Habitação

Primeiras casas do Loteamento Estrada do Engenho deverão ser entregues no final de setembro

Atualmente, metade das moradias estão prontas, outras 22 precisam ser finalizadas nas próximas duas semanas para que o prazo seja cumprido

Foto: Carlos Queiroz - DP - Moradias coloridas, de alvenaria, são de responsabilidade do Ministério Público


Sete anos após a assinatura pelo Município de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para o realojamento das pessoas que vivem sobre o dique de contenção do canal São Gonçalo, as primeiras 44 casas serão entregues no final de setembro. Para os beneficiados, deixar a área de risco representa uma mudança drástica de vida, permitindo o acesso a infraestrutura adequada, como saneamento básico. No total, o Loteamento Estrada do Engenho conta com 57 residências.

Após os últimos dias de chuva, a tarde desta quinta-feira foi de retomada das intervenções externas nas casas. Atualmente, 22 estruturas estão prontas e outras 22 estão em fase de finalização com a colocação de cobertura, pintura e encanamento. No entanto, conforme o engenheiro responsável pelos imóveis construídos com recursos do Estado, Diego Lionso, em razão da previsão do retorno das precipitações, o cronograma de entrega pode sofrer atrasos. "Depende do tempo porque inviabiliza os serviços que estão faltando".

Além disso, ainda falta a execução das obras de infraestrutura das vias do loteamento, bem como a instalação de rede de esgoto e de energia elétrica. Com 42,84 metros quadrados de área construída, os imóveis têm dois quartos, um banheiro, sala e cozinha conjugadas. Dentre os imóveis há diferença de estrutura externa, que pode facilmente ser notada. Isso ocorre pois duas empresas diferentes estão executando as construções, uma vez que o orçamento é advindo de duas fontes de recursos diferentes. Sendo as moradias coloridas, de alvenaria, de responsabilidade do Ministério Público, e as de concreto e ainda sem pintura, do Estado.

O projeto é uma ação conjunta do Município com o governo do Estado e Ministério Público do Rio Grande do Sul, em que 35 unidades foram construídas com recursos do programa Avançar Habitação, com investimento de R$ 2,4 milhões e contrapartida do Município de R$ 1,3 milhão, enquanto as outras 22 casas são financiadas por meio do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL), com investimento total de R$ 2,4 milhões, sendo R$ 1,2 milhão em contrapartida.

A espera de quem não tem acesso
Moradora da Estrada do Engenho há 23 anos, a recicladora Raquel Machado diz que já tinha perdido a esperança de ser contemplada com uma das moradias. "Eu achava que nunca ia sair as casinhas". Após a notícia das primeiras entregas em setembro, ela diz que vive um misto de ansiedade e nervosismo pelo momento em que se mudará com o filho para uma residência melhor.

A casa em que vive atualmente expõe as condições em que a família enfrenta há mais de duas décadas. Revestida por material oriundo de caixas de leite, até o momento, a estrutura precária tem resistido a ventos intensos e chuva. Entretanto, o receio de ficar sem lar é uma realidade constante. "Aqui dentro chove por tudo. Nesse temporal foi horrível, o medo que vai voar e cair tudo em cima da gente", relata.

Com 40 anos de idade, em mais da metade da sua vida Raquel não teve acesso a saneamento básico. Sem água encanada, o banheiro de sua casa nunca teve um chuveiro e a eletricidade é puxada, de maneira improvisada, de estruturas de madeira que simulam postes. "A luz é bico e água é de vez em quando que vem", detalha.

Para a recicladora, a residência no loteamento representa a viabilidade de condições que há muito tempo ela não lembra de ter ao seu alcance. "Acho que vai ser bom, diz que vai ter chuveiro, tudo direitinho". A única questão que a beneficiada lamenta é a impossibilidade de levar consigo os seus animais de estimação. "Não podemos criar os nossos bichos lá. Eu crio galinha, tenho uma eguinha e também tem meus cachorros".

A perspectiva de um futuro diferente
Um dos presentes na reunião com a Prefeitura, o morador Roger da Rocha, relata que a previsão de entrega é a partir do dia 20 de setembro. Além disso, o autônomo destaca a iniciativa positiva do Município em prestar suporte também no processo de mudança para as novas casas. "Eles vão dar ajuda a quem não tem condições".

Assim como a vizinha Raquel, Rocha vive a espera do momento de poder viver com os dois filhos e a esposa em uma residência melhor. "Luz, água encanada, tudo no nome da pessoa", detalha os pontos positivos. Além disso, para ele o melhor benefício é que as crianças estarão em um local confortável e com estabilidade.

Moradores fora do Loteamento

Atualmente, três pessoas que residem no dique não estão contempladas nas moradias do Loteamento porque não estavam no processo de cadastro. Conforme a secretária de Habitação e Regularização Fundiária, Cláudia Leite, os moradores serão notificados. A gestora também afirma que há a possibilidade de atraso no cronograma de entrega em razão das chuvas.

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