Exemplos
Retrospectiva do bem
Várias pessoas conseguiram acessar serviços e direitos através do papel social do jornalismo
Em tempos que o jornalismo é duramente atacado e precisa se manter firme para não deixar de cumprir seu papel social, o Diário Popular segue ativo na busca de dar voz e vez a quem não tem. Nos últimos meses, diversas reportagens pediram o auxílio da comunidade e alertaram o Poder Público de suas obrigações. Muitas dessas histórias tiveram um final e outras se encaminham para encerrar da maneira mais correta e alegre.
A pequena Myrella Castro, de apenas três anos, apareceu pela primeira vez nas páginas do jornal em agosto do ano passado. Ela possui mielomeningocele, uma má formação na coluna vertebral, e como consequência outros problemas de saúde acabam aparecendo, como intolerância a lactose e dificuldades de crescimento. A partir dali, uma rede de solidariedade começava a se formar para ajudar a família nas despesas das fraldas e do leite em pó sem lactose. Com a ajuda, uma série de exames foi realizada e a certeza de que a pequena precisaria de uma cirurgia se confirmou. Agora, o presente de Natal chegou adiantado: a intervenção cirúrgica deve ser realizada na sexta-feira (18), já que precisou ser desmarcada em função de parte da equipe médica ter testado positivo para Covid-19.
No final de semana passado a mocinha falante voltou a aparecer. Dessa vez, o pedido é para que a comunidade contribua com a família que precisará passar um tempo em Porto Alegre, local onde a cirurgia ocorrerá. A mãe, Viviane Castilho, 30, conta que desde agosto de 2019 as ajudas aumentaram e seguem chegando até hoje. “A gente recebe fralda, leite e já estão doando dinheiro também”, disse, agradecida. A preocupação e auxílio da comunidade é uma das coisas que fazem a família seguir acreditando em dias melhores. “Tem pessoas que ligam para saber notícia”, contou.
A expectativa de Jorge
Em outubro deste ano quem apareceu por aqui foi o aposentado Jorge Nogueira, 54. Em 2012 ele recebeu o diagnóstico de uma artrose bilateral no quadril. Em 2016, uma solicitação de cirurgia para a colocação de uma prótese foi enviada à Santa Casa de Misericórdia e, até então, não havia respostas. Por causa das dificuldades de locomoção ele não conseguia mais acessar o segundo piso da casa. Pensando nisso, os amigos improvisaram um elevador que ao aposentado representou a emoção de conseguir se locomover com um pouco mais de independência.
A boa notícia chegou no começo deste mês. Através de um telefonema, ele foi chamado para uma consulta na Santa Casa. Saiu de lá com a solicitação de exames e com o sorriso no rosto, pois garantiram que o próximo passo é a marcação da cirurgia. “Depois da matéria (do Jornal) foi tudo muito bem, amigos que eu não conversava há anos me acharam, um fisioterapeuta me ligou para me ajudar”, relembra, emocionado. Agora, Nogueira espera pelo procedimento que lhe dará a qualidade de vida que tanto sonha. “Voltando a caminhar vou poder ajudar minha esposa”, disse, contando que depois do diagnóstico, ela abriu um comércio na garagem de casa.
Bons ventos na vida do Léo
Leonardo Celente, 30, carinhosamente chamado de Léo, foi vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no ano passado. De lá para cá, as dificuldades precisaram ser enfrentadas por ele e pela mãe, Ana Celente, 49. A família necessitava de uma máquina de lavar roupas, de lençóis e reformas na casa, que corria riscos elétricos e de desabamento. Antes mesmo da reportagem eles já contavam com a ajuda do professor Denis Romagnoli, que está empenhado com os reparos da residência. Depois da vakinha on-line ser divulgada no Diário Popular, Ana confirma: “É muita gente me ligando e vindo aqui, eu já estou até doando lençóis e roupas para quem precisa mais que a gente”. As obras começaram nesta semana e a vakinha já ultrapassou os R$ 15,4 mil.
A ajuda do leitor
Leila Marisa Pereira, 61, é portadora de Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI). Com isso, a tosse e a falta de ar são constantes. Para amenizar existe uma medicação, mas custa cerca de R$ 20 mil. Com o processo correndo na Justiça, mas já negado uma vez, o que restou foi criar uma rede de solidariedade que custeasse essa medicação. Depois de ter sua história contada no jornal, um assinante que divide a mesma patologia entrou em contato com a família. A notícia não poderia ser melhor: o laboratório que produz o remédio fornece duas caixas gratuitamente ao paciente. Desde o dia 2 de dezembro a aposentada começou a fazer uso do comprimido que tem o poder de estacionar sua doença, até que o transplante pulmonar aconteça.
“Existe uma vida antes da reportagem e uma vida depois”, falou a sobrinha de Leila, Carina Feijó. Ela relembra que a família estava sem esperança, já que tiveram o pedido do remédio negado pela Justiça e não possuem condições financeiras de comprar a medicação. Além disso, destaca o carinho das pessoas, que mesmo não tendo condições de contribuir entram em contato para dar dicas e prestar solidariedade. Mesmo com mais uma recusa judicial, elas seguem empenhadas para conquistar o medicamento e, finalmente, respirarem aliviadas.
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