Vacina
Os últimos da fila também serão vacinados
Campanha de imunização de idosos com 85 anos ou mais segue nesta sexta e terá drive-thru no sábado
Assim como já havia acontecido na quarta-feira, o segundo dia de vacinação contra Covid-19 de idosos com 85 anos ou mais gerou muitas filas nas sete Unidades Básicas de Saúde (UBS) habilitadas para a imunização. Mas diferentemente do primeiro dia, nesta quinta-feira (11) as UBSs distribuíram fichas e, assim, as aglomerações ficaram mais concentradas nos primeiros horários. Com isso, quem chegou um pouco mais tarde não precisou ficar um minuto sequer do lado de fora.
Foi exatamente o que aconteceu com Geraldo Peixoto Gonçalves, de 94 anos. Acompanhado da esposa, Juliana de Campos Gonçalves, 84 anos, ele chegou à UBS do Porto alguns minutos depois das 15h. Como ainda havia nove doses disponíveis, a equipe prontamente recebeu seu Geraldo na porta e foi logo prestando o atendimento. Enquanto aguardava para entrar na sala onde a CoronaVac seria aplicada ele brincou sobre a idade avançada. “O velho durou, né? Acho que Deus esqueceu de mim” disse ele, que sonha em reencontrar os filhos. “Faz tempo que não vejo meus filhos, eles moram longe, um no Paraná e outro em Santa Catarina”.
Faltaram apenas alguns meses para que a esposa, Juliana, também pudesse se vacinar. Ela faz 85 anos em julho e, assim como Geraldo, não vê a hora de poder abraçar os parentes mais próximos. “A família toda fica mais aliviada por ele poder se vacinar, os filhos estão contentes, porque a gente se vacinar é uma coisa de Deus, para não ter que estar passando por isso, que é terrível a gente não poder abraçar os filhos e os netos”, disse ela, com a voz embargada. “Se Deus quiser na semana que vem vai ser a minha vez”, completou.
Vacinação segue sexta e sábado
Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), cada uma das sete UBSs (Bom Jesus, Fraget, Simões Lopes, Porto, Laranjal, Lindoia e Salgado Filho) vacinou, em média, cerca de 150 pessoas por dia. Ao todo, Pelotas conseguiu vacinar 1.858 idosos com 85 anos ou mais entre quarta e quinta. A vacinação vai continuar nesta sexta, nas mesmas UBSs, das 10h às 15h.
Outra alternativa para estre grupo será a vacinação drive-thru. A SMS informou que a aplicação volante da vacina vai acontecer no sábado, entre 9h e 17h, no estacionamento do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), localizado na rua Gonçalves Chaves, número 3.218, próximo ao Colégio Assis Brasil.
Profissionais da saúde
Uma força-tarefa, organizada pela prefeitura, vai passar a vacinar contra o coronavírus médicos, odontólogos e fisioterapeutas, na ativa, de 18 a 60 anos. A imunização será realizada nesta sexta nos prédios do IFsul.
Os profissionais de saúde deverão apresentar a carteira do Conselho ao qual pertencem, comprovante de residência e cartão SUS, preferencialmente, para receber a dose. A vacinação para esse grupo ocorrerá das 9h às 19h. A Secretaria Municipal de Saúde informou também que os demais profissionais de saúde, integrantes dos grupos anteriores e que ainda não se vacinaram, continuarão sendo imunizados, enquanto houver estoque.
Live no estúdio do DP
No final da manhã desta quinta, o Diário Popular recebeu a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) para mais uma Live DP. Ela falou sobre o início da vacinação dos idosos. A entrevista completa está disponível no Facebook do Jornal. Confira abaixo os principais trechos da conversa.
Diário Popular - Ontem (quarta) foi aberta a vacinação para pessoas com 85 anos ou mais e nos postos onde a vacina foi disponibilizada houve formação de filas, as pessoas aguardando muitas horas pela vacinação. Porque isso aconteceu?
