Sonho realizado

O sonho mais alto do mundo

Morador de Pelotas, canguçuense Evadison Braga realizou o sonho de chegar até o monte Everest, no Nepal

Muitas vezes em nosso cotidiano é dito que precisamos sonhar alto e ir em busca dos nossos objetivos. No caso do canguçuense Evadison Braga, de 52 anos, esta máxima não é apenas uma metáfora. No começo deste mês, ele iniciou uma jornada que culminaria na chegada até a montanha mais alta do mundo: o monte Everest, que fica na Cordilheira do Himalaia, no Nepal. Depois de 12 dias de viagem, vestindo botas e bombacha, e acompanhado do chimarrão, ele alcançou, no decorrer da semana passada, o Acampamento Base Sul do Everest, situado a uma altitude de 5.364 metros acima do nível do mar.

A ida ao Everest iniciou-se como um sonho. Um sonho que começou a ganhar contornos de realidade a partir do convite da médica Karina Oliani e do guia de montanha Maximo Kausch, dois profissionais especializados no trajeto. Braga conta que leva entre seus princípios de vida a ideia de fazer coisas diferentes, que permitam conhecer e viver realidades distintas, e que isso fez com que ele aceitasse a proposta. “Ao me deparar com a possibilidade, fiquei entusiasmado. A princípio, a maioria não acreditou, mas, aos poucos, essa ida foi se tornando realidade. Minha família, mesmo admirada com a situação, sempre me apoiou”, conta.


O trajeto até o Nepal iniciou com uma viagem de Pelotas até Porto Alegre. Da capital gaúcha, houve o deslocamento para São Paulo, onde ele pegou voo até o Catar. Partindo de lá, Braga foi para Kathmandu, capital do Nepal, e depois para Lukla, município situado na região Noroeste do país, a 2.860 metros acima do nível do mar. Todas estas viagens foram realizadas de avião. De Lukla até o acampamento base do Everest, no entanto, o caminho foi vencido a pé. Sobre a experiência de percorrer o trajeto, Braga conta que é uma das maiores realizações de sua vida. “Eu quero sempre em toda minha vida fazer coisas que eu possa contribuir para que outros despertem para uma vida que valha a pena. Esse caminho até o Everest foi uma experiência fabulosa, envolvendo disciplina, coragem, superação dos meus próprios limites físicos e psicológicos. Uma certeza que podemos ser e fazer o que quisermos”, destaca. Fazendo referência ao pensador Sean Wilhelm, ele ainda pontua que “o universo é do tamanho do seu mundo, e seu mundo é do tamanho dos seus sonhos. Quem sonha pequeno se acorrenta a um universo minúsculo, em que não cabe nada além de sonhos”.

Desafios

Para poder realizar a viagem, o canguçuense iniciou uma rotina intensa de treinamentos físicos. Segundo ele, foram 40 dias de preparação física sob os cuidados do personal Felipe Candia para desenvolver melhor a questão respiratória. Toda esta preocupação com a parte física é fruto de um dos maiores desafios que ele enfrentou na realização deste sonho: a altitude. “Lidar com a altitude é muito difícil. Precisei aprender a sincronizar a respiração com o movimento para poder suportar a distância e, principalmente, a diferença de altitude de um lugar para outro”. A altitude foi a principal dificuldade, mas outro aspecto da natureza também ofereceu adversidades. Em seu diário de bordo nas redes sociais, ele exibe vídeos caminhando sob grandes camadas de gelo. “Precisei me adaptar a esta caminhada no gelo, mas foi uma dificuldade que superamos graças ao companheirismo de nosso grupo”, aponta.

Apoio da família

Casado, Braga é pai de duas filhas, Natália, de 18 anos, e Milena, de 16. A caçula conta que recebeu com surpresa a notícia de que o pai iria até o Everest. Segundo ela, ele é um homem que faz muitas brincadeiras e, por isso, teve dúvidas sobre a veracidade da ida. “Estávamos sentados tomando mate e ele olhando o feed do Instagram, quando viu uma propaganda de viagem ao Everest, virou pra mim e disse: ‘vou pro Everest’. Ffiquei totalmente sem reação”, conta Milena. Natália diz que o pai sempre teve esse espírito aventureiro e que achou incrível a ideia de escalar o Everest. “Como é bom ter um pai corajoso e que me ensina muito sobre coragem na minha própria vida também. É muito lindo ver que ele está superando seus limites, sendo resiliente e corajoso. Ele mostra que nossos sonhos não são bobagem e que podemos sempre acreditar neles”, afirma. Com saudades do pai, as duas contam que o acompanham diariamente pelo Instagram (@evadison.braga) e que as poucas dificuldades de comunicação acontecem em decorrência do fuso-horário e da oscilação do sinal de internet no local. “Sempre que ele pode, manda mensagens, fotos e vídeos”, conta Milena.

De volta para casa

Após a chegada ao Acampamento Base Sul no último dia 12, e as tentativas frustradas de retorno devido ao avanço da Covid-19, Evadison finalmente conseguiu, por meio da embaixada brasileira, um voo pra deixar o Nepal. Ele parte de lá, rumo a Pelotas, na próxima terça-feira.

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