Educação

Para inovar o ensino da História aos jovens

Professor desenvolve jogo que contribui na hora de aprender o conteúdo da disciplina

O desejo é dinamizar cada vez mais o ensino de História. E foi motivado por essa vontade que o professor Airton Munhoz introduziu o conceito da gameficação dentro da sala de aula, e criou o Gameficação - Uma Abordagem Alternativa ao Ensino de História. Com isso, os alunos do 9° ano do colégio São José tiveram o desafio de elaborar jogos de tabuleiro que envolvessem alguma temática da disciplina.

Para atingir a aprovação, os estudantes tiveram que cumprir três exigências feitas pelo docente: o trabalho deveria ser em grupo, o jogo precisaria ter uma finalidade pedagógica, ou seja, tanto quem confeccionou como quem vai jogar precisa aprender algo novo, e, por último, ser autoexplicativo, devendo conter um manual e regras. De acordo com Munhoz, que já aplica a inovação há três anos, a escolha pelo 9° ano ocorre devido aos alunos já estarem aptos para falar sobre uma série de acontecimentos.

E a ideia é justamente poder dar a liberdade para o grupo escolher o tema que queira trabalhar, e desse modo fazer com que a turma possa relembrar e dominar ainda mais o conteúdo selecionado. Nessa edição, foi possível visualizar trabalhos que relataram temas como o holocausto, a Europa Medieval, além de biografias de personagens importantes da história.

Quem pôde participar esse ano foi o estudante Augusto Ferri, 14. Para ele, o método é bem mais interessante do que responder a questões já feitas. “Precisamos pesquisar para fazer o jogo”, completou. O game criado por ele e por outros quatro colegas consiste em um tabuleiro onde o jogador vai avançando no mapa de acordo com o número sorteado no dado. Ao parar em uma casa, o participante deverá responder uma questão de História Geral, se responder corretamente ganha pontos. “Tem perguntas de vários assuntos, desde a Segunda Guerra Mundial até a Era Vargas”, exemplificou.

O diferencial desta edição é que todos os jogos fabricados serão doados para escolas públicas da cidade. No ato da entrega, os alunos também promoverão um workshop para instruir os novos jogadores. Segundo o docente, a iniciativa da doação já era um dos objetivos do projeto, que agora irá se realizar. Além disso, poder passar essa experiência adiante é necessário para disseminar cada vez mais o conhecimento produzido pelos próprios alunos. Compartilhar os jogos com colegas de outras escolas chamou atenção de Augusto, que garantiu nunca ter visto iniciativa parecida. “É uma ideia inovadora.” 

Perceber que as novas gerações estão cada vez mais dispersas e ao mesmo tempo cheias de informação foi o que fez Airton querer inovar nas aulas. “É necessário criar estratégias para manter o aluno concentrado”, explicou. Então, resolveu unir duas paixões: jogos e História. E parece que deu certo, pois Airton garante: “As disciplinas precisam inovar, pois ensinar o básico não é mais suficiente”.

Premiação

O projeto desenvolvido por Munhoz foi reconhecido na tarde desta quarta-feira (27), durante o seminário Conectando boas práticas. O Gameficação - Uma Abordagem Alternativa ao Ensino de História foi selecionado entre as dez melhores práticas pedagógicas da região. 

O Conectando Saberes é uma rede de professores para professores que pensa em tornar realidade uma educação pública de excelência para todos os alunos do país. O objetivo do grupo é identificar boas práticas e organizar seminários que discutam e promovam projetos inovadores.

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