Transporte
Rodoviários aprovam indicativo de greve em Pelotas
Trabalhadores esperam que haja proposta para que não seja necessária a interrupção do serviço
Jô Folha -
* Matéria atualizada às 22h52min
O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Pelotas aprovou por unanimidade na noite desta quinta (19) indicativo de greve. A categoria deve comunicar a prefeitura e o Consórcio do Transporte Coletivo (CTCP) na manhã desta sexta e, a partir disso, aguardar o prazo legal para definir se adotará a paralisação das atividades. Uma nova assembleia foi marcada para a próxima quinta (26) para avaliar a mobilização e se haverá a greve.
De acordo com o presidente do sindicato, Claudiomiro Amaral, os trabalhadores aguardam posicionamento do CTCP quanto às reivindicações da categoria e, caso não haja avanço, motoristas e cobradores podem parar. Os sindicalistas reclamam que estão há dois anos sem reajustes salariais e que, mesmo recebendo subsídios financeiros e isenção de imposto municipal, as transportadoras têm reduzido o quadro de funcionários.
O sindicato afirma já ter negado uma proposta de acordo feita pelo CTCP, mas mantém a expectativa por um acerto entre as partes para que não seja necessária a paralisação. "As empresas tiveram vários benefícios e os trabalhadores só o ônus", diz Amaral.
Entre tais benefícios, ele cita a isenção do ISSQN, redução de frota e idade de veículos, recebimento de 50% na passagem integrada, cancelamento temporário do benefício de isenção de passagens aos aposentados e o subsídio oferecido pelo município. "E nada foi repassado ao trabalhador", completa. Além disso, Amaral ressalta o que considera coerência e paciência da classe em aceitar o parcelamento das férias e do 13º salário, além de concordar que o direito de dois adiantamentos salariais passasse para um. "Eles falam que tudo isso foi na tentativa da preservação dos empregos, mas as demissões continuaram", alega.
O que disse o CTCP
O secretário-executivo do CTCP, Enoc Guimarães, informou na tarde desta quinta, antes da assembleia dos rodoviários, que o diálogo entre a classe e o consórcio está aberto e que diversas reuniões entre eles já ocorreram. "É um momento de sobrevivência, de crise", apontou. Na mesma oportunidade, ainda comentou que mesmo recebendo o subsídio da prefeitura está difícil equilibrar as contas.
Guimarães conta que uma proposta de 5% de ajuste foi feita. A intenção era que esse aumento fosse referente a 2020 e o de 2021 seria discutido em 2022. Outra possibilidade foi renovar o acordo coletivo de trabalho em 0% e voltar a conversar em novembro. Porém, ambas as alternativas foram negadas pelos trabalhadores. "Eles (os trabalhadores) estão cientes da situação que estamos vivendo", afirmou.
Renovação do subsídio
O secretário de Transportes e Trânsito, Flávio Al-Alam, diz que a decisão de seguir ou não com o subsídio ainda está sendo estudada pela prefeitura de Pelotas. "Precisamos pensar o que é bom para o usuário." Ele aponta que, com a volta do comércio, imaginava que haveria uma resposta melhor em relação ao movimento no transporte público, mas depois de uma leve melhora no mês de julho, se manteve na mesma estabilidade do mês anterior.
Os coletivos carregaram cerca de cem mil pessoas diariamente. Hoje, esse número gira entre 35 e 40 mil. "Está difícil para todos os lados", argumenta.
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