Saúde
Pelo menos 8,7 mil pelotenses são diabéticos
Doença silenciosa, que atua como agravante da Covid, pode ser combatida com exercícios, boa alimentação e medicamentos
Informações recentes sobre os números atuais e futuras projeções quanto aos casos de diabetes na população brasileira ligam um alerta definitivo para a prevenção e o controle da comorbidade. As altas taxas de glicose acumuladas no sangue ainda podem afetar diversos órgãos e manifestar-se de forma silenciosa. O uso racional e permanente de medicamentos, a realização de atividades físicas periódicas e a inserção de uma alimentação saudável são a chave para uma vida normal a quem lida com a doença.
Segundo dados da Federação Internacional de Diabetes, atualmente o Brasil ocupa a 5ª posição no mundo em número de pessoas diabéticas. A pesquisa mapeou a dimensão da doença em 138 países, o que apontou para 16,8 milhões de brasileiros entre 20 e 79 anos nesta condição, número que pode aumentar expressivamente e chegar a 20 milhões em 2045. Somente em Pelotas, 8.744 diabéticos estão cadastrados na rede de Atenção Primária, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Conforme explica o médico coordenador da residência de Endocrinologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Eduardo Machado, a diabetes mellitus é um grupo de doenças que se caracteriza por alterações no metabolismo da glicose com hiperglicemia - excesso de açúcar no sangue - e o aumento de risco de algumas complicações crônicas, especialmente as vasculares, as quais geram complicações nos olhos, rins e nervos periféricos e aumentam o risco de doenças no coração.
Convivendo há 16 anos com a diabetes na família, Andreia Knepper conta que, assim que foi diagnosticada a presença da comorbidade no filho, sua rotina sofreu uma mudança drástica. “Não tínhamos conhecimento sobre diabetes, mas com o tempo fomos nos adaptando”, conta. Devido à pandemia, Giovanni da Cunha teve seu atendimento médico suspenso por alguns meses, mas já retomou as consultas. O menino é atendido trimestralmente em Porto Alegre, no Instituto da Criança com Diabetes do Rio Grande do Sul (ICD), responsável pelo tratamento de jovens com a doença. “Por sinal, excelente atendimento. Lá ele tem todo acompanhamento psicológico e também à disposição dentista, nutricionista, endocrinologista e assistente social”, explica a mãe.
Atualmente, os pacientes diagnosticados com diabetes, e atendidos pelo SUS em Pelotas, têm à disposição fitas para medição da glicose no sangue e aparelhos glicosímetros para monitoramento da glicemia, além da insulina tipo NPH (de ação prolongada) e Regular (de ação rápida) e dos medicamentos utilizados conforme o quadro de saúde, como a Metformina de 850mg e a Glibenclamida de 5mg. Os materiais e medicamentos estão disponíveis na Farmácia Municipal e também nas distritais dos bairros - localizadas junto às Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Para retirá-los, o paciente precisa apresentar receita médica emitida por um profissional da rede pública. Tanto as fitas quanto os glicosímetros, são oferecidos apenas àqueles que fazem uso de insulina.
Tipos de diabetes
Tipo 1: Ocorre em cerca de 5 a 10% dos diabéticos. É causado pela destruição das células produtoras de insulina, em decorrência de defeito do sistema imunológico em que os anticorpos atacam as células que produzem a insulina. Exige o uso de insulina por via injetável para suprir o organismo desse hormônio que deixou de ser produzido pelo pâncreas. A suspensão pode provocar distúrbios metabólicos que colocam a vida em risco.
Tipo 2: Decorrente em cerca de 90% dos diabéticos, resulta da resistência à insulina e de deficiência na sua secreção. Não depende da aplicação de insulina e pode ser controlada por medicamentos ministrados por via oral. A doença descompensada pode levar a complicações
Diabetes Gestacional: Consiste na diminuição da tolerância à glicose, diagnosticada pela primeira vez na gestação, podendo ou não persistir após o parto.
Outros tipos: Decorrentes de defeitos genéticos associados com outras doenças (defeito genético na ação da insulina, doenças no pâncreas, etc.) ou com o uso de medicamentos - como drogas ou produtos químicos.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o tipo 2 corresponde a cerca de 90% das pessoas com a doença. Segundo o médico, isso se dá devido a fatores como obesidade e sedentarismo, os quais classifica como epidêmicos. Logo, a consequência é que nas populações mais obesas o risco de diabetes é maior. “Está associada à obesidade, em que o corpo, além de produzir menos insulina, ela age menos. Costumamos chamar de resistência à ação da insulina. Ela vem em geral no individuo com história familiar positiva para diabetes e que tem excesso de peso, uma vida sedentária e alimentação inadequada”, afirma.
O endocrinologista indica que o segredo para “conviver” com a comorbidade é incorporar um conjunto de práticas saudáveis, como evitar o sedentarismo, o tabaco e o excesso de álcool. “O conjunto dessas medidas - e incorporar isso na vida - é uma forma de conseguir controlar bem a doença e transformar esse ‘lidar com a diabetes’ em algo que não seja pesado e que não traga sofrimento, de maneira que fique natural”, aponta. Segundo ele, o tratamento deve ser baseado em sistema de tripé: dieta saudável, prática regular de exercícios físicos e uso dos medicamentos. “Como qualquer tripé, esse não permanece em pé quando nós não temos os três pés presentes”, finaliza.
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