TEA
Pelotas é oficializada como Centro Macrorregional em Transtorno do Espectro Autista
Centro Doutor Danilo Rolim de Moura torna-se referência para 27 municípios
Gustavo Mansur -
Uma cerimônia realizada na tarde desta segunda-feira na capital do Estado contou com um importante anúncio do Programa de Atendimento a Pessoas com Transtorno do Espectro Autista, o TEAcolhe. No evento, foram oficializadas as três primeiras cidades que passarão a ser Centros Macrorregionais em Transtorno do Espectro Autista (TEA). Entre esses municípios selecionados está Pelotas, em virtude do destaque no atendimento realizado no Centro Doutor Danilo Rolim de Moura. A data também foi marcada pela entrega das primeiras carteiras de identificação de portadores do transtorno, a Ciptea.
Desde o lançamento do programa, em abril deste ano, alguns pontos já haviam sido estipulados - entre eles a criação de 30 Centros Regionais de Referência (CRR) e sete Centros Macrorregionais de Referência (CMR), estes com o objetivo de organizar e fortalecer as redes municipais de saúde, de educação e de assistência social no atendimento às pessoas com autismo e suas famílias. Com a aprovação no processo de seleção, finalizado em junho, somente Pelotas, Santa Rosa e Cachoeira do Sul foram aprovadas. Com isso, o Centro de Atendimento ao Autista Doutor Danilo Rolim de Moura, em atividade há sete anos, torna-se referência para outros 27 municípios da 3ª e da 7ª Coordenadorias Regionais de Saúde, das regiões Sul e da Campanha.
Atendendo cerca de 400 crianças e adultos com autismo, o Centro oferece serviços especializados como ludoterapia, terapia ocupacional, musicoterapia, entre outros. "Acredito que essa é uma das iniciativas pioneiras em referência ao atendimento de pessoas com o transtorno do especto autista dentro do nosso Estado. Não tenho conhecimento de algo que tenha um poder tão impactante para os municípios e para a vida das pessoas de uma forma geral, pensando em melhorar e em dar muito mais subsídio para as familias", comentou a diretora do Centro, Débora Jacks. Ela afirma que, quando lançado o edital, foi notado que diversos serviços que já eram prestados pela instituição estavam previstos no documento. "Isso se encaixou com o nosso trabalho e com o perfil de trabalho que Pelotas tem e que já vem construído ao longo desses anos. Nós vamos estender os nossos braços pensando em uma qualidade de vida muito melhor a essas famílias", completou.
Atendida há cinco anos no Centro Doutor Daniel Rolim de Moura, Claudete Crizel, mãe do pequeno Gustavo, 12, que tem diagnóstico para autismo, não economiza os elogios para falar do serviço prestado pela instituição, que agora se torna referência a diversas cidades. Segundo ela, o atendimento vai além das necessidades psicológicas e de desenvolvimento do filho. Ela cita que em 2020 passou por problemas familiares e teve, junto aos profissionais, uma ajuda para resolver a situação. "O atendimento nem posso dizer que é só bom, é ótimo, tanto para a criança quanto para o familiar. Eles querem o bem estar das crianças e fazem tudo para que seja um lugar bom de estar. Com o início da pandemia e as atividades remotas pudemos notar uma piora nele e acredito que seja por conta da falta terapia presencial. Lá ele tem um atendimento exclusivo do qual sente muito a falta, o que demonstra a importância para ele e para todos nós", contou.
Recursos destinados
Na tarde de ontem um repasse de R$ 200 mil foi feito para as prefeituras das três cidades implementarem os seus centros macrorregionais, seja para investimento em reformas, ampliação, compra de equipamentos ou viaturas para suas estruturas. Além disso, a partir de agora, mensalmente cada município receberá R$ 50 mil para custeio das suas unidades. Os mesmos valores serão destinados aos demais centros macrorregionais a serem implantados, enquanto os futuros centros regionais receberão R$ 20 mil, por mês, cada um.
As atividades dos centros de referência em TEA serão integradas à Rede de Cuidados à Saúde da Pessoa com Deficiência e à Linha de Cuidado para Atenção às Pessoas com Transtornos do Espectro do Autismo e suas famílias da Rede de Atenção Psicossocial no Sistema Único de Saúde (SUS).
Com a oficialização, as principais mudanças ocorrem na organização do Centro Macrorregional de Referência em TEA, que desenvolverá um trabalho de matriciamento, contando com profissionais como assistente social, psicopedagogo, terapeuta ocupacional, psicólogo e neurologista. Esses profissionais irão desenvolver ações de encaminhamento, estruturação e formações não somente para Pelotas, mas para os demais municípios pertencentes à macrorregião. O acolhimento, os encaminhamentos e a troca de informações dentro dessa rede possibilitarão às famílias mais qualidade e agilidade no atendimento.
Outros Centros Macrorregionais
Além de Pelotas, que representa a macrorregião Sul, as macrorregiões dos Vales e Missioneira também tornam-se referências. Nos Vales a sede escolhida foi a cidade de Cachoeira do Sul, a qual será responsável por coordenar ações em 62 municipios. Atualmente com atividades ministradas no Caps e na Apae da cidade, com a implantação do projeto um novo centro passará a funcionar em uma unidade de saúde, que passa por reformas. Já na macroregião Missioneira, o município de Santa Rosa atende atualmente mais quatro cidades da região e conta com um espaço especializado em reabilitação vinculado à fundação. Com o TEAcolhe a cidade ganha um novo local, onde irá ocorrer o matriciamento e a orientação de outros 79 municípios.
Na cerimônia foi lançado também o segundo edital para seleção de propostas para a implantação de centro microrregional de referência nas macrorregiões de saúde Centro-Oeste, Metropolitana, Serra e Norte e de centros regionais de referência em TEA nas 30 regiões de saúde.
Ciptea
Lançada no início deste mês, as primeiras Carteiras de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (Ciptea) também foram entregues na tarde de ontem. Por iniciativa da Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para PcD e PcAH no Rio Grande do Sul (Faders), o documento atende à Lei Federal 13.977/2020, conhecida como Lei Romeo Mion e objetiva garantir atenção integral, pronto atendimento e prioridade no atendimento e no acesso aos serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social.
Segundo o presidente da Faders, Marquinho Lang, a partir deste lançamento começará o processo de envio das carteiras de quem já preencheu o formulário. Desde que foi lançada, no último dia 18 de junho, foram recebidas mais de mil documentações de gaúchos com autismo para fazer a Ciptea. As carteiras passarão a ser enviadas a partir da próxima semana para os locais informados no formulário. No caso de Pelotas, o documento deve ser retirado na Associação de Amigos, Mães, Pais de Autistas e Relacionados com Enfoque Holístico (Amparho), na rua Senador Mendonça, 151.
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