Carinho

Pela saúde e pela alegria dos animais

dicas para manter os pets saudáveis e felizes podem contribuir muito com os tutores

Apesar do avanço - mesmo que vagaroso - da vacinação no país, a pandemia ainda não deu exatamente qualquer momento de trégua. A cada dia o Brasil apresenta dezenas de milhares de contaminações e, infelizmente, outras milhares de mortes. Desde o início da crise sanitária, já faz mais de um que ano a sociedade teve de aprender a conviver com mudanças impostas pelo distanciamento social. Essas alterações na rotina, reforçadas pela obrigatoriedade de passar mais tempo em casa em razão das medidas de prevenção ao contágio pelo coronavírus, também afetam e podem estressar os pets. O assunto não é novidade, longe disso, mas é extremamente necessário, tendo em vista que a luz da “vida normal” já aparece no fim do túnel, mas o caminho até ela ainda é longo.

Especialista em comportamento animal, a veterinária da Rede de Proteção Animal, Cláudia Terzian, lembra que cães e gatos são animais sociais, ou seja, necessitam interagir com os membros de seu grupo social, seja ele composto por outros cães, gatos ou humanos. “O simples fato de ficarmos juntos no mesmo cômodo é altamente recompensador e traz aos pets sensação de segurança e conforto”, diz a veterinária. “Da nossa parte, principalmente, para as pessoas que moram sozinhas, neles encontramos o nosso abraço, o contato que perdemos com as pessoas”, completa.

Manter os bichinhos saudáveis e felizes não é algo complicado, garante Claudia. Por isso, dicas são sempre bem-vindas, ainda mais quando é pro bem dos animais.

Como trabalhar em casa e cuidar do pet?
De acordo com a veterinária, fazer pausas durante o trabalho ou afazeres domésticos para curtir o pet faz muito bem ao animal. Além disso, alivia o estresse e aumenta a produtividade dos humanos. Mas é importante estabelecer horários para tudo. Entre as atividades sugeridas para as pausas estão os cuidados como escovar e retirar os nós dos pelos, para prevenir problemas de pele; sessões de carinho e massagem; brincadeiras ao ar livre (no quintal, varanda ou área comum de um prédio, se for permitido); de buscar a bolinha (que pode ser no corredor de casa mesmo); ou só assistir a programas de TV juntos no sofá.

Esse estímulo é importante, lembra a veterinária da Rede, principalmente para o momento em que o tutor vai precisar voltar ao trabalho e passar menos tempo em casa novamente. “Ou ele vai sentir muito a sua falta quando a necessidade do distanciamento social acabar”, alerta. Os brinquedos ou objetos devem ficar, preferencialmente, em um cômodo distante de onde o tutor estiver nesse momento. Assim, ele pode manter as suas atividades e afazeres enquanto o animal se distrai com as brincadeiras. Podem ser usados brinquedos de roer, como os que imitam ossos e de nylon duro; e também os recheados com petiscos e frutas. “Até mesmo um papelão enrolado com petisco dentro pode ser um bom entretenimento”, sugere Cláudia.

Como deixá-lo mais comportado?
O maior tempo em casa é também uma vantagem, segundo Cláudia, para ensinar truques e comandos para cães e gatos. “Os comandos são uma brincadeira que faz o animal prestar a atenção ao que você quer, aprender a obedecer e, como prêmio, ganhar um petisco com o sabor da atenção exclusiva do tutor”, explica. É importante estabelecer regras claras: ou pode sempre, ou não pode nunca. Permitir algo de vez em quando pode confundir seu pet. Isso vale para, por exemplo, poder ou não subir no sofá, ganhar comida na mesa, entrar em casa ou dormir na sua cama.

Pode sair para caminhar?
As saídas rápidas para caminhar com o cão não estão proibidas. “Elas não precisam ser um evento social, mas é um momento que vai fazer bem tanto para o cão quanto para o seu tutor”, pondera a veterinária, que orienta: “faça essa caminhada sozinho com seu cão e mantenha distância das outras pessoas que estiverem na rua”. Na volta, é importante apenas lembrar de seguir todos os passos da higienização - de chaves, telefone celular, óculos e também do pet - para não trazer o vírus para dentro de casa.

Mas e se o tutor precisa sair sozinho?
As saídas do tutor pedem que sejam preparadas as opções para o cão brincar sozinho (relacionadas acima). “Assim ele associa as suas saídas a ganhar coisas legais”, justifica a veterinária. “Lembre-se de não se despedir na hora de sair, o que vai fazer com que ele relacione a saída a um momento tenso e triste”, completa. Também não é recomendado que se faça festa quando chegar em casa. “Alguns cães ficam ansiosos, esperando sua chegada. Fazer muita folia nessa hora aumenta essa ansiedade”, ensina. Cláudia desaconselha, ainda, as broncas, caso encontre alguma coisa destruída em casa ou xixi fora do lugar no retorno. “Esses dois comportamentos podem indicar que seu cão já sofre com a sua separação e a briga pode piorar o comportamento”, finaliza.

Importante
Apesar de haver um crescimento no contágio de animais pela Covid-19, conforme afirmam pesquisadores da Fiocruz, vale ressaltar que todas as pesquisas científicas publicadas até hoje mostram chances praticamente nulas de transmissão do vírus de animais domésticos para humanos. Também não há comprovação de que o coronavírus possa causar a morte dos animais.

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