Luta antirracista

Primavera Negra começa a tomar forma em Pelotas

Movimento nacional pretende realizar uma caminhada com um milhão de negros e negras em Brasília

Idealizada no Seminário Nacional do Movimento Negro Brasileiro em 2016, a proposta de realizar uma caminhada de um milhão de negros e negras na Capital Federal deve finalmente ser realizada em 2021, caso a situação sanitária do país permita. Para organizar essa, que pretende ser, a maior manifestação já promovida contra o racismo estrutural, a desigualdade racial e em defesa das religiões de matriz africana no Brasil, estão sendo montados comitês executivos nos estados e municípios. Pelotas é a primeira cidade gaúcha a criar seu comitê.

Ao todo já estão instalados 20 comitês estaduais e 31 municipais, além do comitê nacional sob a coordenação dos militantes das religiões de matriz africana e do movimento negro o Pejigan Irivan de Assis e a Yalorixá Lígia Borges do Ilé Asè Obé Fará. No Rio Grande do Sul, o comitê estadual é coordenado desde abril de 2020 pelo farmacêutico Francisco Isaías, enquanto que o recém estabelecido comitê pelotense será coordenado pela cientista social Jacqueline Santos.

A exemplo do que acontece em outros estados onde organizações da sociedade civil como Olodum, Ilé Aiyê, CUT, MST, Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), Casa de Oxumaré, universidades e órgãos governamentais estão engajados na organização da Primavera Negra - nome oficial do movimento -, no RS e em Pelotas a ideia é buscar a aproximação e apoio dos mais diversos setores. "Este é um movimento social para o qual buscamos uma construção horizontal marcada pela diversidade e um olhar mais humano e apartidário, queremos que todos participem, que se envolvam nas discussões e construção dessa caminhada contra o racismo estrutural e em defesa de nossa ancestralidade", afirma Jacqueline Santos.

Ações

A primeira ação da coordenação municipal foi estabelecer um canal de diálogo com entidades não governamentais como o Povo de Axé, setores da cultura popular e comunidade universitária. Paralelo a isso começou um processo de aproximação das instituições governamentais em busca de apoio para atividades de pré-organização da caminhada, que ainda não tem uma data definida em função da pandemia.

As primeiras reuniões, realizadas nos últimos dias, aconteceram nas secretarias municipais de Cultura e Governo. O próximo passo será um encontro com representantes da Câmara de Vereadores. Além da aproximação institucional, o comitê local deve organizar um cronograma de atividades on-line como lives e encontros virtuais, para apresentar e discutir a Primavera Negra e temas relacionados às pautas do movimento com a comunidade em geral e representantes de entidades, ONGs e movimentos sociais.
"Esta é uma construção coletiva que dialoga com a ancestralidade e a tradição, com a academia, com a juventude das periferias, com quem dialoga com movimento LGBTQI+ e todos aqueles que enfrentam violências e discriminações", declara Isaías.

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