Precariedade
Parte dos moradores da Cascata estão isolados devido às péssimas condições das estradas
Para diversas pessoas, há cerca de uma semana, é impossível sair de casa; outros saem para ir trabalhar, mas não sabem se conseguirão retornar às residências
Foto: divulgação - Em um dos piores pontos, na estrada do Arroio Moreira, a comunidade tentou viabilizar parte da passagem com a colocação de cascalhos e telhas
"Estamos isolados aqui e tem mais oito famílias na mesma situação, sem conseguir acesso tanto a Pelotas quanto ao Morro Redondo, nem para emergência. As estradas estão intransitáveis, é impossível passar de carro". Esse é o relato da Mariana Neuwald sobre o cenário na Cascata, localidade do 5º distrito, a 20 quilômetros de distância do perímetro urbano do Município. Moradora do Laranjal, a produtora cultural foi se abrigar, na casa da mãe no interior, temendo ficar isolada pelas enchentes. Apesar de não ser pela água, Mariana está ilhada pelo barro e não consegue ir trabalhar há sete dias.
De acordo com relatos de moradores, o acúmulo de lodo está há pelo menos dez dias impedindo a circulação normal, inclusive, de pedestres. Em um dos piores pontos, na estrada do Arroio Moreira, a comunidade tentou viabilizar parte da passagem com a colocação de cascalhos e telhas, no entanto, a solução improvisada não durou muito com o retorno da chuva. Nesta segunda-feira (27), o tráfego que estava sendo feito por algumas motos foi totalmente bloqueado em razão do caminhão da coleta de lixo ter ficado atolado durante a tarde. "Quando não tinha chovido tanto já estava bem difícil de passar e agora está realmente impossível. Algumas pessoas que não conseguem ficar no teletrabalho estão passando de moto com bastante dificuldades e se arriscando", conta Mariana.

Em imagens publicadas nas redes sociais, homens e um senhor idoso no meio do barreiro mostram que no sábado (25) os moradores se mobilizaram com cascalhos e um pequeno trator na tentativa de recuperar parte da estrada. A autora da postagem, Isabel Cristina Bach doou telhas para auxiliar na ação. Proprietária de uma cafeteria próximo a Embrapa, diariamente ela precisa se deslocar da Cascata. Diante da situação das estradas, a empreendedora chegou a ficar dois dias impossibilitada de ir trabalhar. No meio da semana, quando foi, não conseguiu voltar. "Não pude voltar para casa, tive que ficar na minha irmã, os meus animais de estimação ficaram lá sem comida, tive que deixar tudo abandonado", conta.

Na sexta-feira (24), quando tentou voltar para casa, o carro acabou atolando. "Às oito horas da noite, tive que caminhar nas estradas e chamar o meu cunhado com um trator para puxar [o veículo]". Nesta segunda-feira (27), Isabel planejava retornar ao lar após o trabalho. No entanto, recebeu o aviso de vizinhos que devido ao caminhão de lixo preso no lodo, não há como passar na estrada. "Esse caminhão faz três segundas-feiras que não vai, foi hoje e aconteceu isso, está caído lá. Aí tu me diz, o que a gente faz? Onde a gente fica?", questiona. A moradora conta ainda que todos os seus vizinhos estão com dificuldades de ir trabalhar e quando vão não sabem se poderão retornar.

Descaso e abandono
Essas são as palavras mais repetidas pelos moradores da Cascata ao relatarem a situação das estradas da localidade. Morador da estrada Cristaldo, Rodrigo Munhoz ressalta que a sua indignação é motivada pelas pessoas mais velhas que precisam se deslocar a pé para pegar o transporte coletivo e por aquelas que nem isso conseguem, pois estão totalmente isoladas. "Tem muitas pessoas que estão há dez dias sem conseguir sair, é um descaso total. O 5º distrito é o segundo maior da cidade e está totalmente abandonado. Eu fico indignado porque várias pessoas, senhoras que dependem de ônibus, precisam chegar na BR e estão andando no barro a pé".
O empresário destaca que onde a circulação não está bloqueada pelo barro, há a dificuldade causada pelos buracos, inclusive, na estrada principal de acesso à Cascata. "Eu moro lá há três anos e passou uma vez a patrola lá na frente. O pessoal da Prefeitura só vai lá quando tem festa, do tomate, do morango, aí eles aparecem e passam uma patrola onde vão passar. Por que não tem nenhuma prevenção para os estragos? Eles não tem planejamento nenhum para nada", afirma.
O que diz a Prefeitura
De acordo com o titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Romualdo Cunha Júnior, no dia 20 deste mês a equipe da Subprefeitura da Cascata teria feito uma intervenção na estrada do Moreira, realizando três drenos essenciais para o escoamento da água. No entanto, para completar o serviço e garantir a segurança e a qualidade da estrada, seria necessário que a chuva cessasse para poder aplicar o material adequado.
Segundo o secretário, as condições climáticas atuais têm impedido a continuidade dos trabalhos em diversas frentes que dependem de tempo seco. Tão logo a chuva pare, Romualdo Cunha Junior garante prioridade máxima à estrada do Moreira para finalizar os reparos o mais rápido possível. "Estamos comprometidos em resolver esta situação com a maior brevidade possível", afirmou
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