Pedido de ajuda
O sonho do diploma passa pelo apoio para viver em Pelotas
Jovem cria vaquinha virtual para arrecadar dinheiro necessário para estudar Medicina na UFPel
Divulgação -
“Desistir, nunca. Foram cinco anos lutando para passar, agora é só persistir. Lutar, lutar, lutar e quando estiver no final, lutar mais.” Esse é o pensamento que guia Luiz Henrique de Souza. Morador de Poá, no interior de São Paulo, o estudante de 24 anos conseguiu no ano passado, após muita persistência, ser aprovado e iniciar a tão sonhada graduação em Medicina pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). No entanto, junto com a alegria pela oportunidade surgiu também um novo obstáculo: como manter-se na cidade?
Embora já tenha iniciado o curso com atividades remotas, fazendo as atividades direto da casa na cidade paulista, a possibilidade de retorno das atividades presenciais trará a necessidade de estar em Pelotas. O que requer recursos financeiros. Souza explica que mesmo com acesso aos auxílios de moradia e alimentação existentes na universidade, ainda faltariam mensalmente cerca R$ 300,00 para gastos com higiene, materiais para estudos e alimentação aos finais de semana. Valor considerado inviável de ser custeado pela família humilde, cuja renda é aposentaria dos avós como única fonte para manter cinco pessoas.
Com o intuito de buscar ajuda para não parar aos estudos, Souza criou uma vaquinha virtual. A meta estabelecida é modesta: de R$ 1.200. Quantia calculada por ele como o mínimo necessário para arcar com as despesas até o final do ano. Até o momento, já foram arrecadados R$ 300,00, o que surpreendeu o estudante. “Fiquei muito feliz, ainda mais porque estamos no meio de uma pandemia e a pessoas estão sem dinheiro. Foi uma surpresa abrir o site e ver esse valor”, comenta. Caso não consiga alcançar a quantia desejada, o jovem tentará o montante através da venda de um livro que ele está escrevendo atualmente e deve ser finalizado em dentro de um mês.
Escolha da universidade
Quando questionado o motivo por ter escolhido a UFPel, mesmo morando em São Paulo, o jovem explica a inclusão e acessibilidade da instituição pesaram. Diagnosticado com autismo aos 15 anos, Souza conta que boa parte de sua vida não teve acesso a muitos locais e por isso, quando chegou o momento da graduação, prezou pela escolha de uma universidade que tivesse isso em sua estrutura. Segundo ele, embora tenha feito uma busca inicial em instituições de ensino superior de São Paulo, aquelas que tinham os requisitos de acessibilidade que buscava não possuíam relatos positivos. “Escolhi a UFPel pois prezei pela inclusão e a qualidade, pois é mais difícil para os autistas se manterem em locais que não se sentem confortáveis”, relata.
Ao saber que finalmente havia conseguido ingressar na universidade, a felicidade compensou o esforço dos últimos cinco anos. Ativista pela luta das pessoas com autismo, o estudante lembra que até pouco tempo existiam muitas barreiras aos autistas. Com sua conquista, Souza quer ser inspiração. “Uma vez o psiquiatra me disse que eu poderia fazer tudo o que eu quiser e é nisso que acredito. A gente pode, desde que haja amor, carinho, compreensão e foco”, finaliza.
Aulas presenciais em análise
De acordo com a UFPel, está sendo avaliada uma indicação para o retorno de determinadas atividades práticas a partir do final de setembro. No entanto, a definição depende da evolução da pandemia. Sobre o curso de Medicina, a universidade afirma que a maior parte das aulas práticas a partir do quarto semestre estão sendo realizadas. Já as disciplinas básicas, dos semestres iniciais, são mantidas em modo remoto.
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