Impasse

Prefeitura anuncia possibilidade de antecipação de tarifa a R$ 6 para barrar greve dos rodoviários

Reajuste seria uma alternativa para contemplar parte das demandas da categoria; com negociações no TRT, ainda não havia perspectiva de acordo com o consórcio

Foto: Jô Folha - DP - Anúncio de reajuste no valor da passagem foi feito em fevereiro

Em live realizada no início da tarde desta quarta-feira (20), a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) anunciou que diante do indicativo de greve em que estão os rodoviários uma alternativa para que haja acordo entre a categoria e o Consórcio do Transporte Coletivo de Pelotas (CTPC) seria a antecipação do aumento da tarifa para R$ 6. Assim o reajuste entraria em vigor no início de abril ao invés de em junho como previsto. Em discussão desde fevereiro sem perspectiva de acordo, está marcada para quinta-feira (21) mais uma reunião de negociação entre as partes mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Na primeira audiência realizada no tribunal na última segunda-feira, não houve nenhum indicativo de consenso entre o Consórcio e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Pelotas e Região (STTRP). Diante disso, a categoria já sinalizava que a paralisação poderia ser deflagrada no início da próxima semana caso não houvesse a apresentação de outra proposta pela concessionária perante as pautas de reivindicação da data-base dos trabalhadores.

Sugerida na reunião de mediação no TRT, o Município avaliou a antecipação do reajuste da passagem para os usuários que pagam em dinheiro como uma alternativa de solução ao impasse. Conforme a prefeita, na iminência de uma greve do transporte coletivo, o aumento impediria os transtornos causados pela paralisação. "Diante da possibilidade de uma greve do transporte coletivo, que é muito negativa, que causa transtorno, nós pensamos que pode valer a pena fazer a antecipação. É a decisão mais sensata evita a greve e dá uma oportunidade para que os trabalhadores se entendam", diz Paula.

A gestora municipal destacou ainda que a tarifa a R$ 6 passando a valer já em abril é uma possibilidade que só se concretizará se houver acordo firmado entre o consórcio e o sindicato dos rodoviários. "É só um anúncio de que pode ocorrer. No momento que se entendam e assinem o acordo, aí vamos voltar e fazer o anúncio oficial. É a contribuição do poder público para que haja um entendimento, sem transtornos", conclui.

Cenário

Os rodoviários reivindicam um percentual de 7% de reajuste salarial e no vale-alimentação, além da criação de uma categoria específica para os motoristas que também exercem a função de cobrador, com um aumento de remuneração de 25% para essa classe independente do índice de reposição do ano. Já a proposta apresentada pelo consórcio é de 3,81%, referente à inflação do período, sem atender a pauta de uma nova categoria. O argumento é de que não há margem para um aumento acima do ofertado, além de que boa parte dos condutores que exercem dupla função teriam sido contratados para isso.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Claudiomiro Amaral, avaliou o movimento da prefeitura como positivo e como um fator que aumenta a possibilidade de haver um acordo no TRT, mesmo que com um aumento de R$ 1 não seja possível contemplar as reivindicações por completo. Ele destaca também que a categoria não interfere em questões que envolvem valores de tarifa. "O cálculo é feito entre a prefeitura e o sindicato das empresas, mas já que tem essa intenção, eu acredito que vai dar um resultado na nossa negociação".

O anúncio de reajuste no valor da passagem foi feito em fevereiro com a implementação prevista para o dia 1º de junho. O valor para quem paga em dinheiro tem aumento para R$ 6. As outras modalidades de pagamento (cartões de débito/crédito, pix, vale-transporte e cartão do cidadão) permanecem com a tarifa inalterada.

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