Desenvolvimento urbano

Os efeitos da expansão da cidade

Na última década, só entre as faixas 1,5 e 2 do Minha Casa, Minha Vida, 16,1 mil unidades habitacionais passaram a ser construídas em Pelotas

A imagem aérea do loteamento Dunas, no bairro Areal, serve de síntese da expansão imobiliária da cidade. Contabilizadas só as construções do programa Minha Casa, Minha Vida - faixas 1,5 e 2 -, mais de 16,1 mil unidades começaram a sair do papel nos últimos dez anos, em Pelotas. Dados do Sinduscon indicam: desse total, 56% já foram entregues.

À medida que os residenciais surgem, desponta também a necessidade por infraestrutura. Não apenas para os novos moradores. Quem já vive nos locais que ganham novos empreendimentos, não raro, passa a encarar os reflexos do aumento da vizinhança. Se as fichas distribuídas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e os horários dos ônibus já eram insuficientes, por exemplo, com o número de habitantes maior, os serviços tendem a perder ainda mais qualidade.

Em alguns casos, a expectativa é exatamente o oposto. A comunidade aposta na chegada de novos moradores para, justamente, a localidade entrar na mira de investimentos aguardados há anos. Saneamento básico, pavimentação e iluminação também integram a lista de demandas identificadas pelo Diário Popular, em um giro pela cidade.

Loteamento Dunas é uma das áreas em crescimento

Há três anos e oito meses, Sílvia Chagas, 52, não ouve reivindicações apenas sobre melhorias no Residencial Acácia, no loteamento Dunas, onde é síndica. Ao precisarem de atendimento médico, vez por outra, os moradores se queixam da distância. "Eles falam que tem uma divisão por área, mas não tem uma explicação lógica", afirma.

"Creio que eles têm que se enquadrar. Tem apartamentos que foram feitos há pouco tempo e não tem como o pessoal ficar procurando o atendimento distante", reforça. O ideal seria o acolhimento na UBS da Bom Jesus, sugere, mas o encaminhamento é feito à UBS Salgado Filho. Difícil para quem é cadeirante; pontua como porta-voz da comunidade.

Para quem faz uso do transporte coletivo, as queixas também são comuns. Já gerou inclusive abaixo-assinado, conta a moradora da rua 9, Patrícia Dias Marques, 35. "Precisaria ter mais horários", cobra. Balconista, na Zona do Porto, o uso de ônibus faz parte da rotina. "E acho que agora, durante a pandemia, até piorou. Tá mais lotado", afirma e preocupa-se. E, claro, espera por melhorias.

Expansão também na Guabiroba

A auxiliar de farmácia Caroline Bitencourt da Silva, 32, mora há pouco no local: desde que inaugurou o condomínio Lucca, há cerca de nove meses. Já é o suficiente para começar a mapear a estrutura dos serviços: "De escola, acho que estamos bem servidos. Já os ônibus passam com pouca frequência", destaca, ao engrossar o coro por mais horários na circulação das linhas. Afinal, só ali, são 360 apartamentos novos. E já há outros por sair do papel.

No outro extremo está o pedreiro João Carlos Barcelos, 60, que vive há cerca de três décadas no entorno das ruas Carlos Giacoboni e Francisco Ribas. E com a experiência de quem viu e enfrentou os velhos alagamentos, construiu a residência a aproximadamente 90 centímetros acima do nível da rua. "Fizeram uma obra e deu uma melhorada boa", destaca. "Antes ficava um panelão, que o pessoal nem conseguia passar pela Giacoboni", conta. "Ficava uma água com uma correnteza danada".

Agora, quando ocorrem chuvas mais intensas, também inunda, mas logo escoa bem - garante. Uma correção que traz efeitos positivos para novos e antigos habitantes.

Esperança que, na carona, venham os investimentos

O ritmo das obras é acelerado. E são várias torres de apartamentos surgindo, no prolongamento da avenida Bento Gonçalves. Para quem se criou por ali, a expectativa é de que a limpeza do canal seja regra. "Principalmente em dia de sol, o cheiro é muito ruim. E às vezes tem bastante mosquito", enfatiza a jovem Maria Eduarda Cardoso, 22. E admite: torce para os novos empreendimentos valorizarem o imóvel da família. E, quem sabe, provocarem a canalização do Pepino.

Programa Minha Casa, Minha Vida - Faixas 1,5 e 2 (*)

- Em dez anos:
* Total de unidades, em Pelotas: 16.148
- 9.067 já entregues: 3.483 casas e 5.584 apartamentos
- 7.081 em obras e/ou vendas

* Total de empreendimentos: 93 - 60 já entregues
O ano de 2016 foi o que concentrou o maior número de residenciais lançados: 13

* Divisão por bairros:
- Fragata: 44
- Três Vendas: 21
- Areal: 20
- Centro: 8

(*) Fonte: Sinduscon - Pelotas

A palavra da prefeitura

Reuniões realizadas todas as terças-feiras de manhã pela Secretaria de Ações da Cidade (SAC) - que reúne representantes do Sanep e de oito secretarias municipais - têm sido uma das principais ferramentas para decidir quais serão as prioridades para atender às demandas da população, em decorrência do desenvolvimento urbano. Os projetos dos residenciais dependem de aprovação e o estudo é complexo - argumenta o coordenador da SAC e secretário de Transporte e Trânsito, Flávio Al-Alam.

As regras estão todas no Plano Diretor de Pelotas. E quando a proposta de construção chega à Secretaria de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana faz disparar uma série de avaliações. Conforme o tamanho do empreendimento são imprescindíveis estudo de impacto de trânsito e/ou de vizinhança. "Pode haver a determinação de medidas mitigatórias, que é exatamente mitigar o que esse empreendimento pode atingir no ambiente externo onde ele vai se instalar".

E, claro, conforme o porte da construção e do número de moradores, não raro, o próprio residencial tem de se responsabilizar por investimentos para garantir acesso a serviços básicos, como água e esgoto, por exemplo. Do contrário, sem as redes ampliadas, não só os novos habitantes sairiam prejudicados, como os antigos passariam a ter problemas no abastecimento.

O mesmo vale para necessidade de investimentos em escolas e UBSs, por exemplo. O empresário deverá adequar-se aos percentuais, estabelecidos no Plano Diretor, para destinar a areas verdes e institucionais; para obras executadas pela prefeitura no futuro. "Isso não é um facultativo. É uma obrigação dos empreendimentos", reforça Al-Alam.

Os canais para apresentar reivindicações:

- Ouvidoria: 156
- WhatsPel: (53) 99122-8701
- Instagram (inbox): www.instagram.com/prefeituradepelotas/
- Facebook (inbox): www.facebook.com/prefeituradepelotas

 

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