Avanço da Covid

Pelotas tem três escolas com caso de Covid em uma semana

Emef Santa Irene registra cinco confirmados e Emef Saldanha da Gama um positivo; uma creche municipal está com as aulas suspensas por casos suspeitos

Carlos Queiroz -

Cinco dias após a primeira escola municipal de Pelotas confirmar o primeiro caso de Covid-19, as Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs) Santa Irene e Saldanha da Gama registraram casos positivos para a doença. Na primeira foram cinco confirmados e quatro suspeitos e na segunda um infectado e três suspeitos. O surto acabou fazendo a direção da Santa Irene suspender as atividades presenciais, sem apoio e orientação da Secretaria Municipal de Educação e Desporto (Smed). Já na Saldanha da Gama, pelo contágio sem em uma funcionária do setor de nutrição, as aulas devem ser paralisadas até 14 de outubro. Dois alunos, contactantes de um dos positivados, que estudam na Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Herbert José de Souza, também são suspeitos, suspendendo também as aulas na creche.

Precedente, a Emef Joaquim Assumpção teve suas aulas paralisadas após a confirmação de um caso no último dia 23, com retorno previsto para o dia 4 de outubro. Além da confirmação, outras 13 pessoas aguardavam resultado de exame, com suspeita. Nesta quarta, a Vigilância Epidemiológica informou ter dois casos confirmados e três suspeitos na instituição de ensino. Se em uma escola a orientação foi imediata, para a direção da Santa Irene não houve encaminhamentos claros sobre como lidar com a situação. "A gente ficou sabendo de dois alunos [positivados], na segunda-feira à tarde, e notificamos. Suspendemos as aulas na terça, conversamos com a Smed, que esteve aqui, passou a bola para a Vigilância Sanitária, que acabou vindo porque a gente ficou em cima. Nisso apareceu mais três casos [positivos] no mesmo dia", conta a vice-diretora Lorena Pinho.

"Hoje de manhã tivemos uma reunião com diretores, no final da reunião colocamos para todos diretores da rede e para a parte pedagógica da Smed pedindo ajuda, que nos apoiem, porque a gente está muito angustiado, sem saber como proceder, e agora ainda temos mais duas funcionárias suspeitas, que também estão afastadas", desabafa Lorena, que relata angústia por não ter nenhum posicionamento da pasta responsável passadas 24 horas da primeira notificação.

O diretor da escola, Airton de Moraes Filho, destaca que, das 20 turmas, seis foram afetadas. "A gente tem uma página no Facebook para se comunicar com as famílias e nisso começou a chegar foto de exames da mãe com os quatro filhos", lembra, acrescentando que as atividades escolares permanecem de forma remota, conforme o período anterior ao retorno presencial.

"Nós vamos manter a escola fechada até o dia 7, seguindo o protocolo, a não ser agora pelas funcionárias [o que pode estender o período], mas vamos demorar a saber. Eu me sinto sem suporte, bem angustiada, porque quase meio-dia (de quarta-feira) e ninguém nos ligou, início da tarde e ainda nada. A gente precisa falar com os professores, está todo mundo em estado de alerta, precisamos dar uma satisfação para a comunidade escolar", defende Lorena.

Quem concorda com a decisão da direção é Janaína Rodrigues, mãe de uma aluna da escola. Ela foi à Emef na tarde desta quarta para saber informações sobre o retorno e garante: "eu acho que é bom esperar".

"Fiquei sabendo pelo Facebook e vim aqui para ver como vão ficar as matérias. Eu fico mais tranquila se esperar mais um pouco. Agora tem que esperar, até porque essas crianças que estão participando das aulas. Eram para diminuir a idade e vacinar, porque é dos 12 para cima. A minha filha tem 10, recém vai fazer 11, então eu acho que já era para fazer a vacina neles", opina Janaína.

"A gente achou que tinha estrutura"

Segundo a direção da Emef Santa Irene, durante a reunião ocorrida nesta quarta pela manhã outras escolas relataram ter funcionários, professores e alunos afastados pela doença, também sem saber o que fazer. "[Algumas] têm funcionários e professores afastados há 13 dias e não sai o resultado do exame", complementam.

"A gente teve essa volta, fomos bem tranquilos. Não voltamos com medo, mas tem que estar preparado, tem que ter uma estrutura e a gente achou que tinha essa estrutura. O pessoal não queria que a gente parasse, ontem mesmo (terça-feira) já estavam nos questionando. Somos cinco diretores, a decisão foi unânime, porém a gente precisa do aval da Smed e até agora a gente não tem", pontua a vice-diretora.

A professora da instituição, Adelaide Grigoletti, compartilha da mesma opinião. "Eu tinha pra mim que a escola que me deparei era muito mais segura que outros ambientes e estabelecimentos. Porém agora estou bastante preocupada, pois os alunos estão vindo contaminados de casa. Me preocupa quantos podem estar também positivados e assintomáticos, aumentando a nossa exposição ao vírus, podendo contaminar a todos, principalmente a quem, assim como eu, faz parte do grupo de risco", expõe.

O que diz a prefeitura

Questionada sobre a situação, a Smed e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirmaram seguir os protocolos estabelecidos pela Secretaria Estadual da Saúde (SES), previstos na Nota Técnica nº 03 do Programa Saúde na Escola (PSE) da SMS. Em nota, elas falam que a orientação, neste caso, é que sejam fechadas apenas as turmas, sem a necessidade de fechamento da escola, por se tratarem de casos isolados, todos da mesma família.

De acordo com a secretária de Educação e Desporto, Adriane Silveira, para dar celeridade ao processo de comunicação dos casos, foi criada uma Comissão Intersetorial composta pelas vigilâncias Epidemiológica e Sanitária e pela Secretaria de Educação e Desporto, "intensificando o atendimento às necessidades das escolas da rede municipal de ensino no que diz respeito aos casos de Covid-19".

"Naquilo que foi observado, a Emef Santa Irene estava de acordo com as orientações técnicas dos órgãos de saúde. Não havia nada que justificasse o fechamento da escola, somente das turmas dos estudantes com resultado positivo, conforme orientam os órgãos de saúde", esclarece o diretor da Vigilância Sanitária, Sidnei Louro Júnior.

Referência para dar informações às escolas, a enfermeira da Vigilância Epidemiológica, Ana Dutra, explica que os casos suspeitos na Joaquim Assumpção impactariam no andamento das aulas, o que acarretou no encerramento das atividades, diferentemente da atual situação na Santa Irene. "A cada notificação, a situação é reavaliada", garante.

Já em relação à Emei Herbert José de Souza, por serem alunos com menos de 10 anos e que, conforme a Nota Técnica, não necessariamente usam a máscara de forma correta, as aulas estão suspensas por precaução. Os casos suspeitos são contactantes de um positivo.

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