Pesca
Safra do camarão tem queda, mas deve melhorar
Chuvas recentes atrapalharam a atividade, porém pescadores acreditam em cenário mais positivo nas próximas semanas
Jô Folha -
Começou bem, caiu um tanto e deve melhorar. Essa é a visão dos pescadores de Pelotas sobre a safra 2021 do camarão rosa, primordial para quem vive da atividade no município. Após as chuvas de fevereiro atrapalharem os resultados, a expectativa é de redes mais cheias em março e abril - resultando em mais dinheiro no bolso do trabalhador e camarão na mesa do consumidor. A pesca do crustáceo é autorizada na região até 31 de maio.
A safra deste ano era esperada como a maior dos últimos tempos em virtude das condições climáticas que contribuíram em 2020 - o baixo índice de chuvas, Lagoa dos Patos mais salgada e, por consequência, mais esperança de quantidade e qualidade no pescado. E no início houve concretização das expectativas, com cada barco trazendo de 200 a 300 quilos por saída.
Porém, o presidente do Sindicato dos Pescadores da Colônia Z-3, Nilmar Conceição, comenta que apesar da projeção de uma safra quase perfeita, e do início promissor, a realidade dos últimos dias tem sido um cenário irregular. "Tem chovido muito, o que mexe na água. Então não é algo constante: alguns têm conseguido pescar, outros não. Essa situação faz com que não seja possível dizer que está melhor em relação aos anos anteriores. Mas está produtivo", explica.
Pescador na região da Balsa há seis décadas, João Pinho comenta que, na região, tem sido mais difícil. "Tudo o que é muito costuma ser ruim para a gente. E ultimamente temos percebido um vento a mais, uma chuva a mais. Isso tem nos prejudicado", comenta. Ele e Nilmar, porém, concordam com a perspectiva de que a safra melhore em março e abril.
Além da questão climática, a explicação para um cenário mais otimista nas próximas semanas tem a ver com o tamanho do camarão: a expectativa é que ele venha cada vez mais graúdo. Representante da Colônia Z-3, Michel Sabino elucida a questão: "O camarão está indo direto para a lagoa. Lá ele cresce. Depois, vai descendo em direção ao oceano." De acordo com o profissional, a consequência é a valorização do pescador. A estimativa é de que cada quilo do crustáceo reverta em R$ 9,00 de quem pesca.
Ao consumidor
O preço para quem busca o camarão tem se mantido desde o início da safra. Na Colônia Z-3, no Pontal da Barra e na região da Balsa, é possível encontrar o crustáceo sem casca, graúdo, por valores de até R$ 35,00, enquanto a versão com casca é comercializada por de R$ 12,00 a R$ 15,00. João Pinho, da Balsa, tem boa notícia: ele acredita que, na região, o valor desta última versão pode diminuir nos próximos dias, atingindo R$ 10,00. Já nas peixarias do Mercado Central, o valor varia de acordo com o tamanho da iguaria. R$ 30,00, R$ 39,00 e até por R$ 49,00 é possível encontrá-la sem casca. Com casca, os valores estão na média dos R$ 15,00.
Olha o camarão! (valor por quilo)
Colônia Z-3, Pontal da Barra e Balsa
Sem casca - entre R$ 30,00 e R$ 35,00
Com casca - entre R$ 10,00 e R$ 15,00
Mercado Central
Sem casca - entre R$ 30,00 e R$ 49,00
Com casca - entre R$ 12,00 e R$ 15,00
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