Saúde

Procura por vacina contra meningite é baixa em Pelotas

Imunizante é ofertado gratuitamente na rede pública pelo Plano Nacional de Imunização há três anos

Desde dezembro de 2019, a vacina meningocócica ACWY (conjugada), que previne as meningites e as doenças meningocócicas causadas pela bactéria meningococo dos sorogrupos A, C, W e Y está incluída no Programa Nacional de Imunização (PNI). Até então só era feita a imunização contra a meningite do tipo C, que consistia em três doses - aos três, cinco e doses meses de vida. A partir de 2020, a imunização foi incluída no calendário nacional de vacinação para ser feita de forma gratuita pelo SUS em adolescentes de 11 e 12 anos. No entanto, a procura pelo imunizante que até então era ofertado somente pela rede privada, é baixa em Pelotas.

Segundo a chefe da Vigilância Epidemiológica do município, Aline Machado da Silva, a pouca procura pode ter relação com o público-alvo, pois são jovens e dependem na maioria das vezes dos pais ou responsáveis para levá-los até os locais de vacinação. O momento pandêmico e de distanciamento social também são apontados como causas. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o município possui 1,3 mil doses disponíveis em estoque.

Até ser disponibilizada gratuitamente pelo SUS, o imunizante era ofertado somente pela rede privada. Atualmente, a vacina está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e também no Centro de Especialidades. A enfermeira e responsável técnica do Centro de Especialidades, Fátima Soares, reforça a necessidade da imunização. "Ela [vacina] previne contra quatro tipos de meningite e é gratuita. Tanto meninos quanto meninas podem se imunizar e é importante que os responsáveis levem esses jovens para não deixá-los desprotegidos", explica.

Para a vacinação, é necessário apresentar o cartão do SUS, documento de identidade do jovem e a carteira de vacinação que, caso não possua, é ofertada no local. A enfermeira também reforça sobre a importância de levar o documento no caso dos que possuem. "É interessante que levem a carteirinhas de vacinação para que seja avaliado se estão com tudo em dia e, caso esteja faltando alguma vacina, pode ser agendada a atualização", diz Fátima.

A reportagem do Diário Popular realizou levantamento em uma rede de farmácias que oferece a vacina ACWY e a dose custa cerca de R$ 310,00. A recomendação é que crianças recebam cinco aplicações: duas no primeiro ano de vida, uma dose de reforço entre 12 e 15 meses, outra dose entre cinco e seis anos e a última aos 11 anos de idade. Seguindo o plano vacinal, seria necessário pagar R$ 1.550,00. Já para adolescentes, a recomendação são duas doses, com intervalo de cinco anos. No adultos, é realizada a aplicação de dose única.

Meningite: o que é e consequências

A meningite é a inflamação das membranas que recobrem as meninges (do sistema nervoso central) e medula espinhal e atinge principalmente crianças e adolescentes. Segundo a professora de pediatria da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) Maria Laura Mascarenhas, são diversas as sequelas causadas pela doença, desde o atraso no desenvolvimento, surdez, paralisia, tanto motora como cerebral, entre outras. A pediatra defende a importância da vacinação. "É uma forma segura e eficaz para prevenir que o paciente tenha a meningite que é uma doença muito grave, pois a mortalidade é muito grande ou deixa sequelas para a vida toda. Foi um grande ganho ter essa proteção de forma gratuita", comenta.

Entre os sintomas da meningite estão febre alta, dor de cabeça, depressão sensória e a presença de sinais meninges, que são identificados pelo médico que fará a devida verificação para confirmar ou não o diagnóstico.

Segundo a professora, a meningite pode ser transmita de diversas formas como vírus, fungo ou bactérias, essa última inclusive é uma das formas mais preocupantes aponta Maria Laura. Sobre a vacinação em adolescente, ela destaca que ocorre após estudos apontaram que muitas vezes o meningocócico está presente, sendo transmitido pelo jovem e ele está assintomático, por isso a necessidade de reforçar a imunização, protegendo tanto o menor, quando quem convive com ele. "É muito importante ter o calendário vacinal atualizado, pois ajuda a prevenir que essas crianças terem doenças que podem deixar sequelas para o resto da vida delas", finaliza a pediatra.

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