Transporte de cargas
Região não registra paralisação de caminhoneiros
Categoria não chega a consenso e greve nacional não se confirma; preço do óleo diesel é uma das principais preocupações
Jô Folha -
A semana começou com fluxo normal nas rodovias de toda a Zona Sul. A mobilização dos caminhoneiros, que prometiam interromper as atividades, não se confirmou. Até o meio da tarde desta segunda-feira (1°), a 7ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) não registrava nenhum bloqueio nas estradas da região.
"Não é momento de greve. Já não tem o que carregar. Tu vai fazer greve pra ficar parado, se tu já tá parado?", destaca o presidente da Associação dos Proprietários de Caminhões de Pelotas e Região (Aprocapel), Nelson Vergara, para explicar por que a categoria não se juntou ao movimento previsto para se espalhar por todo o país.
Pontos como a redução no preço do óleo diesel, melhorias nas estradas e o Código Identificador da Operação de Transportes (Ciot) para todos os trabalhadores do setor despontam entre as principais reivindicações. O valor pago pelos pedágios também integra a lista de queixas; a maioria já apresentada na paralisação de 2018, que durou 11 dias e provocou diferentes tipos de desabastecimento no país, inclusive, de alimentos e de combustíveis.
Categoria dividida e movimento esvaziado
Entidades como o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) chegaram a sustentar que a mobilização ganharia força ao longo desta segunda. Em vídeos divulgados nas redes sociais exibiam caminhões parados em estacionamentos à beira de estradas e pequenos grupos em protesto em diferentes pontos do Brasil. O fato de parte dos caminhoneiros que aderiram à paralisação ter optado em permanecer em casa seria a razão para não haver grandes bloqueios ou congestionamentos - argumentaram.
Na semana passada, entidades como a Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos (Conftac) e a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) divulgaram nota contrária ao movimento neste momento: "... apesar de a categoria sofrer com os altos preços do combustível, decorrentes de uma carga tributária abusiva". O documento ainda mencionava a situação dos profissionais autônomos, ao lembrar que eles sofrem com o "descaso de governadores, políticos e empresários".
A palavra do governo federal
Em conta no Twitter, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Augusto Heleno, escreveu que "o governo federal respeita as aspirações dos caminhoneiros" e que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, "vão buscar, junto à área econômica, recursos legais para reduzir despesas que recaem sobre esses abnegados trabalhadores, essenciais ao dia a dia do país."
Na prática, entretanto, nenhuma medida havia sido anunciada pela União até o fechamento desta edição.
(*) Com informações da Agência Brasil
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