Paula Mascarenhas - Ontem (quarta) nós iniciamos esse novo momento, que é muito positivo pois estamos saindo do grupo dos profissionais da saúde para outro, que também é de risco. O Estado determinou que seriam aqueles com mais de 85 anos. A gente sempre tem pouco tempo entre o momento em que se sabe o número de doses, as prioridades e a logística. A gente não pode dizer “bom recebemos as doses e agora nós vamos ficar uma semana planejando como vamos fazer”, ninguém suportaria essa ansiedade. O que nós fizemos foi pensar que neste momento, quando a maioria das famílias tem algum idoso, elas vão precisar buscar a imunização e que deveríamos descentralizar. Para isso usamos aquelas unidades que são referências nas campanhas, que são as UBSs. Nós definimos sete unidades, até porque não tinha como trabalhar com as nossas 50, porque o número de doses é pequeno ainda. Então, concentramos um pouquinho mas consideramos todo o território para permitir que os idosos tivessem acesso. Obviamente houve filas porque as pessoas estão muito ansiosas pela vacina. Isso tem acontecido mundo afora, no Brasil inteiro, porque as pessoas querem se vacinar. Nas outras campanhas existem filas pontuais porque não vai todo mundo no primeiro dia, diferentemente de agora que todos esperam há um ano. A tendência é que as pessoas vão em busca dessa imunização. E conforme as coisas vão correndo nós vamos adquirindo um pouco de experiência. Não tínhamos a ideia de quantos idosos conseguiríamos vacinar, porque diferentemente das outras experiências, na anamnese, que é aquela conversa entre enfermeiro e paciente, antes de aplicar a dose, algumas perguntas que são necessárias, é um pouquinho maior para os idosos no caso da Covid. Hoje (quinta), um dia depois, nós já sabemos que imunizamos 150 pessoas durante aquele período. Então hoje (quinta) nós já distribuímos senha para 150 pessoas na fila para que os outros já vão para casa e voltem amanhã (sexta), para evitarmos essas filas. Eu sei que é desagradável esperar, também sei que as equipes das unidades usaram todos os recursos possíveis para ser mais tranquilo para os idosos. Eu sei que em alguns lugareshouve mais dificuldade do que outros porque também houve mais procura. Tive relatos de pessoas que foram na UBS Bom Jesus e que não houve nenhum problema, foram atendidos com uma certa rapidez. É um processo novo para todo mundo. O importante é que nós começamos e essa imunização só vai avançar, não vai retroceder.
DP - Como a prefeitura planeja que as pessoas não precisem chegar horas antes do início da vacinação para pegar uma ficha e não correr o risco de ficar de fora?
PM - É difícil a gente evitar alguma procura. Primeiro lugar a gente precisa lembrar que o público mais infectado em Pelotas é o grupo dos aposentados. Muito disseram que as pessoas não saíam de casa para nada e agora saíram e a prefeita colocou as pessoas em filas. Primeiro, não é verdade, e se fosse verdade os aposentados não seriam o grupo mais infectado da cidade. As pessoas saem para outras coisas e saíram para a vacinação. Não foi a prefeitura que criou a fila, o que criou a fila foi a situação que nós vivemos, a necessidade de imunização, doses insuficientes, e ansiedade na população. Claro, a gente sempre pode melhorar a logística. Levamos os agentes da UBS da Guabiroba para ajudar nas filas lá no Fraget. Então a gente vai fazendo algumas adaptações, algumas melhorias, mas dificilmente a gente vai conseguir impedir que as pessoas formem filas, só conseguiríamos se disséssemos que iriamos nas casas de todos, mas isso implicaria um logística e um tempo muito maior, íamos levar meses para vacinar todos os idosos de Pelotas. O que eu digo é fiquem tranquilos, vai ter vacina para todos. Pode levar três semanas, um mês para todos os idosos acima de 85 anos serem vacinados, mas todos serão vacinados.
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