Pandemia

Próximos dias podem ser de novas restrições em Pelotas

Hipótese foi levantada em encontro extraordinário da Azonasul; variante do Reino Unido identificada sexta-feira gera preocupação

Jô Folha -

A semana poderá ser marcada pelo anúncio de novas medidas restritivas, em Pelotas. A possibilidade de um novo lockdown, mais longo e mais duro - do que os realizados aos finais de semana entre os meses de março e abril -, está em análise. O assunto foi um dos temas centrais da pauta, em encontro virtual extraordinário promovido pela Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), no sábado (17) pela manhã, a pedido da prefeita Paula Mascarenhas (PSDB).

A identificação da variante do Reino Unido do coronavírus, em Pelotas, e o risco de o sistema de saúde entrar definitivamente em colapso motivaram o debate. Na tarde deste domingo (18), Paula confirmou que os próximos dias serão de monitoramento do cenário e, conforme o resultado, novas restrições poderão ser implementadas.

Nas três intervenções realizadas durante a reunião, a prefeita foi incisiva: "A situação é grave. Se houver uma intensificação, vamos colapsar". E embora tenha defendido decisão de caráter regional, com diálogo já aberto com o setor econômico - que também enfrenta crise -, reforçou a importância de posição rápida. "Há uma possibilidade forte de agravamento e já estamos no limite. Se isso acontecer, vai ser uma tragédia. Não podemos arriscar".

A chefe do Executivo destacou conversas realizadas ainda na sexta-feira com os pesquisadores César Victora, reconhecido mundialmente, e Pedro Hallal, ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que coordenou nacionalmente um dos estudos mais importantes sobre a propagação do novo coronavírus. "Não podemos deixar de agir quando vidas estão em jogo".

Um misto de esperança e apelo regional

A informação de que o exame da paciente infectada com a variante britânica é de 25 de fevereiro, ao mesmo tempo, permite pensar que os efeitos da nova cepa já podem ter sido sentidos ao longo de março, quando registrado o maior número de mortes em um único mês desde o começo da pandemia: 121 óbitos em 31 dias. "Esperamos que, realmente, estejamos iniciando um movimento descendente".

Paula Mascarenhas e a secretária de Saúde, Roberta Paganini, reforçam o apelo para os gestores de toda a região apertarem o controle sobre o isolamento dos casos suspeitos, para que as pessoas se mantenham em casa enquanto não receberem os resultados dos exames, como estratégia para conter a circulação do vírus.

"Pessoas já morreram por não acessar o leito"

A morte por sufocamento, sem o atendimento necessário, devido à sobrecarga do sistema é realidade na região. Não são apenas cenas de desespero registradas em outros estados brasileiros. O fim de anestésicos para a intubação de pacientes, a falta de leitos e o esgotamento das equipes que integram a linha de frente no combate à Covid-19 geram angústia também na Zona Sul.

Quem afirma é a titular da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ª CRS), Caroline Hoffmann. "Pessoas já morreram por não acessar o leito", enfatizou durante o encontro. "Tem que haver alguma medida certeira neste momento pro impacto regional". A chegada de sedativos sábado, ao Estado, apenas ameniza o quadro por alguns dias, mas não resolve a situação.

Neste domingo à tarde, cerca de 20 pessoas aguardavam vagas de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) na Zona Sul; algumas já em ventilação mecânica - confirmou a coordenadora.

Entenda melhor
A cepa britânica da doença ainda não havia sido identificada no Rio Grande do Sul. De acordo com a Nota Técnica n° 59 do Ministério da Saúde, a variante VOC 202012/01, linhagem B.1.1.7, foi notificada pela primeira vez em dezembro de 2020 no Reino Unido. Ela tem maior transmissibilidade e é considerada mais letal. Pode haver, portanto, aumento de hospitalizações e de incidência de casos.

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