Meio ambiente

Substância chama a atenção na orla da praia

Mesmo com a limpeza realizada pela prefeitura, odor e lama preta seguem na beira da lagoa

Divulgação -

Uma espécie de lama preta tem chamado a atenção de moradores e aqueles que passam pelo Laranjal, não apenas pelo material em si, mas pela quantidade concentrada em grande extensão da orla da Lagoa dos Patos e pelo odor provocado. Alertados pela reportagem do Diário Popular, o Departamento de Tratamento do Sanep esteve nesta terça-feira (9) no local para realizar a coleta do material, que passará por análise.

Comum nesta época, a concentração de algas mortas na margem da lagoa está sendo mais aparente neste ano, entre os balneários Santo Antônio e Valverde. Segundo o professor de Ecologia do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Marcelo Dutra da Silva, o material orgânico que ocupa a orla do Laranjal há cerca de dois meses é composto por algas e peixes, entre outros detritos do fundo da lagoa, que se encontram neste momento indo para a superfície e chegando até à areia por conta das chuvas aumentadas e das tempestades. "A água agitada está mexendo no fundo e arrastando os materiais em direção ao estuário. A lagoa está com nível baixo, portanto mais suscetível aos eventos de movimentação de sedimentos e o material carregado, ao encontrar zonas de calmaria, se deposita, incluindo a margem da praia", esclarece.

O professor explica que não há motivos para espanto, pois trata-se de um processo natural. Contudo, adverte que a quantidade de material orgânico jogado na lagoa (esgoto) que na sequência é degradado, consequentemente demandará mais oxigênio que poderá vir a faltar para os peixes. Nessa degradação ocorre também a liberação de nutrientes que favorece o crescimento e proliferação de algas e plantas.

A origem está no esgoto

A causa do aparecimento dos detritos na areia e de uma espécie de óleo sobre a água estar diretamente associada com a dragagem do Porto ou a limpeza de embarcações foi descartada pelo professor. "Não acredito ter qualquer relação com dragagem. O óleo que se observa no sobrenadante (na superfície da água) pode estar associada às embarcações que passam e trafegam no local." explica. O motivo para a quantidade de material que está chegando à costa, indica um maior nível nos índices de poluição e do descarte de resíduos nas águas. "A origem com certeza, está no lançamento de esgoto sem tratamento, não só de Pelotas, mas de vários municípios", esclarece o professor.

Moradora do Laranjal há 58 anos, a aposentada Iara Moscarelli, de 68 anos, conta que tem contato diariamente com a areia da lagoa onde pratica atividades físicas, e se emociona com situação da orla. "Passo aqui quase que diariamente para caminhar e eu nunca vi a praia desse jeito, com esse cheiro muito ruim. A lama aqui é normal, mas não desse jeito. É triste, parece que a praia chora desse jeito", lamenta.

A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e Infraestrutura (SSUI) tem realizado a limpeza da orla. Porém, Marcelo Dutra afirma que o único meio de amenizar o forte odor provocado pelo material orgânico é uma melhor limpeza e a retirada de todos detrimentos. Já o Departamento de Tratamento do Sanep realizou coleta do material nesta terça-feira, para uma melhor detecção e as possíveis causas para a população. O resultado será divulgado até o final de semana.

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