Pandemia
Pesquisa da UFPel aponta mais de cem mil gaúchos com Covid-19
Número representa o dobro do último inquérito; próxima etapa do estudo ocorre entre os dias 15 e 17 de agosto
*Atualizada às 20h10min para acréscimo de informações
O Rio Grande do Sul soma mais de 108 mil infectados pela Covid-19. O dado foi revelado pelo sexto inquérito populacional da pesquisa Epicovid19, realizada pelo Centro de Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Mais uma vez, os pesquisadores conseguiram testar 4.500 gaúchos. Desses, 43 apresentaram resultado positivo, sendo um Pelotas. Devido a isso, o estudo aponta que 108.716 pessoas já tiveram contato com a doença no estado. Na rodada anterior, a pesquisa mostrava que havia 53.094 contaminados. A Epicovid19 ainda realizará dois inquéritos populacionais e seguirá servindo de base para as decisões do governo estadual.
A sexta etapa revela um infectado para cada 104 habitantes, afirmando que a prevalência da doença dobrou e assumindo o posto de pior resultado até o momento. Isso indica que 0,96% da população já possui anticorpos, anteriormente eram 0,47. A pesquisa, que é a única com seis fases, segue comprovando que estatísticas apresentadas pelo governo são subestimadas, já que até o início da tarde desta quarta-feira (29) haviam 64.496 casos confirmados. É importante lembrar que todos os números revelados pela Epicovid19 retratam a realidade com duas semanas de "atraso". Os dados de hoje só serão conhecidos na próxima fase.
Analisando a evolução do contágio no estado, o estudo indica que o número de pessoas que já foram infectadas é hoje, em média, vinte vezes maior em comparação com o encontrado no primeiro levantamento da pesquisa, realizado entre 11 e 13 de abril. Para cada caso notificado, existem ao redor de dois casos não registrados pelos números oficiais. Sobre a letalidade, a pesquisa concluiu que se baseada nos casos registrados - 1570 óbitos até o momento da divulgação - é de 2,6. Se calculada pelos números levantados pelo estudo ela cai para 1,4%. "É uma taxa alta de qualquer forma", frisou o pesquisador e professor da UFPel, Fernando Barros.
Outro ponto destacado pelo estudo são os sintomas dos contaminados. Foi possível observar que o mais citado pelos entrevistados foi a tosse (51,2%) e o menos, a dificuldade para respirar (9,3%). Nessa situação, torna-se importante salientar que uma pessoa pode demonstrar um ou mais sintomas e também há os que não apresentam sinal algum. Mais um dado investigado pela UFPel é a transmissão domiciliar. Entre as seis fases, 90 pessoas testaram positivo, sendo assim, os que moram mesma casa também foram testados, totalizando 142 familiares. Desses, 120 testaram negativo e 42 positivo. Esse levantamento comprova o que já vinha sendo citado pelos pesquisadores, que cerca de 30% das pessoas que habitam com um infectado acabam se contaminando.
Distanciamento Social
Em relação às práticas de distanciamento social, o estudo mostra que um terço da população sai de casa diariamente, um pouco mais da metade (54,1%) sai para atividades essenciais, como compra de alimentos e medicamentos, e 12,6% se mantêm sempre em casa. Barros observou que mudou o perfil do distanciamento de abril para cá. "No primeiro inquérito apenas 20% saíam diariamente e 21% ficavam em casa todo o tempo, mas ao mesmo tempo estamos notando um aumento da doença", salientou. Em Pelotas, 24,6% saem de casa diariamente, 59,8% para as atividades essenciais e 15,6% ficam em casa o tempo todo. Os números não apresentam diferenças consideráveis se comparados ao último inquérito.
No final da coletiva de imprensa, o pesquisador ressaltou que o aumento que ocorreu em um mês é considerável e, mais uma vez, recomendou: "Ampla testagem e reforço das medidas de distanciamento". Para completar, fez questão de frisar que não existe qualquer tipo de terapia preventiva. "O que falarem é falso", disse. A pesquisa segue em andamento no Rio Grande do Sul, com mais duas etapas a serem realizadas: a sétima deve acontecer de 15 a 17 de agosto, e a oitava, de 5 a 7 de setembro.
Epicovid19 no Brasil
A UFPel informou, em nota, que ficou sabendo pela mídia que não haveria mais financiamento para prosseguir com a pesquisa e em seguida a informação foi confirmada pelo Ministério da Saúde. A universidade garantiu que está em tratativas avançadas com outros potenciais financiadores para garantir a continuidade do estudo. "Assim que contratos forem assinados, viremos à público da ciência a todos".
Dados da pesquisa
1ª fase:
4.189 testes
2 testes positivos
0,05% da população infectada
1 infectado a cada 2000 habitantes
5.650 pessoas já tiveram contato com a doença
Para cada caso notificado havia 4 não notificados
2ª fase
4.500 testes
6 testes positivos
0,13% da população infectada
1 infectado a cada 769 habitantes
15.066 pessoas já tiveram contato com a doença
Para cada caso notificado havia 12 não notificados
3ª fase
4.500 testes
10 testes positivos
0,22% da população infectada
1 infectado para cada 454 habitantes
24.860 pessoas já tiveram contato com a doença
Para cada caso notificado havia 9 não notificados
4ª fase
4.500 testes
8 testes positivos
0,18% da população infectada
1 infectado para cada 562 habitantes
20.226 pessoas já tiveram contato com a doença
Para cada caso notificado há 3 não notificados
5ª fase
4.500 testes
21 testes positivos
0,47% da população infectada
1 infectado para cada 214 habitantes
53.094 pessoas com anticorpos no RS
Para cada caso notificado há 2 não notificados
6ª fase
4.500 testes
43 testes positivos
0,96% da população infectada
1 infectado para cada 104 habitantes
108.716 pessoas com anticorpos no RS
Distanciamento social no RS
1ª fase: 58,3% saíam para atividades essenciais
20,6% saíam diariamente
21,1% ficavam o tempo todo em casa
2ª fase: 53,4% saíam para atividades essenciais
28,3% saíam diariamente
18,3% ficavam o tempo todo em casa
3ª fase: 56,1% saem para atividades essenciais
30,4% saem diariamente
16,5% ficam o tempo todo em casa
4ª fase: 54% saem para atividades essenciais
31,5% saem diariamente
14,5% ficam o tempo todo em casa
5ª fase: 54,6% saem para atividades essenciais
32,7% saem diariamente
12,7% ficam o tempo todo em casa
6ª fase: 54,1% saem para atividades essenciais
33,3% saem diariamente
12,6% ficam o tempo todo em casa
Distanciamento em Pelotas
1ª fase: 18,4% diariamente
60,2% atividades essenciais
21,4% o tempo todo em casa
2ª fase: 26% diariamente
54,4% atividades essenciais
19,6% o tempo todo em casa
3ª fase: 27,4% diariamente
54,8% atividades essenciais
17,8% o tempo todo em casa
4ª fase: 29,4% diariamente
56% atividades essenciais
14,6% o tempo todo em casa
5ª fase: 25,4% saem diariamente
60,6% atividades essenciais
14% o tempo todo em casa
6ª fase: 24,6% saem diariamente
59,8% atividades essenciais
15,6% o tempo todo em casa
Sintomas
Dor de garganta - 34,9%
Tosse - 51,2%
Diarreia - 37,2%
Alterações olfato/paladar - 44,2%
Dificuldade para respirar - 9,3%
Febre - 30,2%
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