Impasse nas negociações
Servidores da Ebserh entram em greve a partir de quinta-feira
No HE-UFPel e no HU-Furg, trabalhadores e superintendência reúnem-se para debater detalhes; em Pelotas paralisação por tempo indeterminado deve começar sexta
Carlos Queiroz -
Os trabalhadores dos hospitais vinculados à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), entram em greve nesta quinta-feira (13) em todo o país. Em Pelotas, representantes da categoria e da direção do Hospital-Escola da Universidade Federal (HE-UFPel) reúnem-se nesta quarta (12) durante a tarde. Em Rio Grande, o debate entre os servidores e a superintendência do Hospital da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg) ocorrerá só na quinta.
O clima, portanto, é de expectativa para a adesão dos profissionais, já que as duas instituições são referências no atendimento à Covid-19 desde o começo da pandemia em toda a região. Uma das técnicas de Enfermagem - que prefere não ser identificada - adianta que as equipes das alas Covid do HE-UFPel e do HU-Furg não irão aderir diretamente à interrupção das atividades, mas deverão unir-se à mobilização quando não estiverem de plantão. "A gente não quer prejudicar os nossos pacientes. A gente quer ter o direito de ter qualidade, o mínimo de condição de exercer a nossa profissão com dignidade e com respeito".
Nos cinco anos em que atua no Hospital-Escola, a servidora já está há dois acordos coletivos sem definição e vê crescer a ameaça da perda de direitos. "Em um momento de pandemia, nos vemos tão desvalorizados e tão pouco confortáveis com as atitudes da empresa, que tá sempre tentando ganhar tempo e os acordos não são fechados", lamenta, ao pedir apoio da comunidade que depende do Sistema Único de Saúde (SUS) e sabe, portanto, a importância desses trabalhadores que mantêm viva a estrutura de saúde pública em todo o Brasil.
Entenda melhor
- O que diz a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde: A decisão de cruzar os braços está diretamente ligada ao processo de negociações do acordo coletivo de trabalho, que esbarra em impasses há mais de um ano. De um total de 65 cláusulas apresentadas pela categoria, a empresa teria rejeitado 52.
"Além de impor reajuste zero nas cláusulas econômicas, a Ebserh quer mudar a aplicação da regra para pagamento do adicional de insalubridade dos empregados, o que pode reduzir a remuneração de alguns trabalhadores em até 27%", argumenta o presidente da CNTS, Valdirlei Castagna. "Os trabalhadores não aceitarão as imposições da empresa que reduzem, excluem, anulam e eliminam os direitos dos empregados".
- A posição da Ebserh: As direções do HE-UFPel e do HU-Furg manifestaram-se, na tarde desta terça-feira (11), através da mesma nota disparada pela Ebserh em nível nacional. No texto, a empresa afirma ter sido surpreendida pela decisão das entidades sindicais e garante que o processo de mediação, através do Tribunal Superior do Trabalho (TST), prevê prazo até o dia 20 deste mês para a estatal apresentar nova proposta.
A Ebserh sustenta que não tem medido esforços para buscar as melhores condições possíveis para os trabalhadores e garante que a única mudança será na base de cálculo do adicional de insalubridade. Para adequá-lo à Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), o adicional passará a ser pago em cima do salário mínimo e não mais sobre o salário-base. A mudança, entretanto, só começaria a vigorar quando a pandemia chegar ao fim.
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