Estatística
Pela primeira vez, mais mortes que nascimentos em Pelotas
Acompanhamento aponta impacto que o coronavírus tem provocado no crescimento vegetativo da cidade
Jô Folha -
Nunca antes houve tantas mortes e tão poucos nascimentos de pelotenses em um primeiro semestre quanto em 2021. A afirmação é possível a partir de dados estatísticos dos cartórios da cidade obtidos via Portal da Transparência do Registro Civil que levam em conta uma série histórica iniciada em 2003.
Conforme o acompanhamento, é possível perceber o impacto que o coronavírus tem provocado no crescimento vegetativo da cidade. Com mais de mil vítimas da Covid-19 desde o começo da pandemia - sendo 775 contabilizadas desde janeiro -, o município viu o número de óbitos registrados ser o maior da história em seis meses, chegando a 2.295 até o final de junho. Isso significa 38% a mais do que a média histórica.
Quando a comparação é feita entre os registros atuais e o primeiro semestre de 2019, sem a influência da pandemia, a diferença é ainda maior: 55,9% mais mortes oficializadas nos cartórios.
Menos nascimentos
No sentido oposto, Pelotas teve entre janeiro e junho de 2021 o recorde de menor número de nascidos vivos no período desde 2003. Foram registrados 2.090 nascimentos, 10,7% a menos que a média histórica na cidade e 5,1% abaixo do número do ano passado. Se o paralelo for traçado com 2019, os nascimentos caíram 16,7% no município.
O resultado do cálculo entre o maior número de óbitos da série histórica em um primeiro semestre e o menor número de nascimentos no mesmo período resultou em um crescimento vegetativo negativo da população. A diferença, que sempre esteve na média de 679 nascimentos a mais, ficou negativa em 2021, com 205 óbitos a mais que registros de bebês, o que significa uma redução de 130,2% na variação em relação à média histórica. Em relação a 2020, a queda foi de 128,3%, e em relação a 2019 foi de 119,7%.
De acordo com o presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Rio Grande do Sul (Arpen/RS), as informações mostram os efeitos da pandemia de forma oficial, já que os cartórios permaneceram abertos mesmo durante os períodos de maior restrição de atividades. "O fornecimento de dados de nascimentos e óbitos no Portal da Transparência do Registro Civil, abastecido pelos Cartórios de Registro Civil do país, permitiu também que sentíssemos essa diminuição da natalidade na pandemia diretamente nas serventias, visto que não fechamos em nenhum momento", afirma Sidnei Hofer Birmann.
Recorde também em Rio Grande
Embora não tenha chegado a um crescimento vegetativo negativo, como se deu em Pelotas, Rio Grande também teve os efeitos da pandemia impactando historicamente. No município, o número de óbitos também foi o maior para o primeiro semestre desde 2003. Foram 1.209 registros nos cartórios, apenas 25 a menos do que a quantidade de nascidos vivos. O número é 95,2% inferior à média de janeiro a junho para o período de 2003 a 2020, que sempre esteve na casa de 519 nascimentos a mais.
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