Pandemia

O poder da vacina para barrar o coronavírus

Com apoio do epidemiologista Pedro Hallal, DP traz respostas a dez dúvidas sobre a vacinação, grande aliada para evitar casos graves da Covid-19

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A morte de mais um morador da Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) em que foi constatado surto de Covid-19, em Pelotas, faz disparar o alerta: a pandemia está longe do fim. Até agora são 11 óbitos confirmados de um total de 62 pessoas que viviam no local. Outros 26 idosos ainda permaneciam hospitalizados até a tarde desta quinta-feira (18). A Secretaria de Saúde não divulga informações sobre o detalhamento do quadro clínico dos pacientes.

O cenário, entretanto, reforça a importância da vacinação. Sabe-se que um dos aspectos mais importantes de imunizar a população é, justamente, reduzir a gravidade dos casos. Na edição de hoje, com a ajuda do epidemiologista Pedro Hallal, o Diário Popular responde a dez perguntas sobre a vacinação. Uma das grandes esperanças para conter o coronavírus, que já abreviou mais de 242 mil vidas no país.

1) As vacinas aplicadas no Brasil são seguras?

Todos os imunizantes aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária são seguros. A Anvisa avalia a segurança e a eficácia das vacinas. Até o momento, duas tiveram aprovação: a AstraZeneca/Oxford, da Fiocruz, e a Coronavac, do Instituto Butantan.

2) Quem está imunizado pode contrair o novo coronavírus?

De forma simples, entendemos que a vacina serve para a prevenção. Ou seja, ela estimula nosso organismo a desenvolver uma defesa para que, se tivermos contato com o vírus, nossa imunidade esteja apta a destruir esse agente antes que ele infecte nossas células, órgãos e desenvolva a doença. Mas, sim, as pessoas vacinadas podem contrair o coronavírus

3) Quem foi vacinado pode transmitir o vírus?

A pessoa vacinada, em princípio, não desenvolve a doença por estar protegida, mas pode transmitir para outras pessoas.

4) As vacinas atuais são eficazes para combater estas novas variantes do vírus?

Ainda que os imunizantes sejam eficazes para reduzir o número de mortes e de pacientes internados - que é justamente o maior benefício das vacinas -, o grande desafio da Ciência em 2021 será acompanhar e combater as mutações do coronavírus. Estudos preliminares sobre a eficácia das vacinas para essas variantes estão sendo conduzidos e tais respostas estarão disponíveis em poucas semanas.

5) Qual intervalo deve ser respeitado entre a 1ª e a 2ª doses?

Depende da vacina. No caso da vacina do Butantan (Coronavac), o recomendado é entre 2 e 4 semanas entre a primeira e a segunda doses. No caso da vacina da Fiocruz (AstraZeneca), o recomendado é de 12 semanas entre a primeira e a segunda doses.

6) Qual tempo demora para a vacina ser efetiva?

Se fala, em média, em 2 semanas (após a 2ª dose) para criar anticorpos, capazes de barrar a entrada do vírus nas células. Mas essa resposta pode variar de pessoa para pessoa.

7) Quanto tempo dura a efetividade da vacina?

É difícil dizer por quanto tempo a imunidade da vacina pode durar porque acabamos de começar a vacinação. Mas, se levarmos em conta o que se tem estudado sobre a imunidade do vírus em quem já teve a doença, podemos pensar em 6 a 12 meses. A duração da imunidade também tem as novas variantes do coronavírus, que podem aprender a "driblar" o sistema imune de algumas pessoas, permitindo que sejam reinfectadas pela Covid-19.

8) Todas as vacinas produzidas, em diferentes países, dependem de duas doses e são efetivas por igual período?

Não. A vacina da Jansen, por exemplo, é de dose única. Quanto ao período de efetividade, ainda temos muitas incertezas, mas, hoje, pensamos em 6 a 12 meses, independentemente da vacina.

9) Qual índice mínimo da população precisa estar imunizado para barrar a circulação do vírus?

De 60 a 70% da população deveria estar imunizada para administrar a circulação do vírus, criando um "escudo" de proteção populacional contra a circulação do vírus.

10) Quais cuidados devem ser adotados mesmo por quem já recebeu a vacina?

Exatamente os mesmos cuidados de antes da vacinação devem ser mantidos. Temos que entender que poucas pessoas estão sendo imunizadas neste primeiro momento. Álcool gel, máscara, distanciamento de 2 metros e evitar aglomeração seguem imprescindíveis.

 

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