Meio ambiente

Sob risco de extinção

42 espécies da fauna e da flora do Pampa estão ameaçadas na Zona Sul; grande parte delas estão no Pontal da Barra

Divulgação -

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os resultados da pesquisa Contas de ecossistemas: espécies ameaçadas de extinção no Brasil, que trazia dados referentes ao ano de 2014. Nesta amostragem, cujas conclusões foram divididas entre os biomas brasileiros, existiam 3.299 espécies de animais e plantas ameaçadas de extinção. O Pampa, que cobre uma boa parte do território do Rio Grande do Sul (além de uma porção da Argentina e Uruguai), apresentou um índice de 14,5% de espécies em risco.

Na Zona Sul, há espécies tanto da fauna como da flora que estão com elevados riscos de extinção. Em sua maioria, estão localizadas perto de Pelotas e Rio Grande, que são centros urbanos que as trazem maior risco. Entre os expoentes animais, a maior parte dos exemplares que podem desaparecerem estão no Pontal da Barra, na praia do Laranjal. Segundo relatório da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), existem 15 espécies em risco de extinção, com diferentes graus de periculosidade. Os que estão em situação mais grave são o tubarão-martelo, bagre-marinho, cobra-de-vidro e os peixes anuais. "Os peixes anuais são os que estão mais ameaçados. São espécies de pequeno porte da família Rivulidae e são encontrados em ambientes aquáticos sazonais, que se formam durante épocas chuvosas e podem permanecer secos por longos períodos", explicou o professor Giovanni Maurício, que esteve envolvido na criação da unidade de conservação municipal na área do Pontal da Barra.

O trabalho dos pesquisadores levou em consideração as legislações federais, estaduais e municipais. Entre a flora da Zona Sul, 27 espécies sofrem risco de extinção. A que exige mais cuidado com a preservação é a Margarida da Praia, que é uma planta endêmica - exemplar que existe apenas em um único local do planeta. "É uma espécie que estava em floração e possui cor amarela, sendo bastante vistosa. Ela acontecia na praia do Laranjal e no litoral norte gaúcho. Porém, já não se encontra mais no norte do Estado, possivelmente foi extinta por lá. Ela só se encontra aqui, na região da areia, mais próxima à praia mesmo. É uma planta nossa, rara e que só acontece aqui", explicou o diretor do Museu de Ciências Naturais Carlos Ritter, João Iganci. Segundo ele, duas em cada cinco espécies de plantas estão ameaçadas de extinção. Na lista elaborada pelo governo estadual, a Margarida da Praia está classificada como criticamente ameaçada.

Toda a porção brasileira do pampa está no Rio Grande do Sul, o que aumenta a necessidade de preservação das espécies. "Muitas espécies ocorrem em pequenas áreas, muito restritas. Durante muito tempo, elas viveram em harmonia com as atividades humanas. Porém, nos últimos anos, a gente tem percebido grandes áreas de preservação convertidas em espaços para atividade agrícola, o que dificulta a manutenção destas espécies. E quando há uma perda no pampa, é uma perda mundial, porque o bioma só acontece aqui", afirmou Iganci.

Estratégias de conservação das espécies

Em Pelotas, há dois herbários, que preservam as informações ecológicas das plantas. Um deles pertence à UFPel e outro à Embrapa Clima Temperado, o que permite que existam estudos que visem à preservação das espécies. Na universidade, há também o Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre (Nurfs/UFPel), que atua em várias frentes de conservação da fauna e da flora ameaçadas. O Núcleo trabalha ações de ensino, pesquisa e extensão, como a formação de mão de obra para trabalhar com manejo e destinação de fauna silvestre, que ocorrem através de atividades acadêmicas. Também há o desenvolvimentos de pesquisas, em conjunto com outros laboratórios da UFPel e atividades de educação ambiental, visando conscientizar a população.

 

 

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