Eletricidade

Presidente da CEEE Equatorial pede desculpas a moradores há mais de 12 dias sem luz

Em reunião com governador e prefeitos da Azonasul, Raimundo Bastos garantiu que os 300 clientes estariam com a energia estabelecida ainda neste domingo (23)

Carlos Queiroz - DP - Durante o encontro foram feitos relatos da situação agravante e feitos pedidos de garantias de que a situação não se repetirá

A manhã de deste domingo (23) foi de mobilização. Não dos moradores que estão há mais de 12 dias sem luz, mas dos prefeitos que os representam. Eles se reuniram com o governador Eduardo Leite (PSDB) e o presidente da CEEE Grupo Equatorial, Raimundo Barrettos Bastos, em uma pequena sala do Aeroporto Internacional João Simões Lopes Neto, em função dos compromissos do chefe de governo do RS. No encontro, relatos da situação agravante, cobranças e pedidos de garantias de que a situação não se repetirá. A presidência pediu desculpas aos moradores e garantiu que ainda neste domingo a energia elétrica em 300 residências estaria restabelecida.

A imprensa presente pôde participar de apenas dos cinco minutos iniciais da reunião, mas o suficiente para ouvir do governador que a demora foi grande e que o Estado vai fiscalizar e cobrar as melhorias no atendimento. No entanto, Leite reconheceu que a companhia, quando era uma empresa pública, estava colapsando e com ameaça de cassação da concessão. "Bom, ela foi privatizada e o papel do Poder Público é a regulação e fiscalização. No caso do ciclone, que foi o maior, sendo 725 mil clientes atingidos pela falta de energia e que um grande contingente foi restabelecido em 48 horas. Mas não é aceitável, não é razoável, o restante ficar tanto tempo sem luz", disse o governador em coletiva. Eduardo Leite vai acompanhar a apuração e, se problemas no atendimento forem recorrentes, sem contar com o episódio do último ciclone, segundo ele, a CEEE estará passível de sanções e até perder o direito de concessão.

Na reunião, uma das principais demandas dos prefeitos é de que mesmo a CEEE, enquanto estatal, trabalhava em parceria com as prefeituras, o que resolvia problemas mais difíceis, como é apontado na falta de energia em áreas rurais. "Mas agora não podemos fazer nada, além de não termos retorno nenhum. E para quem a população reclama? para o Executivo. O Município tem plano de contingência, a Defesa Civil tem plano de contingência. A CEEE tem?", questiona o presidente da Azonasul e prefeito de Chuí, Marco Antônio Barbosa (UB). Um dos mais indignados era o prefeito de Morro Redondo, Rui Brizolara (DEM), que esteve em Porto Alegre, uma semana antes, e não teve as exigências atendidas. "Faltou logística. Nós colocamos nossos maquinários à disposição, mas ninguém nos procurou. Eles ignoraram os municípios. Eu, então, desisti do diálogo", desabafou. Sua gestão já entrou com ações nos Ministérios Públicos Estadual e Federal devido às perdas. Em Arroio do Padre houve até tentativa de invasão da Prefeitura por parte de moradores revoltados.

Também falaram a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), o prefeito de Rio Grande, Fábio Branco (MDB) e de Canguçu, Vinícius Pegoraro (MDB). "A ideia de colaboração dos municípios é muito importante. Que a comunicação seja mais estreita entre as equipes da companhia com as equipes das prefeituras para que as respostas possam chegar mais rápido. A questão não é encontrar culpados, mas sim, soluções", disse Paula.

Com a palavra, a CEEE

O presidente Raimundo Bastos ouviu atentamente as demandas e disse que recebeu as críticas de forma positiva. "Todos os prefeitos têm razão e vamos trabalhar em cooperação para melhorar a qualidade do serviço." Ele justificou a demora no atendimento a dois fatores: a intensidade do ciclone, sendo o mais forte dos últimos cem anos, com ventos de 140 quilômetros por hora que atingiram 475 mil clientes, sendo que cerca de 90% restabelecidos em 48h; e a pulverização causando a interrupção na área mais degradada da companhia, que é justamente a região sul. "Em São Lourenço do Sul foram 41 postes caídos e tínhamos a necessidade de ir em cada um desses lugares, restabelecer os cabos, trocar o poste. Quintuplicamos as equipes de atendimento, nos esforçamos, mas não conseguimos, Então, o que temos que fazer é agir de forma preventiva", admitiu.

Providências

Como garantia de que situação de demora no atendimento não se repitam, a CEEE se comprometeu em interagir com os municípios e qualificar as equipes que trabalham para a companhia em situações de contingenciamento, por meio de parcerias com o Sesi. "Temos que avançar muito na questão de qualificação, pois aumentamos em 40% a força de trabalho que precisa ser qualificada". O presidente encerrou a entrevista garantindo que todos os que foram atingidos pelo ciclone estarão com a luz restabelecida ainda neste domingo.

Protestos

Ainda no sábado (22), um protesto de moradores do Capão do Leão bloqueou o quilômetro 31 da BR-293 em protesto pela falta de luz. O trânsito não chegou a ficar totalmente parado, mas gerou demora na passagem pelo trecho. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Corpo de Bombeiros foram acionados, e às 17h30min o local foi liberado.

Já em Rio Grande, a CEEE registrou boletim de ocorrência sobre o furto em um caminhão da companhia, estacionado em frente a um hotel da cidade. Levaram equipamentos de proteção individual e material.

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