Educação
Séries iniciais retornam às salas dia 16
Além da data, prefeitura anunciou início da vacinação aos profissionais da Educação; Simp irá manter carreata para cobrar imunização
Jô Folha -
A prefeitura anunciou na última sexta-feira, o retorno gradual das aulas para os alunos da Educação Infantil e os do 1º e 2º ano das escolas municipais. A realização das atividades em formato híbrido está prevista para o dia 16 de junho, quando começa o segundo trimestre dos estudantes. Mas essa decisão ainda depende da evolução da pandemia no município. Para as turmas do 3º ano até o Ensino Médio, este retorno ainda está sendo organizado para acontecer de forma gradual. Ao todo, a rede municipal de ensino possui cerca de 30 mil alunos.
A secretária de Educação, Adriane Silveira, explica que o formato híbrido funciona da seguinte maneira: parte dos alunos podem optar por assistir as aulas de forma presencial e a outra continua realizando as atividade de casa. Obtendo adesão dos pais, a intenção é criar uma espécie de rodízio, onde por uma semana um número de alunos assiste as aulas presencialmente e na outra, este grupo assista de casa, enquanto o grupo que estudava virtualmente, vá à escola. Adriane ressalta que a família tem o poder de escolha, não é uma imposição o retorno presencial.
Adriane diz que ainda não há um número de quantos alunos devem retornar às salas de aula e que será possível saber, após o retorno dos documentos assinados demonstrando interesse nesta volta. Mesmo que os país assinem o termo aceitando o retorno, podem mudar de posição posteriormente. Mesma situação para quem for contra no primeiro momento e decidir depois autorizar a ida do filho até a instituição. O documento também será usado para fazer um controle da organização didática e pedagógica da sala de aula, seja ela presencial ou não.
Um outro levantamento está sendo realizado pelas escolas para identificar quantos professores e funcionários devem retornar ao trabalho, já que alguns são do grupo de risco. Equipes diretivas, merendeiras, nutricionistas, motoristas e pessoas ligadas ao Centro de Operações de Emergências para Educação (COE-E), de cada escola estão passando por um treinamento promovido pela Vigilância Sanitária e a secretaria de Saúde com o objetivo de preparar os profissionais para a volta presencial. O mesmo procedimento deve ser estendido aos professores.
Preparação das escolas
Para o retorno, a secretaria de Educação irá disponibilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) previstos na portaria da Secretaria de Saúde e da Secretaria de Educação do Estado. Itens como máscara, álcool em gel e tapetes sanitizantes. “O que for obrigatório para a educação, a Secretaria irá distribuir, caso não tenha, a escola não pode abrir”, comenta Adriane. Ela ainda conta que desde janeiro, as escolas estão passando por adequações, que se intensificaram na última segunda-feira. Das 93 instituições da rede municipal, 43 já foram aprovadas pelo COE-E municipal e a Vigilância Sanitária. As demais aguardam a vistoria ou ainda estão em fase de adequação.
Como é o caso do Colégio Municipal Pelotense, o maior da rede com 2.900 alunos, deste, aproximadamente cem estão matriculados na Educação Infantil e primeiro ano. No local já foram colocados tapetes sanitizantes nos acessos ao prédio, junto com compartimentos de álcool em gel. Nos banheiros, os suportes para sabão e papel toalha também foram instalados. Houve ainda a troca das lixeiras, que agora são com pedais. Mesmo assim, ainda há trabalho pela frente. Com as determinações sanitárias, não é permitido pisos em madeira e por se tratar de um prédio antigo, as salas possuem parquê. Neste caso, a recomendação é de pintura do material ou a aplicação de uma camada espessa de cera. Para as salas de aula, foi escolhida a pintura, que ainda não há uma data de inicio, já a direção, secretaria e sala dos professores, receberá cera.
As cortinas em tecido também não são permitidas e por isso precisaram ser retiradas e substituídas, mas as novas ainda não foram adquiridas pela escola. Segundo a diretora Marta Inchauspe, isso não é um impeditivo para o retorno, mas é algo necessário para o bem estar das crianças, já que a escola recebe a luz do sol durante todo dia. Cada sala de aula terá capacidade máxima de 12 pessoas, número que diminui para dez nas salas do pré. Após o término das adequações o local ainda precisa passar por vistoria.
Não agradou
O Sindicato dos Municipários de Pelotas (SIMP) se posicionou contra a decisão do poder executivo e pede o retorno somente após todos os profissionais da educação serem vacinados. Hoje são 3.289 professores e 1.447 servidores. Por conta disso, o sindicato entrou com uma ação judicial em fevereiro deste ano pedindo o não retorno das atividades presenciais em todas as áreas públicas do município, em especial na educação. A primeira decisão foi negativa para o pedido, e foi recorrida para o Tribunal de Justiça do Estado em Porto Alegre. Além disso, foi feita uma denúncia no Ministério Público do Trabalho pedindo explicações após o órgão emitir um documento de recomendação da forma como deveriam funcionar as escolas privadas no Rio Grande do Sul, em relação à proteção contra o vírus. Neste caso, foi analisado por exemplo que o modelo ou número de máscaras necessário era diferente do fornecido pela prefeitura, no caso, o recomendado é do modelo PFF2, e o município vai fornecer uma mascara de pano reutilizável. A presidente do sindicato Tatiana Rodrigues questiona. “Como que as cozinheiras ou nutricionistas vão usar apenas uma máscara de pano se a recomendação é trocar de duas em duas horas ou quando ficar úmida?”.
Ela ainda cita exemplos de outras cidades do Estado onde houve o retorno e precisou voltar à forma remota após a contaminação dos trabalhadores e crítica a estrutura das escolas públicas. “A prioridade tem que ser a vida, não podemos pagar para ver. No nosso entendimento, o retorno da educação só pode acontecer após a vacinação dos profissionais e não enquanto a pandemia estiver causando esta quantidade absurda de mortes”, finaliza Tatiane.
Sobre o modelo das mascaras, a Secretaria de Educação diz que a recomendação recebida pela pasta é para disponibiliza-las em pano, laváveis e reutilizáveis e que a indicação das mascaras no modelo MP95 e PFF2 é para profissionais da saúde.
Vacinação de profissionais da educação
No inicio da noite desta sexta-feira, a prefeitura anunciou a vacinação dos profissionais que vão atuar neste retorno. A partir do próximo dia 28, professores ensino municipal, estadual e privado que atuam na Educação Infantil e 1º e 2º ano do Ensino Fundamental e demais trabalhadores como auxiliares de educação infantil, merendeiras, porteiros, equipes administrativas e de serviços gerais receberão a primeira dose da vacina. A aplicação será em sistema drive-thru, no Centro de Eventos, das 9h às 17h.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) estima que 4.400 pessoas integram esse grupo e reforça que, neste primeiro momento, apenas os trabalhadores que retornam ao ensino.
Mesmo após o anuncio feito pela prefeitura, a presidente do SIMP confirma a realização de uma carreata neste sábado contra o retorno das aulas. Com o tema, “Sem vacina a todos, escolas vazia”, a concentração será a partir das 14h em frente ao Colégio Pelotense e é aberta a quem apoia o movimento.
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