Indefinição

Tribunal de Justiça avalia volta às aulas presenciais a partir das 18h

Semana começou com dúvidas entre pais de alunos da Educação Infantil e de 1º e 2º Anos do Ensino Fundamental, assim como entre direções de escolas

Carlos Queiroz -

A indefinição sobre o retorno ou não das aulas presenciais para a Educação Infantil e para 1º e 2º Anos do Ensino Fundamental deve chegar ao fim na noite desta segunda-feira (26). A 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado aprecia, a partir das 18h, recurso do governo do Estado para que as atividades possam ser retomadas. Durante a manhã, o clima era de dúvida entre pais de alunos e de direções de escolas em todo o Rio Grande do Sul.

Em Pelotas, as instituições da rede estadual funcionaram em esquema de plantão. Foi o caso do Instituto de Educação Assis Brasil (IEAB), onde apenas integrantes da diretoria e parte dos servidores de secretaria, de manutenção e portaria ficaram de prontidão. "Já combinamos que o que acertarmos, vale apenas para hoje", explica o diretor Fábio Padilha. "Tem mudado muito e gera uma insegurança".

Apesar do cenário incerto, o IEAB organiza os futuros fluxos de circulação entre professores, estudantes e funcionários e reforça os protocolos de segurança. Tudo para reduzir riscos de contaminação do coronavírus. Ao receber o Diário Popular, o diretor admite: para a qualidade do ensino o retorno é fundamental. Mas não esconde o receio de que algum dos trabalhadores seja infectado: "Se algum professor nosso contrai o vírus e morre, eu abandono o cargo. Esta é uma carga de responsabilidade injusta em cima dos diretores".

E, como argumento, Padilha menciona os diferentes bairros onde vivem os alunos, assim como as realidades sociais e os comportamentos frente à pandemia também distintos. Em caso de retorno, só entre as cinco turmas de Educação Infantil e de 1º e 2º Anos do Ensino Fundamental são 80 crianças.

Rede municipal permanecerá sem aulas presenciais

Independentemente da decisão da noite desta segunda no TJ, as escolas municipais de Pelotas seguirão sem aulas presencias. A afirmação foi reforçada pela prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) em live, no começo da tarde. O processo de retomada ainda será debatido pelas equipes diretivas. Além disso, nem todas as instituições passaram por vistoria da Vigilância Sanitária e ainda não estão liberadas para funcionar.

Durante o pronunciamento, Paula também lamentou a morte da diretora da escola Mário Meneghetti, Bianca Aires da Silva, de 40 anos, que não resistiu às complicações da Covid-19. "Era uma diretora cuidadosa, responsável. Uma mulher forte, com tantos sonhos. É muito duro", sustentou, ao se solidarizar com familiares e membros da comunidade escolar.

Na rede privada, orientação para portas cerradas

O Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe/RS) orientou as instituições a cumprirem a decisão judicial. Em Pelotas, entretanto, as escolas estavam organizadas para reabrir a partir desta terça-feira (27). Portanto, neste começo de semana, as atividades não chegaram a ser retomadas - afirma a entidade, através da assessoria de imprensa, em Porto Alegre.

Para o presidente do Sinepe, Bruno Eizerik, o que está acontecendo é um descaso com a educação e um desrespeito com alunos e suas famílias: "Todos os demais setores da sociedade estão abertos, inclusive bares e centros comerciais e nossas escolas estão fechadas há quase dois meses", destaca. "É preciso haver um entendimento entre o poder Judiciário e o poder Executivo para que não tenhamos essa insegurança e indefinição. Nossa comunidade escolar, e principalmente as crianças, não merecem essa situação".

 

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