em mais tempo de trabalho nas agroindústrias, é possível que mais contratações se façam necessárias.
Outras safras
Os alertas de estiagem preocupam todos os setores e com o campo então, mais ainda. O menos impactado, adianta Evair Ehler, é o do arroz irrigado, que deve manter os preços na safra 2020/2021. Tendo água garantida, outro setor que pode apresentar bons resultados é o das hortaliças, embora seja muito impactado pela variação dos preços. Na opinião do engenheiro agrícola da Emater/RS, um provável destaque positivo, em termos de remuneração aos produtores, deverá ser a silvicultura, assim como toda a pecuária de corte.
Expectativa
Produção: entre 38 e 40 toneladas
Circulação financeira: R$ 600 milhões
Preço ao consumidor: aumento em relação aos anos anteriores
Trabalho: aumento em virtude da pandemia
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