Receio

Salas de aula vazias marcam dia atípico na educação pelotense

Mais da metade das escolas da rede municipal cancelaram atividades; situação foi causada por receio de ataques

Foto: Carlos Queiroz - DP - Responsáveis não mandaram os filhos para a escola por medo de possíveis ataques


Na onda de receio por ataques e ameaças a escolas, a movimentação de estudantes na quinta-feira (20), em Pelotas, foi atípica. Na rede municipal, mais da metade das escolas ficou sem atividades. No ensino estadual, algumas instituições também optaram por permanecer de portas fechadas. Já naqueles educandários que mantiveram o funcionamento normal, a maioria dos alunos não compareceu. Resultado do receio causado por recentes episódios de violência ocorridos em escolas do País que se somaram a uma série de boatos e ameaças relacionados à possibilidade de novos ataques neste 20 de abril.

Das 94 escolas municipais de Pelotas, apenas 38 tiveram atividades normais na quinta. A orientação da Secretaria Municipal de Educação e Desporto (Smed) era de continuar com a rotina escolar normalmente, mas a decisão final de manter ou suspender as aulas ficou a cargo de cada unidade.

A EMEF Piratinino de Almeida, no Areal, foi uma das que optou por manter a rotina. Com as salas de aula quase vazias, a diretora geral, Daiani Borges, disse entender a preocupação de familiares, mas afirmou que a escola se sentiu segura para aderir à orientação da Smed. "Os pais querem a segurança dos seus filhos e nós entendemos. Ontem (quarta) os pais estavam bem preocupados. Hoje (quinta), os alunos que vieram à aula, vieram com tranquilidade", avaliou. Para não prejudicar os alunos faltantes, e também por orientação da Smed, o dia foi dedicado apenas à revisão de conteúdos.

Segundo Daiani, desde os episódios de violência ocorridos em escolas recentemente, a direção tem buscado tranquilizar e orientar as famílias. "Nas semanas anteriores, logo em seguida do atentado em Blumenau, aí sim a coisa foi bem tensa. A gente também tomou precauções, como fazer atendimento só por agendamento. São atitudes que a gente não tinha antes, o acesso de todos era mais livre mas, quando começaram a nos cobrar mais segurança, tivemos que tomar algumas medidas."

Corredores vazios no Assis Brasil

O Instituto Estadual de Educação Assis Brasil, que geralmente recebe cerca de 800 estudantes no turno da tarde, viu apenas quatro alunos comparecerem na quinta-feira. No turno da manhã, o número não passou de 15 alunos. "Muitos pais entraram em contato e nós tentamos acalmar, mas a procura foi tanta que não tivemos condições de responder todos. Fizemos uma nota avisando que ficassem seguros para decidir o que fariam, mas que a escola estaria aberta", relatou a vice-diretora do turno da tarde, Margarete Hirdes.

A monitora escolar Bárbara Yunes chegou a ir com a filha de sete anos à escola mas, diante da ausência de todos os colegas, resolveu levar a pequena embora. "Me senti segura [para trazer ela]. Trabalho em escola, então sei que a situação está controlada. Mas, como não tem nenhum aluno, não vou deixar só ela", disse.

Segundo a 5ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), as escolas estaduais não receberam orientação para fechar e também não possuem autonomia para suspender atividades. A 5ª CRE afirmou, ainda, que nenhuma escola havia solicitado autorização para não atender os alunos na quinta. No entanto, a reportagem do Diário Popular esteve também nos colégios Pedro Osório e Félix da Cunha e ambos estavam de portas fechadas. As instituições foram procuradas, mas não houve retorno para determinar a justificativa do cancelamento das aulas.

Ausências também na rede particular

Em nota, o Sindicato do Ensino Privado (Sinepe/RS) orientou as escolas a continuarem normalmente com a rotina, mas garantiu que cada instituição poderia decidir sobre a suspensão das aulas. Ao DP, o Sinepe/RS afirmou que nenhuma escola do Estado sinalizou o cancelamento de atividades.

Nas instituições pelotenses, como o Colégio São José e a Escola Érico Veríssimo, as atividades ocorreram normalmente, mas houve diminuição perceptível na quantidade de estudantes presentes. "Durante a semana a movimentação foi normal, mas hoje teve um número bem menor de alunos", confirmou o coordenador do Érico Veríssimo, Rodrigo Gonçalves.

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